Sem o Glauco, o mundo fica mais chato

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Jefferson Alves de Lima · São Paulo, SP
12/3/2010 · 2 · 1
 

"Só acredito em poeta experimental que tem vida experimentalâ€
( R. Piva )




Sem o Glauco, o mundo fica mais chato. Um cara que coloca no nosso dia o Geraldão, a Dona Marta, o Nojinsk, o Casal Neuras e o Zé do Apocalipse não vai, assim, sem deixar que a gente perceba um tanto de imaginação que perdemos.


O mundo - a cada dia empurrado a virar uma ideia sem graça e que segue, graças a Deus, varrido pela maluquice de nossas precariedades, nossas manias e a nossa incapacidade em deixar de sermos humanos – perde.


Taí o seu Edmar Bregman, um cineasta brasileiro que sonha filmes incríveis e acorda curta-metragens falidos por falta de grana. Ou o Geraldão peladão, morando com a mãe aos 30 anos e vivendo de trocos de padaria e seu amor com a boneca inflável Sonia Braga. Onde está este mundo infalível, em que cumprimos programas, equilibramos respostas e lhes damos o nome de cotidiano?

Mas um cara grande como Glauco não vai assim, e pronto. Geraldão, Dona Marta, Nojinsk, Casal Neuras, Edmar Bregman e o Zé do Apocalipse ficam. E esses daí, (o Geraldão deve estar esperando como doido a hora da Copa do Mundo começar), tão por aí.

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Cintia Thome
 

Coisa mais estúpida a morte de Glauco e seu filho. Uma família se desintegra pelo não cuidado com familiares, com o centro de nossas vidas: Família. Hoje as pessoas querem liberdade, pois o mundo chama a gente pra isso, essa ilusão e não sabemos como agir, principalmente jovens que já vem de casas desestruturadas, a ausência da Mãe, esteio da casa, o berço... Cada um por si. Será que é tão bom assim? Aí vêm diversas maneiras de complementar, apoio, religiões, drogas... As pessoas querem ser aceitas, mas não são e aí enlouquecem a base de drogas. Desespero, a solidão, o vazio leva a isso, a destruição de outros semelhantes, nada culpados com a situação do solitário...
E a Lei? A lei não é severa, tem nuances e aí não dá exemplo de Justiça. Se desse um exemplo mais rigoroso, não teríamos gente tirando a vida por aí.
Bom, ficamos, prematuramente, sem Glauco, exímio desenhista, a alegria de seus personagens tão brasileiros e do nosso cotidiano, das relações 'doidinhas' que temos hoje, tantos por aí... e o pior uma Mãe sem seu filho, sem a alegria no lar, filhos são a alavanca pra você continuar a acreditar que um mundo melhor vai existir...

No fundo Glauco não morreu de uma saraivada de balas, mas sim pela vida louca... Vida?

Como eu digo, 'perde-e qualquer coisa, chamada Amor'.

Cintia Thome · São Paulo, SP 14/3/2010 10:23
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