Meninas do Recife reinventam o brega

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José Paulo Borges · Petrolina, PE
26/3/2008 · 42 · 0
 

“Sou viciado em puta, em putaria / Comigo não tem chororó nem agonia / Sou viciado em puta, em putaria / A minha vida é só amor só alegria.†( Viciado em Putaria, Aviões do Forró)
“Amor de rapariga / É que é amor / Amor de rapariga / É bom demais / Amor de rapariga / Não tem confusão / Não tem briga não / Só existe paz.†(Amor de Rapariga, Sirino e Sirano)
As letras acima são apenas dois singelos exemplos do forró lépido e fagueiro que assola o Nordeste, puxado por bandas como Aviões do Forró, Calcinha Preta, Calypso e similares.
É bom que se diga: letras de conteúdo machista, que reforçam a opressão do homem sobre a mulher, sobretudo a sexual, não são novidades por aqui. Mas como ninguém faz as pessoas deixarem de gostar de um tipo de música da noite para o dia, a ONG Comunidade dos Pequenos Profetas, do Recife, teve uma bela idéia: criou a oficina “Reinventando o Bregaâ€.
Na oficina, meninas carentes do bairro de São José, juntamente com outras que viviam nas ruas, primeiro, identificam trechos de músicas de forró que tratam a mulher de maneira pejorativa e, em seguida, os reinventam.
Assim, a música "Piri Piri Piri", que era cantada "Eu sou comprometida e não quero confusão/ Quem sabe escondidinho, num lugar bem escurinho/ Uma ou duas vezes a gente dá um jeitinho", virou: "Eu sou tua amiga e não quero traição/ Quem sabe amiguinho, eu só quero teu carinho/ Uma ou duas vezes a gente vai ao barzinho".
A infidelidade da mulher escancarada no brega “DNAâ€, foi invertida. A letra original "Essa mina é safada e ta querendo te enganar/ Pois ela já ficou com vários amigos seus/ Agora engravidou e disse que esse filho é teu", virou: "Essa mina é uma gata e ta querendo te ganhar/ Pois ela nunca ficou com nenhum amigo teu/ Agora engravidou e com certeza esse filho é teu".
"A gente faz as meninas refletirem sobre o conteúdo das letras. Elas começam a identificar o preconceito e vão reescrevendo a canção", explica o coordenador da ONG, Demetrius Demetrio. Segundo ele, o objetivo não é apenas reescrever as letras das música: “A oficina busca conscientizar as meninas sobre as situações opressivas vividas por elas.â€
A iniciativa dessas meninas do Recife certamente não vai conter a avacalhação que toma conta do forró. Mas já é um bom começo. Ah, se é!

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