Receita médica: caipirinha.

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Carla Pereira da Fonte · Rio de Janeiro, RJ
1/4/2014 · 0 · 0
 

Ouvi dizer no face que existe no arquivo da cidade de Paraty a receita da caipirinha sendo indicada como antídoto para cólera... daí eu me pego pensando: “Será que houve tempo na história em que se foi servido de caipirinha nos hospitais públicos da cidade?

Meu primeiro porre tomei com 14 anos de idade, de lá para cá perdi a conta de quantos sofri, presenciei, assisti na mídia ou ouvi falar... tantos que tornou-se banal.

Não se passa um dia no centro de qualquer cidade turística desse país sem ser assediado pela bebida fácil, oferecida junto com o alimento, consumida como inofensiva na frente das crianças: _ Água ou cerveja senhor?... Quanto de bebidas alcoólicas nos são oferecidas pelo mercado de alimentos? Quantos de nós são levados por ela aos hospitais de forma aguda ou crônica?

Se é para proibir a produção em larga escala de uma planta, que seja a da cana-de-açúcar, como forma de controlar a pandemia de alcoolismo, diabetes e hiperatividade. Planta endêmica que é a cana quando se impõe no solo em latifúndios degradantes; ceifadas por trabalho roubado, negociado por capatazes seculares.

(Mas para ser tributada, precisa ser institucionalizada e para se institucionalizar tem que se manter na cultura. A alienação que a imposição tecnológica significa em nossas relações, inter-midiáticas, retira da teia de distribuição de renda/saber/conhecer, legislação/direito/tributo, produção/consumo/dignidade, todos os outros modos de viver a existência no globo terrestre, em seus diversos hemisférios, quando não alinhados a perspectiva ancestral auto referenciada daqueles que se colocam no alto comando de sua esfera de serviço.)

Café, açúcar, sal, álcool, entorpecem... maconha, cocaína, tabaco, ópio, também. Uma cena de sexo é preferível a de violência. Se é para flagrar meu pai e minha mãe que seja se amando com alegria e êxtase...

O que você permite em sua casa? Churrascada todo fim de semana, regada a cerveja gelada a vontade do freguês?

Sento para conversar em mesas de famílias diversas que encontro em meu caminho, acabamos sempre por confessar nossos vícios: coca-cola, novela, doce, cachorro-quente, chocolate, cafezinho... química e psicologicamente dependentes.

A partir do momento que aceitamos a TV de massa como fonte de informação confiável, moral e ética aceitável ao convívio diário, íntimo, livre de censura na sua cama, perdemos a referência e aí a dominação acontece. A ciência explica.

A cantina, a roça, o lar, a escola, a igreja, a rua são locais onde a cultura se constrói em 3D, 3 pilares de informação, 3 forças de interferência relacional: positivo, negativo e neutro; altura, profundidade e massa; tempo, espaço e movimento; macho, fêmea e consciência.

... um brinde a isso!

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