Era por volta das nove da noite da terça-feira dia 20 de fevereiro e o carnaval de Salvador fervia nos circuitos oficiais da folia. De um outro lado da cidade, distorções ecoavam por entre os coqueiros: era o Festival Alternativo Palco do Rock, em sua 13ª edição, realizado pela ACCRBA – Associação Cultural Clube do Rock da Bahia – sempre no período momesco.
A noite estava apenas começando e três bandas baianas de rock já haviam feito as honras da casa e preparado o palco para a entrada da atração paraense Jolly Joker, até então desconhecida para o público rocker baiano.
Nem bem deram boa noite e o apresentador Ajota fez a pergunta que não queria calar: “Nesta noite, qual recado você mandaria para Ivete Sangalo?”. O vocalista e guitarrista Carlos Ruffeil não se fez de rogado e proferiu em alto e bom som o “suck my dick and die”, que também é título de uma das músicas da banda. A frase “felativa” não nos permite tradução, mas o público aderiu ao grito de guerra lançado antes mesmo de começar o show, entoando com um sorriso sarcástico no rosto, esperando que a musa do carnaval baiano ouvisse e atendesse ao chamado, literalmente.
O público, ansioso pela atração, foi logo atraído pela guitarra do Paulo Gui, integrante da também paraense Stress, além do irrevente Carlos Ruffeil e seus incríveis agudos! Seu set reduzido a sete músicas próprias foi tocado com o maior prazer pela banda, executando as músicas de seu promo cd, além de outras já disponíveis para audição na internet. Os destaques ficaram por conta de Ces´t La Vie, tendo o coro dos roqueiros no refrão, Descriminalizar e a sugestiva Suck My Dick and Die, cantada, novamente, em coro pelos presentes.
Com certeza, a Jolly Joker passou e deixou saudades. O público já cobra uma volta da banda por terras baianas e votou, através da internet, pela presença da banda na Ressaca do Palco do Rock, além de indicar seus integrantes como destaque do festival.
Os baianos conheceram os paraenses e pelo visto firmaram um pacto de devoção à banda poucas vezes visto nesta terra de pluralidade cultural e investimento monocultural. Voltem mais vezes!
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