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GLOBALIZAÇÃO ARTISTICA?

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Wellington R Costa · São Paulo, SP
29/4/2007 · 35 · 0
 

de Wellington R Costa

Mais uma Bienal Internacional de Artes de São Paulo ocorreu, como era o esperado foi visitada por um grande publico e como era previsível a Arte Conceitual imperou soberana. Os discursos da curadoria e do presidente da Fundação Bienal foram coerentes ao defenderem, um engajamento louvável, para se atender a demanda social e educacional servindo a Bienal de pólo formador de professores e de alunos das “periferias culturais”... Mas as obras apresentadas não convenceram em seu conjunto aos conhecedores e os sequiosos por emoções estéticas que visitaram a mostra... A arte apresentada foi morna, requentada, previsível e pouco instigadora... Diante da mesmice estética, que poderíamos chamar de um quase Conceitualismo Populista, raras exceções destacaram-se e mesmo estas se diluíram rapidamente da memória de todos.
Há sem duvida dificuldades em se criticar uma iniciativa educacional louvável como a que foi adotada, mas indubitavelmente o foco da ultima edição da Bienal de São Paulo ou sair da arte em si e migrar para o educacional relegou alguns aspectos artísticos a uma orfandade a qual é relevante questionarmos a validade de tal opção.
O equívoco ao optar pela distribuição de diplomas compulsórios que geram uma massa de analfabetos funcionais, o mais absoluto caos do sistema educacional básico e a necessidade urgente de re-capacitações de nossos professores estão obrigado instituições serias como a Fundação Bienal de São Paulo a ocuparem as lacunas deixadas por um omisso sistema educacional, o que lastimavelmente subverteu o foco principal da Bienal que deveria ser a arte.
A Arte como um todo possui elementos que propiciam gerar perante a seu publico questionamentos críticos; A Arte pode ser ensinada para a formação de artistas ou engrandecimento cultural dos indivíduos ao abordar aspectos históricos, estéticos, técnicos, mas ao ser empregada focando-se somente a produção contemporânea conceitual perdeu sua força educacional tradicional e revestiu-se de um tendencionalismo preocupante. Sob muitos prismas a ação educacional adotada pode ser encarada como uma tentativa artificial de justificação da formação de uma “Academia Conceitual”, corrente artística esta que demonstra estar havida por se perpetuar como única fonte estética valida de ser consumida pela sociedade contemporânea. Tal “Academia Conceitual” em muitos casos esta se contrapondo aos valores e princípios do publico que através de sua cultura popular possui paradigmas estéticos bem diferenciados dos “neo-academicos-conceituais”.
O cenário acima descrito suscita alguns questionamentos:
- É de fato o papel da arte, particularmente diante da realidade educacional brasileira, ocupar as lacunas ou equívocos educacionais abandonando em parte suas questionamentos tradicionais?
- A arte conceitual é a ideal a ser usada educacionalmente, tendo-se como verdade a existência de diversas outras correntes estéticas que possuem bem mais fortes raízes populares no Brasil?
- A Arte conceitual mesmo possuindo alguns aspectos bissextos populares, também possui vertentes absolutamente elitistas que foram eleitas as ideais a serem subvencionadas pelas políticas da Globalização. Diante de tal fato, a que interesses atende a divulgação e reiteração dos valores “neo-academicos-conceituais"?
- A arte por si, ao desbravar searas e temáticas das mais diversas, auxilia seus observadores a vivenciarem uma cartase reveladora que amplia a percepção critica do mundo. Mas indivíduos que possam ser considerados analfabetos funcionais estariam realmente aptos a vivenciarem plenamente estas experiências estéticas que no caso da arte conceitual são geralmente revestidas de hermetismos ou referencias eruditas extremamente complexas?
- Socialmente o que seria mais relevante acabar de imediato com o analfabetismo real e funcional ou tornar o individuo apto a presenciar experiências estéticas transcritas por interlocutores treinados a repetir as palavras de ordem dos princípios estéticos da arte conceitual?
- A arte contemporânea de cunho conceitual dentro da realidade brasileira estaria sendo usada do mesmo modo que as pinturas e relevos de via sacra na Idade media foram usadas para educar o povo iletrado a aceitarem princípios e valores eleitos como ideais pelos detentores do poder?
Tais questionamentos acima propostos são os embriões para debatermos por quais caminhos a arte deva ser empregada dentro da realidade educacional, social e cultural brasileira. Portanto o maior mérito da ultima edição da Bienal de São Paulo não foi encontrado na qualidade estética das obras apresentadas, nem no uso da mostra para atender critérios educacionais de reiteração do conceitualismo imperante.
A ultima edição da Bienal de São Paulo deve ser enaltecida por ter nos proporcionado um cenário propicio de reflexão do atual contraponto entre a “neo-academia-concentualista” e tantas outras vertentes estéticas detentoras de raízes populares mais significativas. Dentro de tal enfoque a ultima edição da Bienal foi um marco histórico entro do universo artístico brasileiro.

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