Play the blues, man!

Renata Duarte
1
Solto · Natal, RN
8/1/2009 · 95 · 1
 

ENTREVISTA: FLÁVIO GUIMARÃES, MÚSICO
Por Cleo Lima / Foto: Renata Duarte


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A temporada 2009 do Clube do Blues, programa de toda quinta-feira do Aprecie Pub, será aberta por ninguém menos que Flávio Guimarães, gaitista e líder-fundador do grupo Blues Etílicos, o mais importante do gênero no país. O músico, em mais de 20 anos de carreira, tem na bagagem 15 CDs – cinco solo e dez com o Blues Etílicos. Ele já gravou com Alceu Valença, Cássia Eller, Ed Motta, Fernanda Abreu, Gabriel o Pensador, Luiz Melodia, Paulo Moura, Renato Russo, Rita Lee, Titãs, Zeca Baleiro e Zélia Duncan, entre tantos outros, e abriu shows para B. B. King e Robert Cray, além de compartilhar o palco com algumas lendas vivas do blues, como Buddy Guy e Taj Mahal. Por e-mail, Flávio concedeu a seguinte entrevista ao Solto na Cidade, contando um pouco sobre sua carreira e dando pistas do que o público natalense pode esperar para o show desta quinta-feira:

Solto na cidade: Flávio, você foi atraído pelo blues desde o início da sua formação musical ou o estilo funcionou como um amadurecimento para você?


Flávio Guimarães: O estilo atraiu-me desde a infância, ainda nos anos 60. Meu pai tinha LPs de Louis Armstrong, Billie Hollyday e B. B. King. Ouvíamos também Tom Jobim, que eu acho que tem muito de blues em várias composições.


Solto: Quais foram, para você, os artistas responsáveis pela difusão do estilo mundo afora?


FG: Cito B. B. King como o maior embaixador do blues pelo conjunto da obra e atividade incessante por várias décadas. Tive a honra de abrir dois de seus shows no Brasil e conviver alguns minutos com ele. O blues inglês, apesar de não ser meu favorito, também teve um papel importante na divulgação do estilo no mundo, já que a cultura afro-americana era muito repudiada até então pela mídia internacional. Meus artistas favoritos de blues estão ligados à gravadora Chess, de Chicago, nos anos 50 e 60: Little Walter, Muddy Waters, Jimmy Rogers, Howling Wolf, Sonnyboy Williamson, Chuck Berry... Para mim, essa foi a era de ouro do blues.


Solto: E hoje em dia, quem são os principais responsáveis por manter o blues vivo?


FG: Os músicos da “era de ouro” do blues já se foram quase todos, à exceção de Buddy Guy. O blues vem se tornando um gênero de preservação. A meu ver, precisamos preservar esse legado cultural, mantendo respeito às suas raízes e tradições. A palavra inovação não se aplica mais ao gênero. É como o choro brasileiro, tem de ser preservado. Agora, o blues se mistura bem a vários gêneros musicais e é excelente ingrediente para criar músicas próprias.


Solto: Como você se sente, sendo o frontman de uma banda de blues brasileira que há 21 anos se mantém como a mais importante do país?


FG: A Blues Etílicos é a única banda brasileira a manter uma carreira estável dentro do segmento. Lançou 10 álbuns em 21 anos ininterruptos de carreira e prepara-se para entrar em estúdio nesse ano. Tivemos uma única mudança na formação, que foi a troca de bateristas, realizada 15 anos atrás. É uma banda criativa e original. Mistura elementos do blues e rock e cria seu próprio som.


Solto: O que você acha da atual cena blueseira no Brasil?


FG: O segmento, hoje em dia, é praticamente ignorado pela grande mídia do eixo Rio-São Paulo. Diversas bandas amadoras se apresentam em bares, tocando em geral para amigos e parentes, muitas vezes afugentando o público normal. Por sorte, os festivais estão cada vez mais sérios e a qualidade está começando a se impor. Existem excelentes músicos espalhados pelo país que estão fazendo um verdadeiro trabalho de resistência. Em Natal, por exemplo, temos a Blue Mountain fazendo a diferença e mantendo o blues vivo na cidade.


Solto: Além de fazer shows com o Blues Etílicos, com a sua banda e acompanhando diversos artistas, você também é conhecido como um dos professores de gaita mais importantes da América Latina, além de organizar vários eventos relacionados ao blues. Como você consegue dividir o tempo entre tantas atividades?


FG: Às vezes as coisas se complicam um pouco. Tento me manter o mais ocupado possível. Em 2008, foram duas idas para Argentina e uma para o Chile, onde também tenho alunos. Nesse mês, participo da Oficina de Música de Curitiba, onde meu curso terá carga horária de 20 horas em 5 dias. Em março, produzo o Encontro internacional da Harmônica, maior festival do gênero em toda América Latina. Irá acontecer no Sesc Pompéia, em São Paulo. São inúmeros shows em várias formações, ensaios e projetos diversos. Mas é muito bom estarmos ocupados fazendo aquilo que gostamos e escolhemos.


Solto: Você tem se apresentado com certa freqüência em Natal. Há alguma ligação sua com a cidade, em especial?


FG: A ligação que vem viabilizando de fato essa freqüência é com Gustavo Cocentino, e remonta dos tempos que ele morava no Rio, nos anos 90. Ele montou a melhor banda de blues que eu vi tocar em todo Nordeste e Norte do país. Olha que eu já toquei ou vi tocando praticamente todas as bandas. Num ranking nacional, a Blue Mountain está tranquilamente entre as 6 melhores. Adoro tocar com eles.


Solto: Qual a impressão que o público natalense de blues causou em você?


FG: É um público que conhece boa música em geral, e que não se deixa enganar. Sabem diferenciar quem toca e quem ainda está aprendendo a tocar.


Solto: Você está trabalhando em algum novo projeto, seja com o Blues Etílicos ou na sua carreira-solo?


FG: Quero lançar um CD com o Blues Etílicos e mais um CD solo. A crise na indústria fonográfica está apertando muito, mas os CDs ainda são a forma que temos para deixar algum tipo de obra e divulgarmos nosso trabalho.


Solto: Finalizando, o que o público pode esperar para o show no Clube do Blues?


FG: Um show contagiante, provando que o blues é o pai do rock ‘n’ roll e que é um estilo feito para dançar. Não é música de concerto. Então todos podem e devem se divertir ao máximo.

Veja mais: www.soltonacidade.com.br

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graça grauna
 

graça grauna · Recife, PE 8/1/2009 11:11
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