Gravuras

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LuisFelipeSprotte · Mafra, SC
5/10/2007 · 40 · 1
 

GRAVURAS

Como seríamos se fôssemos d’outrem
E doravante, cansados de ontem?
E se fôssemos kafkianos
Nessas rasuras alarmantes
Onde roubam-me, gravuras?

E se dançássemos nas montanhas, pelados
Aonde consigo sentir tudo sem mesura?
E nós, como castelos tomados
Por periféricos aldeões, e que aos gritos
Roubam-me os bens e todas as gravuras

Gravuras secretas, esbeltas
Estantes coroadas, em bossas obscuras?
Aldeões periféricos, marginais sem mistério
Que aos gritos, checam os lances
Desse baile conflitante
Leiloada em capitais da loucura

Calma de gravuras, rasuras, usura
Bruxas cafetinas, de peitos abastados
Unhas rosadas, claras, escuras
Línguas maléficas que só tu estudas

Ai, que te grito em tcheco
Húngaro esperto, Belgrado da bravura?
Que países são esses, meus doentes
Ausentes de toda santidade muda
Que países são esses, amigas da Astúcia
Minhas loucas douradas e eternas
Minhas loucas gravuras?

Eu te amo eterno, inferno, te espero
E mudo minhas bússolas
Para que sejas norte, sudeste, campestre
Eu te amo secreto, revelado, descobertos
Tuas pernas peludas, para mim sempre tão nuas
Teu sexo te peço, estendido, cheio de esquivos
Te peço o sexo que eu quero

E se enforcássemos políticos, corruptos, bandidos
Que aos gritos diriam:
“Que loucura! Que loucura?â€
E que queimados de poder e de brasa
Pertenceriam ao grupo seleto
Dos homenageados com nomes idiotas de ruas

Ah! Como eu te quero pelado, com ele ereto
Em meus campos sussurrantes, filme sueco
Onde gozas na pele que usas
E as gravuras pornográficas ficam plenas de arranhões e mordidas
Serei eu tuas mais rabiscadas gravuras?

Conta-me tuas crenças, doenças, ofensas
Espartilho do Danúbio, ponte dos fados
Malcriados lampejos de mais nada
Que delícia é ter-te cansado em meus braços
E os afagos? Os afagos?
Seríamos uma gravura só, unidos e juntos
Juntos como fruta e semente
Bocas e dentes
Sexo e boca, nossas bocas em nossos sexos

E acaso eu seja uma gravura
Queima-me com fogos e teus artifícios
Fogos de prata, religiosos
Escrúpulos que recuso, recuso, recuso
E eu que não sou felicidade
Acabo não sendo uma gravura tua!

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Autoria
Luís Felipe Sprotte Costa
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Felipe Henrique
 

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Felipe Henrique · Mesquita, RJ 7/10/2007 10:02
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