Sobre a Boçalidade dos Recifenses...

Wander Amorim-http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Bairro_de_Boa_Viagem.jpg
Bairro de Boa Viagem, Recife
1
bebeto_maya · Olinda, PE
25/7/2009 · 0 · 0
 

Recife é uma cidade formada por uma sociedade de boçais. Isto é indiscutível. Está no âmago bairrista destas criaturas nascidas na “Veneza Brasileira” considerarem-se superiores e especiais. Um paradoxo que remete a própria formação de sua sociedade litorânea cosmopolita, porém ao mesmo tempo açucareira, escravocrata e conservadora (na pior acepção do termo).

Analisando a formação de sua estrutura social, encontramos descendentes brancos diretos de portugueses, holandeses, as classes mais abastadas, convivendo desarmoniosamente com negros, pardos, descendentes de índios etc. Componentes das classes sociais mais miseráveis e excluídas.

Entretanto, a cultura segregacionista não está presente apenas em um sutil racismo existente em sua estrutura social, mas pelo fato de que, isolada pela BR232, Recife (e sua região metropolitana), mostra-se como um órgão autônomo, independente de todo o estado Pernambucano, tanto histórica como antropologicamente, o que atrai imigrantes de cidades circunvizinhas mais desavisados, na esperança de obter uma vida melhor.

A formação da sociedade pernambucana, sua empáfia, insolência e arrogância, oriunda lá na Casa Grande, quando senhores de engenho, representantes da sociedade açucareira e escravagista, entraram em conflito com comerciantes progressistas portugueses, era a Guerra dos Mascates. Antes disso, a Insurreição Pernambucana, que significou a expulsão do último suspiro de progresso humano naquela sociedade, os holandeses, debalde o egoísmo das classes dinheiralistas de Recife e Olinda (duas cidades idênticas em formação), destroçou as aspirações progressistas da cidade até então conhecida como Mauritsstad.

Estes conflitos de interesse, atrelados ao catolicismo visceral e deturpado importado das culturas européias, desembocaram na Belle Époque no século XX, onde, estabilizados na sua forma provinciana e mesquinha, detentores das chaves celestiais, os recifenses se afrancesaram, aliando um glamour esfacelado e brega das terras napoleônicas, ao egocentrismo e afetação de superioridade de quem vive numa cidade portuária repleta de magníficas construções provenientes da arquitetura holandesa, mas não passa de um peão aspirando a majestade.

Ao mesmo tempo o conservadorismo, a manutenção da cultura patriarcal bitolada e burra, impregnava todos os eixos da sociedade pernambucana, transformando Recife e região numa cidade atípica, repleta de gente besta e arrogante, num covil de víboras interesseiras gananciosas e insensíveis aos sofrimentos dos mais pobres, razão pela qual esta cidade é das mais sujas e miseráveis do Brasil.

Mas o que mudou em pleno século XXI? Nada. Estruturalmente, Recife continua mantendo a sua função de bucha, absorvendo elementos culturais estrangeiros e sulistas, e pervertendo-os na sua própria concepção de “chique” e “importante”. É o rock do sul, o mangue beat (pegando o rock Americano e Inglês), a novela das oito (cuja influência é mais forte aqui do que em qualquer outro lugar), o brega para os mais miseráveis e os velhos caboclos ponta-de-lança, versões urbanizadas da antiga e belíssima manifestação vinda do interior com seu Maracatu Rural. Manifestações visitadas e revisitadas por uma juventude mentalmente estreita que jura não ser igual aos seus pais, porque usa piercing e dreadlooks (necessidade vazia de auto-afirmação), mas é igualmente indiferente para com o atípico, o "feio", o não esteriótipado.

Socialmente, não se misturam (preconceito de classe), e são hedonistas e interesseiros por natureza, o que se evidencia no aparente desprezo das classes letradas pela cultura de massa, como se o rock e o maracatu atômico que ouvem fossem melhores, culturalmente falando, (na verdade trata-se da mesmíssima música ruim que os pobres ouvem, vazia, sem harmonia, tampouco melodia, porém, bem embalada). As moças procuram os melhores partidos, o que nos seus elevados conceitos modernos, são sujeitos gentis como britadeiras, motorizados e ricos ou “bombadinhos”, como diz a gíria, e os rapazes, o sexo fácil, que só o poder de sedução automobilística e financeira podem prover.

A auto-exclusão, e a infligida, é visível nas festas típicas, nas boates e nos eventos públicos: pessoas aparentemente antenadas com as últimas tendências, mantém uma estreiteza mental pedante e reducionista, ao ponto de não se misturarem com o que consideram impróprio, fraco e ralé, deflagrando grupinhos isolados de bem-apessoados, bonitos e importantes, e outros de excluídos pela má-sorte. Mas a diplomacia típica do recifense, é conhecida por esconder seus próprios preconceitos com bem aplicados sofismas, como “bons dias” e “boas noites”, que na verdade não significam outra coisa, senão o “dá o fora”. Isto geralmente é o que engana o turista, aquele nômade que vem passar apenas duas semanas por aqui, tempo insuficiente para conhecer a degradante sociedade em que vivemos.

Coincidentemente, achei munição para achincalhar esta cidade em que infelizmente habito. Em seu artigo, “O provincianismo dos “cosmopolitas”, o jornalista Luiz Zanin termina seu texto com uma constatação que é síntese de tudo que escrevi:

“[..]estreiteza mental e colonizada que se escondem atrás desse falso cosmopolitismo”.

Por estes motivos, entre outros, é que somos campeões de violência contra a mulher,( pois as mulheres recifenses idealizam, deturpadamente, nos homens uma virilidade que nada mais é do que agressão, que se volta contra elas mesmas a curto prazo, sendo portanto, parcialmente culpadas pelas más escolhas), campeões de homicídios, exclusão social, desemprego, desrespeito ao meio-ambiente e tantas e inumeráveis outras mazelas. Todavia, esta é a sociedade que fabricamos ao longo dos séculos. Mesmo as mentes mais elevadas, ou as que consideram a si próprias assim, estão infectadas, inconscientemente, com o micróbio da prepotência. Esta é uma sociedade de homicidas, vaidosos, arrogantes, insolentes, mesquinhos, prepotentes, estúpidos (e estúpidas, para ser politicamente correto, coisa que detesto ), covardes, violentos, desleais e, principalmente, de boçais.

compartilhe

comentários feed

+ comentar

Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.

filtro por estado

busca por tag

revista overmundo

Você conhece a Revista Overmundo? Baixe já no seu iPad ou em formato PDF -- é grátis!

+conheça agora

overmixter

feed

No Overmixter você encontra samples, vocais e remixes em licenças livres. Confira os mais votados, ou envie seu próprio remix!

+conheça o overmixter

 

Creative Commons

alguns direitos reservados