Rennó entrevista Ana Garcia, Coquetel Molotov

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Carlos Gomes · Recife, PE
29/3/2008 · 50 · 1
 

"o coquetel molotov mistura ousadia, sagacidade e charme; não são apenas produtores, são criadores e por isso, artistas!" - Alberto Infante, Diário Austral.

"muito hype em torno destes garotos, são só garotos!" - Barbara Woolfer, Revista de Cinema.

"palmas ao trabalho gráfico das revistas" - Oscar & Pablo, Caderno Cultural.
"Nouvelle Vague no Recife! Há mais o que falar?" - Albert Chevalier, Le monde Decadence.

"eles pecam na escalação, quando não colocam bandas com o suingue brasileiro" - Marcel Ginsber-war, News Days Poems.

"ana garcia é a musa indie do coquetel molotov" - Anônimo, Fã Clube.

"o pré-amp foi estranho... por que não me convidaram para declamar poemas?" - Poeta Anônimo, Clube de Literatura dos Corações Solitários do Sargento Carrero.



Ana Garcia, ou simplesmente Aninha, é uma das integrantes do coletivo Coquetel Molotov, responsável por festivais, programas de rádio, selos de música, revista etc.


Júlio Rennó: No ano passado, fui pela primeira vez ao Festival No ar, Coquetel Molotov. Quando desci do ônibus e comecei a caminhar em direção ao Teatro da UFPE, já de longe, conseguia ouvir o barulho das pessoas conversando. Fiquei surpreso. Queria que você falasse como surgiu a idéia de criar o festival. E que ambiente cultural a cidade do Recife apresentava no momento da idéia marco zero para a criação do festival?

Aninha: O Coquetel Molotov já tinha um programa de rádio e site quando surgiu o festival. A idéia inicial brotou quando eu estava morando em SP. Eu vi os meus pais escrevendo projetos para o MinC e acabei fazendo o mesmo - na época tínhamos colocado o nome do festival como "Som No Ar", no projeto tinha Teenage Fanclub e praticamente todas as bandas nacionais que tocaram na primeira edição.

Ficamos muito animados quando foi aprovado no MinC, não sabíamos ainda da dificuldade de captar através da Lei Rouanet. Mas na mesma época o Francis, do Nice Man / TFC tinha tocado em SP e eu fui conversar com ele depois do show, falei como queria ter o TFC no Brasil. Do lado dele estava Eduardo Ramos (Slag), que tinha convidado ele pra tocar no Brasil, e ele começou a contar que também tinha o sonho de trazer o TFC pro Brasil...


Bem, aí começamos a criar o festival de Recife juntos, rolou o show em Curitiba e três datas em SP. Eu acho que nessa época não tinha alguém levando essa cena "alternativa" para a grande mídia, pelo menos não essa cena específica. Eu peguei um pouco da época do Supersoniques e lembro de como eles vibravam quando raramente saia uma matéria e tudo mais. Fomos logo capa do Viver e depois foi rolando tanta coisa... Ver Profiterolis no jornal, essas coisas...


Não demorou a rolar mais festinhas e eu lembro quando fizemos uma festa com Brincando de Deus, Mellotrons etc, e teve uma mega matéria sobre as bandas de garagem. Superoutro na capa e tudo. Eu acho quea cidade estava pouco motivada. Posso estar errada, também éramos muito novos e não estávamos sempre na noite, estávamos fazendo um festival paranos mesmos e amigos... Era algo realmente pessoal e foi incrível descobrir que era algo que poderia dar certo e que tinham tantas pessoas em casa esperando algo acontecer.

Júlio Rennó: Como é organizado o coletivo Coquetel Molotov? Fale-me sobre você e seus companheiros.

