Para terminar com Deus
O espaço… espaços…?
Uma das primeiras certezas é que o espaço é um dado, tanto quanto um gênero. Vital mas totalmente subjetivo. Consciente mas inconsciente. Cada um evolui numa esfera de conhecimentos sensÃveis, fÃsicos, materiais, imateriais, apaixonantes ou, à s vezes mesmo, parecido ao nada. Mas cada elemento dá razão e nascimento a um grupo de parâmetros que definem um espaço encarregado de sentidos.
Se um animal vive um território, como um lugar de caça e de vida, o Homem, toma-lhe consciência de um espaço. Não é este o primeiro passo para a consciência e a existência? Uma criança nasce, sente, seguidamente o que gradualmente baliza, cerca-o como pontos de marcadores: um lugar, seus parentes, os sons, cada elemento obtém o seu lugar numa esfera de conhecimento. Esta esfera deve ser a tal ponto um espaço que tranqüiliza que “o estranho estrangeiro†vem perturbar esta lógica: apavora, desabuse e repulse.
Sé da conta então que o espaço é um dado compartimentado. Necessita limites, a ponto de que ninguém chega a compreender a idéia de espaço infinito sem entrar numa doce loucura.
Sem limites não tem espaço.
O ser Humano não pode ser um elemento flutuante num mar de vazio. Tem necessidade tantos dos limites que da esperança de poder ultrapassá-las e as transgredir. Enquadram-no, mas levam tão às vezes a encontrar outras, mais longe, mas sempre definidas. Mesmo o horizonte torna-se um parâmetro preciso.
“A liberdade de uns para onde começa a dos outro. Este provérbio seria aplicável ao espaço? É necessário, portanto, ser dois de modo que a noção de espaço tome sentido?
O espaço não é apenas uma possessão, é também percepção. Percebendo um espaço que não é o seu, tão inacessÃvel e proibido que seja, faz, portanto, partido do seu ambiente pessoal, ao passar a ser “zona de proibiçãoâ€. Proibição fÃsica, mas não mental. Onde não posso ser, será o território dos meus sonhos. O espaço define-se então por um lugar de existências e de sonhos.
Mais distante que o horizonte, o horizonte.
Fronteiras flutuantes, moventes, perceptivas, afetivas, apavorantes, estão lá, e regam as nossas lendas, e todas as nossas crenças. Se todos necessitam esse coral: um espaço fechado e uma parte externa desconhecida, certo escolherão “o pré-cozidoâ€. A noção estragada de Deus é um destes pratos prontos para viagem. Entregando uma história, um mundo, uma lógica, uma hierarquia, um espaço. Constrói-se então a esfera do aqui e do além: os famosos territórios proibidos. Deus torna-se materialização de uma noção de espaço. Cada religião é um território com fronteiras bem guardadas, e que permite muito raramente se escapar.
Construir o seu campo de percepções além do visÃvel é-se construir a sua religião, ou pelo menos dar-se respostas à perguntas que o visÃvel não pode responder. O que faz a Arte. O espaço é uma noção, termina no visÃvel, infinito no invisÃvel.
E permanecê-lo todo deve em expansão.
“Criávamos as Cidades para celebrar o que tÃnhamos conjuntamente. Hoje, são concebidas para separar-nos uns dos outro. †Richard Rogers. Arquiteto.
Mathieu Duvignaud. 2007
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