Post original do blog Ator Desmensurado
Espetáculo no sábado e no domingo nos Satyros II (a Praça Roosevelt, pra quem não conhece) - dois dias em que eu estive doente. Ainda estou. Gripado. Em cena, com febre, e o mundo girando à minha volta. Uma delícia de sensação. Fiz por aquelas pessoas que saíram de suas casas para nos assistir. Por mim, eu parava tudo e dizia "Ok, gente, até mais". Tava muito mal. Isso era no sábado.
Não é a primeira vez que enceno com febre, mas com "febre, dor-de-cabeça e vertigem", ah, sim, essa é a primeira vez. E no Amores Dissecados (no Overmundo, eis o serviço) não é possível sair de cena assim, tão fácil. Na verdade, não é possível sair de cena. Ficamos os cinco expostos, trocamos de figurino às vistas do espectador, são cenas curtas de histórias de amor diversas, várias trocas, não rola de deixar o meu assento vazio e ir tomar um Cataflan no meio do espétáculo.
Daí o ator tem que usar a famosa lei do "usar a favor". E na cena em que eu bebo, me deixei levar pela vertigem. Nem tanto porque ia ser lindo acertar a garrafa na cabeça de um espectador e ver sangue esguichando a la Tarantino. Segurança minha e do espectador, básico. Mas me deixei um pouco ao sabor da vertigem febril. Quase me estatelei no chão. Aí percebi que era hora mesmo de acabar o espetáculo.
Na cena em que a Fernanda Tsuji me dá um tapa, eu dei um passo para trás, cambaleante, uma pessoa quase desvanecendo (depois eu conto como quase dei na cara dela no dia em que perdi a cabeça nessa cena). Cheguei a me imaginar morrendo no palco. Coisa de ator... Segurei as pontas. Eu senti que devia mesmo fazer todo o esforço possível para me manter ali. Só pelo espectador, claro.
Parece que a bendita "síndrome do segundo dia", aquela em que,numa temporada, o segunda dia da semana é SEMPRE uma merda: essa não anda pegando no Teatro Insano, não. Em cartaz aos sábados e domingos, o domingo anda levando a melhor. E mesmo gribado, eu estava ótimo. Radiante quase. O que uma boa aquecida não faz, né?
Tudo bem, vai, espirrei e tossi durante um black-out. Só.
bacana, valmir, tão raro ler um relato de quem está no palco...
Helena Aragão · Rio de Janeiro, RJ 26/6/2007 19:31Obrigado, Helena!!!! O palco é uma vida à parte. Merece ser contada.
Valmir Junior · São Paulo, SP 26/6/2007 23:13Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
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