Só homens de ferro

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Adriane · Curitiba, PR
15/5/2006 · 47 · 0
 

Para gerenciar bandas, estúdio e selo, dupla mostra que é realmente dinâmica e justifica o nome ao estilo dos super-heróis

Foi para gerir legalmente a vida de sua banda punk Beijo AA Força que o curitibano Luiz Ferreira e o paulista Rodrigo Barros criaram a Homem de Ferro, em 1986, emprestando o nome de uma suas melhores músicas. Sob esta marca construíram uma história de sucesso também quando o assunto é produção. E mais recentemente a dupla se revelou uma boa preservadora da memória cultural paranaense - seja resgatando histórias passadas como registrando as que estão sendo contadas agora.

Informalmente chamada Central Homem de Ferro, a empresa hoje abriga na verdade vários projetos. As bandas dos dois, Beijo e Maxixe Machine, o estúdio Chefatura, o selo Sem Suingue, e o projeto A Garagem que Grava (GGG). Eles se mexem para todos os lados acostumados que estão a se produzir e divulgar - têm até um programa de rádio e fazem trilha para teatro e cinema.

Parte de suas mais recentes conquistas teve apoio do município de Curitiba através do projeto Residências do Rebouças, que selecionou propostas culturais para serem desenvolvidas no bairro Rebouças, numa tentativa de transformá-lo numa região para artes, cultura e lazer. Porém, eles nunca sobreviveram exclusivamente do apoio público que, aliás, está em fase de avaliação pela atual administração, que decidirá sobre sua continuidade. O que se sabe é que a Central não vai ser excluída se o projeto for adiante. A Grande Garagem resultou até agora no lançamento de duas caixas com 16 CDs de bandas curitibanas gravadas ao vivo na garagem da sede da Central.

Entretanto, a GGG é só um dos projetos da Central, que já ofereceu como contrapartida ao apoio público, atividades com estudantes da rede pública de ensino, que tiveram a chance de ver de perto como é feita uma gravação de áudio, participando de algumas experiências. Outro projeto é o Poetas em Movimento, que gravou 32 poetas contemporâneos lendo e comentando suas criações, não desprezando os autores pop e suas bandas de rock, numa visão bem contemporânea do que seja poesia. Os CDs serão distribuídos apenas para bibliotecas e incluem gravações com Mário Bortolotto, Thadeu Wojciechowski, Tavinho Paes e Chacal.

A Central também está participando, aí como empresa contratada cujos donos estão curtindo à beça o trabalho, da digitalização do acervo do jornalista paranaense Aramis Millarch, que fez história nos 60 e 70 escrevendo e gravando tudo que os amigos, do calibre de Vinicius de Moraes (para ficar no mais famoso), cantavam e tocavam em sua casa, onde sempre faziam uma parada ao passar por Curitiba. A dupla também andou metendo o bedelho no filme Punks na cidade, sobre o movimento do qual fizeram parte em Curitiba, assinando a trilha sonora e co-produção. Encerrando o ano passado, ainda participaram com a Beijo AA Força do projeto Ultralyrics, do diretor teatral Felipe Hirsch, que produziu um livro com o poemas do poeta paranaense Marcos Prado. A Beijo entrou com as músicas que fizeram com Prado, um de seus principais parceiros, morto em 1996, aos 36 anos. Esses dois puderam começar 2006 com a consciência tranqüila de terem feito sua parte.

Desde os anos 80

A Beijo AA Força (BAAF) nasceu em 1983, após alguns ensaios para logo estrear no Primeiro Festival Punk de Curitiba, produzido pela banda. Desde o começo, eles misturaram referências do punk e hardcore ao samba e foi isso que os tornou conhecidos. Entre idas e vindas, Rodrigo Barros (guitarra e voz), Ferreira (guitarra e voz), Renato Quege (baixo e voz) e Mola Jones (bateria) fizeram mais de uma centena de shows e tiveram formações diferentes, com até 8 músicos no palco. No currículo da primeira fase estão uma K7 (O que quer o Brasil que me persegue, 1987), 05 coletâneas (Cemitério de elefantes; Tinitus1 e 2, Ciclo Jam e Fogo, lançadas entre 1988 e 2003), um LP (Musica ligeira nos Países Baixos, 1992) e um CD (Sem suíngue, 1996). Mais recentemente, vieram com Companhia de Energia Elétrica Beijo AA Força - 20 anos, para celebrar as duas décadas de atividades, com 16 versões do autêntico punk curitibano, com suas letras ásperas e cínicas. E ano passado reuniram em um disco as principais parcerias com o poeta curitibano Marcos Prado.

Em 1995 nasceu o Maxixe Machine, banda que ganhou vida também para que o Beijo pudesse exercitar seu lado punk com mais tranqüilidade. Na formação, Rodrigo Barros (violão /voz), Luiz Ferreira (cavaquinho/voz), Walmor Góes (violão/voz), Therciano Albuquerque (teclado/voz), Cláudio Kobachuk (bateria e percussão). No repertório, sambas antigos mesclados com sambas novos, composições próprias. O CD de estréia foi trilha do filme Barbabel. Em 2001 veio o ao vivo Folias de Momo, com 17 marchinhas de carnaval, com canções de Braguinha, Lamartine Babo, Assis Valente, Chiquinha Gonzaga e outros grandes compositores do gênero. Em 2004 foi a vez de Maxixe Machine e Seus Ritmos Elegantes, que marcou nova fase da formação apresentando canções inéditas, com lindas baladas, boleros, valsas, polkilhas étnicas e, claro, o samba.

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