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Teatro de rua: espaço garantido e obrigatório
Juliana Rocha · Belo Horizonte (MG) · 16/5/2006 23:44 · 58 votos · nenhum comentários ·  
 
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overponto
Juliana Semedo

O teatro de rua passa por um momento de baixa produção. Conhecendo essa realidade, a 8ª edição do Festival Internacional de Teatro, ou FIT/BH, Palco e Rua, chega a Belo Horizonte para refletir sobre os editais de co-produção a fim de incentivar o teatro de rua em diversos âmbitos. Detectando a dificuldade dessas produções serem encontradas na cidade, a organização do evento recupera o projeto “Micropeças e Intervenções Cênicas” e promove um espaço para produção, formação e reflexão sobre o universo “teatro de rua”.

O evento que dá continuidade ao projeto FIT/BH Rua, iniciado em 2002 foi criado com o objetivo de discutir e estimular a produção de espetáculos para a rua, que, segundo o curador de espetáculos, Rodrigo Robleño, é negligenciada pelas iniciativas públicas e privadas. Para ele, essas políticas não possuem o devido interesse com o fazer teatral nessas condições. “Um patrocinador prefere um espetáculo em um espaço fechado, com venda e distribuição de ingressos”, reclama ele. Mesmo que as regras de mercado não o vejam com bons olhos, o teatro de rua merece respeito e deve ter o seu espaço garantido em um festival como o FIT/BH que se propõe a ser democrático.

Diferentemente das edições anteriores, o projeto “Micropeças e Intervenções Cênicas” deste ano foi dividido em duas etapas como forma de aperfeiçoar o processo. Na primeira etapa ocorrida no durante os meses de março e abril foi realizada uma pré-seleção para a escolha de seis peças dentre 27 inscritas. A organização do evento ofereceu ainda suporte para a produção dos trabalhos. Na primeira semana do mês de maio, entre os dias 4 e 7 de maio foi realizada uma segunda etapa, na qual as seis peças selecionadas se apresentaram para o público e para a comissão julgadora. O público pôde assistir às montagens para conferir sua qualidade, se respeitavam o tempo de duração exigido e se funcionavam junto a ele.

Durante essa etapa foi montado também o Ateliê de Produções onde os integrantes das micropeças e intervenções participaram de diversas oficinas com uma carga horária de oito horas de duração. Sob a coordenação do ator Tião Vieira, o Ateliê ofereceu suporte técnico e apoio na execução de cenários, figurinos, adereços, estilismo, maquiagem, corte e costura. Cada projeto recebeu ajuda de custo para a produção, no valor de mil reais.

Para o diretor geral do FIT/BH 2006, Carlos Rocha, o projeto dividido em dois processos seleciona melhor as peças a se apresentarem no grande evento no final no mês de julho. “Durante o festival, o público verá micropeças e intervenções à altura do restante da programação”, justifica ele.

Caminhando em uma direção cada vez maior de diálogo com o público e o artista local, o FIT/BH 2006 aposta nas intervenções cênicas para invadir o cotidiano dos moradores de Belo Horizonte. Essas intervenções não têm data marcada para acontecer, acontecerão de repente, sem qualquer aviso prévio. Rodrigo justifica que essa proposta é interessante, pois possibilita “mostrar as diferentes formas que o teatro tem de se relacionar com o público”.

A programação de rua do evento é bastante extensa e não resume apenas as micropeças e intervenções cênicas. Entre os dias 27 de julho e 6 de agosto acontecerão também espetáculos internacionais, com linguagem diversificada e produções com características bem diferentes. Segundo Rodrigo, isso estimulará o público. O “Ponto de Encontro” voltado para o Parque Municipal terá uma programação específica permitindo o contato com diferentes linguagens cênicas; música, teatro e dança.

tags: Belo Horizonte MG artes-cenicas musica diversao intervencao micropeca belo-horizonte festival-internacional-de-teatro fit teatro-de-rua



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