Para terminar com Deus. Uma opinao sobre o Espaço.

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matyeu · França , WW
22/6/2009 · 3 · 0
 

Para terminar com Deus

O espaço… espaços…?

Uma das primeiras certezas é que o espaço é um dado, tanto quanto um gênero. Vital mas totalmente subjetivo. Consciente mas inconsciente. Cada um evolui numa esfera de conhecimentos sensíveis, físicos, materiais, imateriais, apaixonantes ou, às vezes mesmo, parecido ao nada. Mas cada elemento dá razão e nascimento a um grupo de parâmetros que definem um espaço encarregado de sentidos.

Se um animal vive um território, como um lugar de caça e de vida, o Homem, toma-lhe consciência de um espaço. Não é este o primeiro passo para a consciência e a existência? Uma criança nasce, sente, seguidamente o que gradualmente baliza, cerca-o como pontos de marcadores: um lugar, seus parentes, os sons, cada elemento obtém o seu lugar numa esfera de conhecimento. Esta esfera deve ser a tal ponto um espaço que tranqüiliza que “o estranho estrangeiro†vem perturbar esta lógica: apavora, desabuse e repulse.

Sé da conta então que o espaço é um dado compartimentado. Necessita limites, a ponto de que ninguém chega a compreender a idéia de espaço infinito sem entrar numa doce loucura.

Sem limites não tem espaço.

O ser Humano não pode ser um elemento flutuante num mar de vazio. Tem necessidade tantos dos limites que da esperança de poder ultrapassá-las e as transgredir. Enquadram-no, mas levam tão às vezes a encontrar outras, mais longe, mas sempre definidas. Mesmo o horizonte torna-se um parâmetro preciso.
“A liberdade de uns para onde começa a dos outro. Este provérbio seria aplicável ao espaço? É necessário, portanto, ser dois de modo que a noção de espaço tome sentido?

O espaço não é apenas uma possessão, é também percepção. Percebendo um espaço que não é o seu, tão inacessível e proibido que seja, faz, portanto, partido do seu ambiente pessoal, ao passar a ser “zona de proibiçãoâ€. Proibição física, mas não mental. Onde não posso ser, será o território dos meus sonhos. O espaço define-se então por um lugar de existências e de sonhos.

Mais distante que o horizonte, o horizonte.

Fronteiras flutuantes, moventes, perceptivas, afetivas, apavorantes, estão lá, e regam as nossas lendas, e todas as nossas crenças. Se todos necessitam esse coral: um espaço fechado e uma parte externa desconhecida, certo escolherão “o pré-cozidoâ€. A noção estragada de Deus é um destes pratos prontos para viagem. Entregando uma história, um mundo, uma lógica, uma hierarquia, um espaço. Constrói-se então a esfera do aqui e do além: os famosos territórios proibidos. Deus torna-se materialização de uma noção de espaço. Cada religião é um território com fronteiras bem guardadas, e que permite muito raramente se escapar.

Construir o seu campo de percepções além do visível é-se construir a sua religião, ou pelo menos dar-se respostas à perguntas que o visível não pode responder. O que faz a Arte. O espaço é uma noção, termina no visível, infinito no invisível.
E permanecê-lo todo deve em expansão.

“Criávamos as Cidades para celebrar o que tínhamos conjuntamente. Hoje, são concebidas para separar-nos uns dos outro. †Richard Rogers. Arquiteto.

Mathieu Duvignaud. 2007

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