Aninha: O CM é Tathi, Jarmeson e eu, mas dependemos de muitas outraspessoas... Cada projeto tem várias colaborações, desde os meninos da Mooz, para fazer o material do festival e a revista, Estela que assumiu a revista recentemente, ou Josias, o nosso querido estagiário, ou Tiago, que nos ajuda muito em SP, ou Aline e Alexandra que nos ajudam durante o festival, ou os colaboradores da revista, que são tantos, e as bandas que tocam normalmente por amor à arte...


Eu sempre falo, é quase um grupo enorme batalhando pela mesma coisa - arte. Sabe? Todos com tesão de fazer por fazer, porque gostam, e quando rola grana, público, respeito, não tem sentimento que bata isso.

O que eu posso falar de Tathi? Ela é super dedicada, ama o que faz e odeia atrasos. Ela normalmente é a parte doce do CM, mas quando fica chateada saia de perto. E ela sempre faz o que diz que vai fazer. Ela é a minha melhor amiga. Jarmeson é o lado social do CM. Sério, ele está em todas as festas,conhece todos e sempre tem dicas maravilhosas para o festival, revista etc. Ele saca muito de música e escreve muito bem. Eu acho ótimo porque cada um sabe qual é o seu forte e realmente se dedica a fazer o que faz melhor.

Júlio Rennó: Você participou da turnê de José Gonzalez no ano passado. Como foi a tour, e como você conheceu a música de José Gonzalez? Há outra turnê programada com ele ou com outra banda? Com quem você gostaria de trabalhar?

Aninha: Eu não lembro como conheci José exatamente, mas já fizemos duas turnês com ele. Eu sei que sempre gostamos da sua música... ah, eu acho que conheci pelo comercial da Sony, eu já amava The Knife.

Bem, com a Invasão Sueca conseguimos convencer o nosso parceiro para ter o José para a Invasão seguinte e funcionou. Ele é um amor e adora uma farra! A segunda turnê foi ótima também. Não temos idéia de quando será a próxima turnê com ele, mas falamos sobre a próxima ter a sua namorada, que tem uma banda maravilhosa chamada Little Dragon.

Em abril, vamos fazer uma turnê com a francesa Lisa Li-Lund, com apoio do Consulado Geral da França e Prefeitura. Ela passa por Recife, POA, Rio e SP.Já estamos fechando os artistas para setembro e aí teremos váaaaarias turnês. Vamos fazer uma mega Invasão Sueca - estamos bem animadas com isso. Será em Recife, durante o No Ar 2008, e SP - Peter Bjorn and John já está confirmado. Podem começar a assoviar!

Júlio Rennó: Voltando ao festival, me arrisco a dizer que o No ar, coquetel molotov, é o melhor festival da cidade, no mínimo. Você teria alguma crítica a fazer aos outros festivais? O pré-amp, por exemplo, recebeu um bombardeio de críticas neste ano.

Aninha: Obrigada. Não tenho... Eu só acho que os festivais deveriam procurar inovar, com os artistas, formato etc. Nem sempre a quantidade de público deveria depender da atração. Eu queria ver os festivais arriscando mais. Senão, viram apenas shows. Não é?

Júlio Rennó: O que a tríade festival-revista-selo estará apresentando nestes próximos meses?

Aninha: A turnê de Lisa virá acompanhada com o lançamento da Revista # 4 com Catarina Dee Jah na capa. Tem também uns debates através do projeto Cultura e Pensamento. Eu acho que a revista está se modificando aos poucos, amadurecendo. Já estamos trabalhando na # 5 - quem quiser colaborar, pode!

Em junho iremos realizar dois shows bem legais, depois eu conto mais detalhes. Hummm... não sei o que iremos fazer antes disso. Quem sabe uma parceria legal com uma casa noturna de Recife.


Um barulho estranho de música, um show subestimado e uma capa de disco por Ana Garcia.

Hummm... vou pensar e depois respondo.

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Carlos Gomes
 

publicado originalmente no blog marco zero paralelo.

Carlos Gomes · Recife, PE 27/3/2008 17:12
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