Eu pensei que estava enganada quando terminei de assistir o primeiro capÃtulo da PEDRA DO REINO, do Mestre Ariano Suassuna. Fiquei um tempão pensando que ainda ia começar porque tinha vista uma sobreposição de imagens que não me davam a dimensão e nem me traziam à memória nada que dissesse respeito a Pedra. Estava insatisfeita comigo. Dia seguinte, abri um jornal da cidade e encontrei o artigo da jornalista Carolina Leão e ela falava que a tradução para a TV da literatura de Ariano tinha sido marcada por uma das produções mais herméticas e confusas da história televisiva contemporânea.
Por que me veio esssa impressão de atabalhoamento? Porque percebi um amontoado de imagens (lindas, por sinal!) mas não entendi a ligação com o texto, aliás, nem entendi se havia texto disponÃvel para entendermos o que estava acontecendo e aà a Carolina Leão escreveu quão difÃcil entender que danado de trama era aquela que aparecia na tela em delÃrios e passagens que misturavam tempo presente e real num universo pouco comum ao brasileiro médio.
Puxa! Brasileiro Médio... e aà me dei conta que a essa altura da vida, já nem mais estou inclusa no rol dos brasileiros médios, porque detestei tudo aquilo que estava vendo e fiquei morrendo de raiva que a obra de Ariano não tenha sido colocada para que os BRASILEIROS MÉDIOS como eu, pudessem absorver de sua importância, de sua contemporaneidade e, principalmente de sua nordestinidade que, em absoluto não foi explorado, acho que porque o nordestino não é brasileiro médio, é feio, burro e não tem que conhecer a PEDRA todo o seu significado da PEDRA.
Nós, brasileiros médios, perdemos a oportunidade de entender a PEDRA DO REINO, faltou o desejo não sei de quem, de brincar com o fantástico imaginário do autor e levá-lo a uma quantidade de pessoas, que se não tão brasileiras médias, mas que gostariam de ter trocado programa engessados e caretas de outras emissoras, para assistir ao grande espetáculo. Foi SIMPLESMENTE ELITISTA!!!!!!!!!!!!!!!!!!
A Carolina Leão, com muita precisão, escreveu que faltou um mÃnimo de didatismo. Não o didatismo opressor que engessa a produção, torna careta a liberdade artÃstica de brincar com o fantástico,. Mas uma comunicação que se distanciasse pelo menos um pouco co conceitualismo do diretor para atingir essa massa de telespectadores. Vou continuar assistindo porque sou brasileira média e vou tentar entender..... Colei algumas informações sobre o Mestre Ariano prá não perdermos o fio da meada, inclusive o nome dos atores que quando aparecem somem rapidamente e nem conseguimos reconhecê-los, apesar de alguns fazerem parte de nosso mundo, pessoas não globais que são, mas que, apesar de tudo estão desempenhando seus papeis com desenvoltura e rara riqueza (que não vemos em nenhum momento e em nenhuma televisão). Os atores esão fantásticos, divinos, maravilhosos e perfeitamente entrosados e integrados com a obra. O Quaderna, é perfeito e acho que o melhor que faço, como brasileira média, é observar a atuação de cada personagem, porque eles sim, estão impregnados do espÃrito da PEDRA DO REINO
DESCULPA MESTRE......
Ontem, 16 de junho de 2007, terminou, na TV, A PEDRA DO REINO e eu ainda não consegui ligar a televisão porque fiquei impregnada pela beleza daquele espetáculo. Eu deveria apagar tudo que está escrito nos parágrafos acima, menos o detalhe de ser uma BRASILEIRA MÉDIA por não ter entendido o primeiro capÃtulo da PEDRA. Seria muito mais fácil deletar tudo e começar dizendo que nunca em minha longa vida, havia visto um espetáculo tão fantástico como aquele que a TV GLOBO! estava apresentando ao público. Duvidei da técnica e da capacidade do Diretor, mas aqueles personagens que me foram aparecendo durante as apresentações da PEDRA, foram tomando conta do meu imaginário e hoje, neste domingo, que ainda não liguei a TV, eles já estão provocando uma tristeza e uma enorme insegurança pelo que pode acontecer com o futuro deste paÃs se as programações continuarem como estão na atualidade.
Chorei quando o Mestre em uma entrevista, não consegui falar de sua mãe, viúva aos 34 anos. Chorei de novo quando o Mestre não consegiu conter as lágrimas, ao terminar uma aula espetáculo no Rio de Janeiro, segurando a mão de uma garota e imaginando a epopeia que vem travando todos estes anos, para que nossa cultara seja valoricada e chorei de novo quando vi na PEDRA, Dom Ariano Pedro Dinis Quaderna, aos 80 anos, e era mesmo o MESTRE, se despedia falando de seu pai e deixando, sem vergonha nenhuma escorrerem as lágrimas que empapaçam seu coração e sua alma por ter ficado sem a sua estrela guia e me lembrei de meu filho que nunca teve uma estrela para guiá-lo e da minha estrela brilhante que partiu e me deixou sozinha, meu pai. Dom Ariano Quaderna me fez ver que falar de meu pai, aos mais de 60 anos, não era vergonha nenhuma, muito menos sentir saudade e necessidade da presença dele.
Vou parar por enquanto, porque TENHO que reler tudo sobre a PEDRA, está fantasticamente escrito no livro ARIANO SUASSUNA O CABREIRO TRESMALHADO, que minha amiga MARIA APARECIDA LOPES NOGUEIRA escreveu e me deu de presente com um carinhoso texto em dedicatória. Preciso juntar meus cacos que ficaram espalhados porque a PEDRA foi prá mim, mais que uma série global. A PEDRA DO REINO, me despertou um sentimento de renovação que estava encolhido, escondido dentre afazeres imediatistas que consomem nossa vida e nosso espÃrito. E meu espÃrito foi afetado de uma forma tão imaginosa e fantástica, que me sinto na obrigação de satisfaze-lo porque sei muito bem, que ele, meu espÃrito, está necessitando dessa força vital.
Vou parar ... mas minhas observações a respeito da PEDRA estãrão sendo escritas em outro lugar até que eu tenha me redimido de ser uma brasileira média... volto logo
Eu achei a minissérie linda, fantástica!
mas eu acho que pra quem não conhece a história deve ter ficado meio confuso...
se servir como incentivo para as pessoas lerem... o/
ta votado, gostei!
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