Um dormitório um tanto movimentado

Mauro Bias
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Luana Fernandes · Rio de Janeiro, RJ
6/7/2009 · 0 · 0
 

A Baixada Fluminense, área que envolve a cidade do Rio de Janeiro, teve uma grande importância histórica para o desenvolvimento da região metropolitana do estado. No início do século XX, a Baixada era um conjunto de fazendas, onde se destacava a área de Maxambomba, grande produtora de laranja, um produto que sempre foi importante para a agricultura brasileira. Com o passar dos anos, veio a decadência da agricultura na Baixada Fluminense (ou antigo Recôncavo da Guanabara) e os empregos escassearam na região, o que obrigou os moradores a irem procurar oportunidades na capital federal, a Cidade Maravilhosa.

Esta situação rendeu aos municípios da Baixada Fluminense a alcunha de “cidades-dormitórioâ€, pois as pessoas passavam o dia trabalhando e só regressavam aos seus municípios de origem durante a noite, para dormir.

Nos últimos anos, porém, essa tendência vem se revertendo. Nova Iguaçu e Duque de Caxias se mostraram polos de industrialização e crescimento comercial, o que atraiu os empregos de volta para a Baixada e reduziu o esvaziamento das cidades. Atualmente, muitas pessoas (mas esse número ainda está longe de ser a maioria) vivem sem precisar sair da Baixada. Trabalham e estudam perto de suas casas, sem precisar enfrentar horas de trânsito ou sufocos nos trens.

Um inconveniente, porém, era que os moradores da Baixada não podiam se divertir nela. Muito mal podiam juntar alguns lanches e se deslocarem de ônibus por estradas de terra até o distante bairro iguaçuano de Tinguá, um local com cachoeiras, rios limpos, mata atlântica preservada e de beleza exuberante, como é característica dessa mata. Fora isso, não havia mais nada para se fazer na Baixada. Quem quisesse um programa diferente até poderia ir à ainda mais distante Praia do Flamengo ou à Quinta da Boa Vista, ou ainda à Praia de Ramos, antes da poluição tomá-la completamente.

Com o tempo, empresários começaram a notar a carência de entretenimento da população e surgiram aqui e ali, timidamente, uma ou outra casa noturna, como a RioSampa ou a Via Show, ambas na Dutra, a rodovia mais importante do país. Mas ainda era pouco, não só em quantidade, como em variedade, pois nem todos compartilhavam do gosto musical predominantes nesses lugares. E de cinco anos pra cá começaram a surgir barzinhos. Barzinho aqui, barzinho ali, uma música ao vivo, outras casas noturnas diferenciadas... E pronto. Formou-se na Baixada, mais especificamente em Nova Iguaçu, um polo de entretenimento noturno para os moradores da região. Com o franco desenvolvimento desses estabelecimentos, e a criação de uma vida noturna agitada, os governos começaram a incentivar esse crescimento.

Hoje, faz grande sucesso na Via Light um excelente local chamado Polo Gastronômico. Com agitação, música, diversão e, claro, gastronomia. Indo desde a comida mineira à japonesa, passando por bebidas russas, mexicanas, escocesas e muito mais. Mas o Polo, com P maiúsculo mesmo, é apenas um dos polos presentes em Nova Iguaçu. Destacam-se na área central outros pontos como: a região jocosamente conhecida como Rua da Lama, por razões óbvias que não fazem referência à sua pavimentação, que fica no entorno de duas casas noturnas (Arena e RioSampa). O conjunto de bares da Rua Dr. Mário Guimarães, onde é possível saborear diversas comidas, desde as mais de 40 opções de crepe do Crepeloco aos sorvetes self-service, passando pelos cafés. Outro ponto de destaque fica também na Via Light, próximo ao Top Shopping. Este conta com botecos no estilo do Polo Gastronômico. Recentemente também vem ganhando destaque, até mesmo nas rádios mais famosas da cidade do Rio a casa noturna Gregos e Troianos, um lugar diferenciado para o público jovem de Nova Iguaçu e imediações.

Além de todas as opções noturnas, a Baixada ganhou também novas opções para o entretenimento à luz do dia, que podem ser apreciadas especialmente nos finais de semana e feriados. O município de Japeri, este um pouco mais rural, hoje já conta até com um campo de golfe. Nova Iguaçu, o município central e provavelmente mais importante da Baixada, hoje já tem um campus da Universidade Rural, alguns polos da UFF, pontos de ecoturismo na Serra do Vulcão, aeroclube, local para vôo livre e diversas opções de esporte e lazer espalhadas pelo município. Quanto ao ainda distante bairro de Tinguá, hoje ele é uma reserva ambiental muito visitada e ainda muito bonita, onde os moradores da Baixada podem ir curtir o verde sem precisar sair da região.

A vida na Baixada atualmente é completamente diferente do que se via nas últimas décadas. Tudo melhorou consideravelmente e hoje muita gente já bate no peito com orgulho quando diz que mora na Baixada, pois os outrora malcuidados dormitórios hoje são um importante centro econômico do estado. Se alguém ainda ousa chamar os municípios da Baixada de “cidades-dormitórioâ€, vai se surpreender que hoje temos um dormitório um tanto movimentado.

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