Richard Stallman, fundador do Movimento do Software Livre, idealizador do sistema operacional GNU/Linux, esteve na praça Benedito Calixto, hoje, para conferência pública sobre a utilização das tecnologias livres e suas implicações na informática e suas utilizações derivadas. O encontro foi parte da programação do Preliminares 2013.
Vindo de uma construção bastante sistemática na idealização do software livre como um sistema aberto e gratuito, Stallman fez observações bastante rÃgidas sobre as ferramentas utilizadas pelas mÃdias alternativas na contemporaneidade, ressaltando que a natureza de muitas redes sociais, como o Facebook e o Youtube, são consideradas "malévolas" por ele (e, consequentemente, pelos princÃpios básicos do Movimento do Software Livre), por apresentarem restrições básicas de configuração e utilização, incluindo também uma estrutura construÃda com drivers e plugins proprietários, que interferem diretamente na experiência do usuário com total liberdade, supostamente tornando-os muito mais "ferramentas de vigilância" do que propriamente direitos. Utilizá-las, seria o mesmo que optar por fazer uma entrega de seus dados pessoais a uma empresa, que possui fins muito distintos da comunicação livre. Dentro deste parâmetro, ele observa que esta vigilância deve ser combatida, para proteger os dados do usuário. Ele cita a Wikipedia como um exemplo de ferramenta livre destas implicações.
Ao citar os princÃpios básicos da comunidade do Software Livre, ressaltou que os programas podem ser utilizados por qualquer um e para qualquer finalidade (princÃpio que visa uma possibilidade, e não um dever); além disso, o código-fonte aberto facilita que o usuário possa aprimorar sua experiência, realizando modificações se necessário, alterando a estrutura e funcionalidade do próprio sistema caso ele considere interessante. Dentro destas considerações, o usuário pode até mesmo distribuir livremente versões modificadas do sistema ou programa.
Stallman também fez crÃticas ao Ubuntu, atualmente uma das distribuições mais disseminadas do sistema Linux. Segundo suas palavras, "O Ubuntu não é um sistema operacional livre. Esta distribuição visa muito mais a comodidade do usuário do que propriamente a liberdade". Citou também caracterÃsticas de vigilância do sistema, e sua recente conexão com a Amazon, questão que teria acrescentado à sua busca genérica um foco comercial e publicitário, caracterÃstica que torna o sistema mais próximo à funções de sistemas proprietários não-livres.
"Por muitas vezes, a liberdade exige um certo nÃvel de sacrifÃcio. Caso o usuário não esteja disposto à abrir mão de certas comodidades propostas pelos sistemas proprietários, ele não se torna merecedor desta liberdade"
No fim de sua fala, Stallman observou a necessidade das escolas utilizarem somente software livre para a educação, principalmente por incorporar princÃpios fundados basicamente na valorização do conhecimento, dentro das possibilidades que a informática propõe. Enquanto o software livre propõe possibilidade e oportunidade, o software proprietário oferece apenas limitação.
Quanto ao posicionamento de Stallman acerca dos adendos não-livres que se anexam ao Ubuntu e outras distribuições Linux não aprovadas pela GNU, poderÃamos dizer que é uma questão de princÃpios de seu idealizador. Afinal, a possibilidade de utilizarmos determinados plugins e drivers não-livres em, por exemplo, programas de edição de áudio, vÃdeo e imagens, tem muito a ver com funcionalidade; possibilita, além de tudo, a montagem e produção em ferramentas livres, porém, com extras que a GNU jamais aprovaria. Além disso, tem a questão da ocupação das redes sociais por questões mais sociais, que é muito importante também. Ou seja, o que terÃamos aqui, seria um conflito entre a idealização de uma ferramenta livre em sua essência, e o inevitável diálogo ou não-diálogo com a sociedade na contemporaneidade.
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