“eis a nova música!” – Alberto Infante, Diário Austral.
“as concessões das rádios estão nas mãos de um bando. eu me sinto muito incomodada.” – Barbara Woolfer, Revista de Cinema.
“as letras do Júlia Says são simples e precisas, como a boa poesia” – Clarice Flor, Suplemento Palavra.
“não espero a hora de vê-los novamente nos palcos.” – Anônimo, Fã Clube.
“depois da voz pequena de João Gilberto e da voz estranha de Bob Dylan, qualquer um se mete a cantar!” – Poeta Anônimo, Clube de Literatura dos Corações Solitários do Sargento Carrero.
Mais uma entrevista neste Marco Zero Paralelo, antes um recado aos visitantes: Barbara Woolfer tem um bom advogado, não se preocupem.
A banda Júlia Says é formada por Anthony Diego (bateria, percussão e programações eletrônicas) e Pauliño (vocal, violão, guitarras e sintetizadores virtuais), despontaram entre a imprensa Pernambucana como uma promessa para o ano de 2008, depois de um bom show no Festival Rec-Beat, começam a colher os frutos, e acabam de lançar um EP. Eis a entrevista:
Júlio Rennó: Gostaria de começar pelos últimos acontecimentos... O quanto foi importante a apresentação que vocês fizeram no festival Rec-beat, durante o carnaval de Recife?
Anthony Diego: Putz! Foi foda! Muito bom. Ficamos muito felizes em participar desse festival que é um dos grandes do Brasil. Importante para nós, para divulgação do trabalho, para reconhecimento do público pernambucano, e até mesmo brasileiro. O Rec-Beat proporciona muita coisa para bandas que estão começando.
Pauliño: Essa entrevista só deve estar rolando porque tocamos no Rec-Beat. Outros motivos: tinha a imprensa daqui, do sul e até um gringo cobrindo o festival, tocamos pra um grande público, conhecemos artistas e produtores. Foi uma grande realização pessoal nossa também, queríamos muito tocar nesse festival.
JR: Li que as bandas de Recife estão mal acostumadas, por terem em sua cidade eventos como o Abril pro Rock, o já citado, Rec-Beat e os shows promovidos pela prefeitura durante o carnaval. Se a banda não conseguir ser escalada em algum destes eventos é melhor a banda desistir. O que vocês pensam disto?
Anthony Diego: De jeito nenhum... Esses festivais são ótimos, sem palavras você participar de qualquer um deles... Mas existe muita coisa, muito lugar onde bandas podem ser reconhecidas. Lugares que levam um público fiel, que se curtirem a banda vão sempre estar ali. A banda tem que acreditar no seu som, se não entrar em um desses festivais, não podem simplesmente desistir. Procurem uma casa de shows (seja ela grande ou não), montem um bom projeto e façam valer o seu talento.
Pauliño: Tem bandas que de fato estão viciadas nisso, mas há outras que priorizam esses eventos, pois é a única forma viável de tocar. Júlia Says não pertence a nenhum desses dois grupos, nosso formato de banda nos permite tanto tocar em locais pequenos e pagos como no Burburinho e em festivais grandes e gratuitos como o Rec-Beat. Agora esses viciados deviam desistir mesmo, o último Pré-Amp mesmo foi um ótimo exemplo de uma programação repleta de múmias e sanguessugas, que em nada acrescentam a atual cena musical pernambucana.
JR: Vocês ficaram surpresos pela grande atenção em torno do surgimento da Julia Says?
Anthony Diego: Muito! Chegamos há ficar um pouco assustados com tanto falatório em volta de julinha... Muito pouco tempo de banda, e coisas acontecendo muito rápido, mas está sendo ótimo, claro! Trabalhamos pra isso, estamos trabalhando ainda mais, para cada vez melhorar o nosso som. Estamos com os pés no chão, e isso é muito importante... Não ficar deslumbrado com “sucessinho”. Brincamos muito com essa palavra “sucesso”, estamos sempre tirando uma onda um com o outro, ou com os amigos! (risos)
Pauliño: Surpresos e felizes, é muito bom quando se consegue fazer ouvir. Muito mais porque não fomos criados no meio, não somos filhos de ninguém do meio e fizemos tudo nos nossos quartos com equipamento básico, não tivemos que ir ao Fábrica ou ao Mr. Mouse. Espero que essa atenção aumente também fora do estado nos próximos meses, tamos trabalhando pra isso.
JR: Como foram os primeiros ensaios e o surgimento das primeiras canções da banda? Houve dúvida em relação ao formato da banda?
Anthony Diego: Os primeiros ensaios vieram depois das músicas estarem prontas. Antes de ensaiarmos a 1ª vez, confesso que pensei que iria ser muito difícil... Mas foi muito bom. Ensaiamos na minha casa, com um equipamento razoável (pois precisamos de um bom som, para soltar as programações), mas rolou a “magia”. Ficamos ensaiando em casa mesmo, mas vamos pra estúdio sempre quando está perto de um show, ou para ver como a música ficará ao vivo (o estúdio proporciona uma melhor visão do show).
Pauliño: Bem, é como Diego disse, mas inicialmente pensamos num trio, só que não rolou, engraçado é que agora sempre vem baixista perguntar porque não temos baixo na banda (risos). Temos esse “q” de dupla mesmo, não consigo imaginar Júlia como um trio, ou quarteto, a idéia em relação ao formato é que “menos é mais”. Em relação ao surgimento das canções, um ponto importante é que pudemos experimentar muito nas gravações / composições.
JR: Vocês acabaram de lançar um EP, receberam elogios por apresentações em festivais, mas a sua música não tocará no rádio. Como vocês se sentem?
Anthony Diego: É verdade, estamos lançando o nosso 1° EP pelo selo Bazuka Discos, do coletivo Coquetel Molotov, e aproveitando o ensejo, estaremos lançando o mesmo, dia 29 de março na livraria Saraiva Mega Store do Shopping Recife.
Em relação a tocar em rádio... Não nos importamos muito com essa questão, estamos querendo é fazer shows, e só isso que importa. Queremos viajar por aí. Se vão tocar, ou não, nossa música na rádio, isso realmente não nos incomoda.
Pauliño: Queremos que nossa música toque no seu player mp3, ou no seu ipod, nos podcasts, no winamp, no windows media player, no myspace, no tramavirtual, no som do seu carro. Não tenho muita certeza se nosso público faz parte de uma geração que ouve rádio, desconfio que eles estejam muito mais interessados em criarem suas próprias programações, uma música que ilustra bem isso é “Reforma Agrária do Ar” do Wado (que também não vai tocar na rádio).
Um poeta, uma personagem de filme e uma canção triste por Júlia Says:
Carol Aikawa
Ranulpho de "Cinema, Aspirinas e Urubus" (Interpretado pelo ator João Miguel)
"É de fazer chorar" na versão da Eddie
postado inicialmente no blog Marco Zero Paralelo.
Carlos Gomes · Recife, PE 28/2/2008 12:45Para comentar é preciso estar logado no site. Faa primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
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