Cinema de minhas memórias

Claudia Rangel
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Ilhandarilha · Vitória, ES
20/6/2007 · 121 · 0
 


Este texto é antigo. Foi escrito em 2002 a convite da Secretaria de Cultura de Vitória para a publicação Escritos de Vitória nº 22, que teve como tema Cinema e Vídeo. Nele falo um pouco da minha relação com o cinema e de qual acho que seja o meu lugar no cinema.

Por ser de 2002, está cinco anos desatualizado. De lá para cá desenvolvi outros trabalhos na área, além do meu trabalho de editora de vídeo, que já realizava na época. Ministrei oficinas, realizei uma mostra (a Mostra do filme e do vídeo Social), fiz parte da curadoria e membro da equipe de jurados de outras mostras de vídeo. Cada vez mais se estreitam os meus laços com o cinema. E continuo trabalhando no projeto Cinema BR em Movimento, do qual também falo no texto (a foto é de uma sessão do projeto para alunos do Universidade Para Todos).

A série Escritos de Vitória pode ser pedida no site da prefeitura municipal. Ler os Escritos de Vitória é uma ótima maneira de saber mais do povo e dos lugares daqui.

Não me lembro da primeira vez que fui ao cinema. Não lembro qual, nem onde, nem o filme. Lembranças assim, tão antigas, a gente tem que pedir ajuda para lembrar. Foi o que fiz. Mas minha mãe e meu pai, que decerto me levaram ao cinema pela primeira vez, tem mais antigas e mais importantes memórias para armazenar e não foram de grande valia nessa empreitada. Tive que contar só comigo.

O cine Araribóia ficava na avenida principal de Aribiri. Era o cinema mais próximo de minha casa. Era um grande galpão, com cadeiras de madeira que dobravam – dobrar as cadeiras de várias filas fazia parte da diversão que a sessão proporcionava -, poeirento, pequeno, mas tinha a magia do apagar as luzes e começar o sonho. Era um sonho diferente, que a gente sonhava, mas não vinha de nossa cabeça, como sonho comum. Era um sonho prontinho para a gente usar, com começo, meio, fim e, o mais importante, final feliz.

No cine Araribóia ví muito caubói matando índios e algumas histórias melosas de amor. Nenhum filme marcou o suficiente para me impressionar. Na memória ficou apenas a descoberta do facho colorido de luz que vinha lá do fundo e ia aumentando de tamanho até que, na tela, se transformava numa história. No caminho que esse facho de luz fazia no breu do cinema, grãos de poeira dançavam um balé, algumas vezes mais bonito que o filme que a tela revelava. Para minha imaginação infantil essa luz era uma mágica fantástica. E foi essa mágica, que até hoje me impressiona, o que me despertou para o cinema.

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