SÍTIO DO PICAPAU AMARELO - TRILHA SONORA ORIGINAL

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PENHA DE CASTRO · São Luís, MA
9/10/2013 · 0 · 0
 

SÍTIO DO PICAPAU AMARELO - TRILHA SONORA ORIGINAL, 1977(SOM LIVRE).

Desde que estreou em 1977, o "Sítio do Picapau Amarelo", baseado na obra de Monteiro Lobato, se tornou um dos marcos da teledramaturgia brasileira, além das estórias carregadas de nacionalismo, incentivo a leitura e ao aprimoramento cultural, trazia consigo o gosto da infância. Seu sucesso grandioso se deu também em razão da espetacularmente bem sucedida trilha sonora, o álbum de 1977 reuniu grandes nomes da musica popular brasileira, tanto nas composições como na interpretação das canções. Presenças marcantes como a de Gilberto Gil, que compôs e interpretou a canção tema do programa, como de composições de Chico Buarque de Holanda, Caetano Veloso, Dorival Caymmi, Geraldo Azevedo, Ivan Lins e com interpretações de MPB4, Lucinha Lins, Jards Macalé, João Bosco,Doces Bárbaros etc.
Arranjos bem elaborados transmitem com maestria o ambiente mágico e arcádico do Sítio da Dona Benta, no sentido de traduzir a vida no campo como legitima expressão da verdadeira felicidade, em alguns casos chegam a ser psicodélicos, como por exemplo na canção “Peixe” de Caetano Veloso, interpretada de forma alucinada pelos Doces Bárbaros.
Inspirado no livro “Reinações de Narizinho”, Ivan Lins compôs a canção “Narizinho,” na qual Lucinha Lins canta as aventuras da neta de Dona Benta no “Reino das Águas Claras”, o timbre suave da interprete empresta um tom romântico à personagem de Monteiro Lobato.
Em “Arraial dos Tucanos”, através da voz altiva de Ronaldo Malta, Geraldo Azevedo e Carlos Fernando contornaram os censores do governo militar e embutiram na programação da Rede Globo, que era colaboradora do regime, uma canção de protesto com foco na questão agrária: “Até quando um homem que da terra vive e que da vida arranca o pão diário vai ter tua paz, aparente e pálida paz, aparentemente paz..”
Marlui Miranda e Jards Macalé entoam ao som dos tambores africanos e de um belíssimo arranjo de cordas, toda a sabedoria dos pretos velhos, enquanto pedem ajuda aos orixás e revelam os segredos do “Fundo Grande” em “Tio Barnabé.”
O Grupo Aquarius canta, através dos versos de Dory Caymmi e Paulo César Pinheiro as aventuras e fantasias do neto de Dona Benta, em “Pedrinho”, que “era o que queria ser por que era um sonhador...”
João Bosco e Aldir Blanc, em ritmo de samba, embalaram as peripécias do sábio subugo de milho em “ Visconde de Sabugosa”, enquanto as artimanhas da boneca Emília são ambientas pela alegre canção carregada de lirismo de Sergio Ricardo: “Mais do que ser passarinho, anjo, boneca, gente, assombração/É ser que nem é Emília, campina, campo, espaço e amplidão/Mais do que ser sabida e ter segredos que fazer magia/ É ser que nem é Emília fonte, chama, sopro, ventania, por mais que o sol se esconde/ Cruzes se cravem no raiar do dia..”
As canções “Dona Benta” e “Tia Anastácia”, respectivamente de Ivan Lins em parceria com Vitor Martins e,Dorival Caymmi, são calorosos acalantos que reportam a afetividade dos avós e ainda, em tom de canção de ninar, revelam, no caso da ultima, os resquícios da escravatura muito presentes na obra de Monteiro Lobato.
Com gosto de infância são belas canções a se recordar, reviver com confessa nostalgia as férias no interior, as brincadeiras de rua, o desejo secreto de também ser um neto de Dona Benta e curtir as mais fantásticas aventuras em um sítio que poderia ser igual a qualquer outro se não fosse a porta de entrada para um mundo de fantasias...

Texto:Penha de Castro.

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