Da primeira vez que se vai a Mariscal, a sensação que se tem é de não estar, necessariamente, em algum lugar da Terra. Isso porque a paisagem litorânea, somada à sensação que se tem de estar navegando no mar, nos faz pensar que realmente existem poucos lugares assim para se visitar.
Mariscal está situada num istmo, ou seja, uma ligação entre duas porções de terra. E assim é: enquanto de um lado está o continente, do outro está o que seria uma ilha, cheia de morros, com mais algumas praias praticamente desertas, prontas para serem desbravadas.
Mariscal é muito conhecida por ser uma praia onde se pode praticar surfe, e volta e meia acontecem ali grandes campeonatos do gênero. É desse lado do istmo que estão os hotéis e as maiores residências. É por Mariscal que passa a avenida principal do lugar, rodeada de bares montados em quiosques à beira-mar, bem como as praças, os bancos e os chuveiros. Se Mariscal é agitação, sua praia vizinha, no outro extremo do istmo, Zimbrus, é calmaria.
Atravessando algumas ruas, nos deparamos com o que parece mesmo ser outro lugar. Zimbrus equilibra a agitação do outro lado com a cultura açoriana e o bucolismo de uma vila de pescadores: do início da praia até o final, na praia de Canto Grande, nos deparamos com uma baía de água tranqüila e profunda, que alguns pescadores aproveitam para plantar... mariscos.
No final de Mariscal, vemos a maior elevação da região: é o Morro do Macaco. Depois de quinze minutos de subida, podemos contemplar uma paisagem estonteante. Ali em cima, também podemos acompanhar os estranhos “rios de pedra”, formações rochosas de origem vulcânica que se formaram quando o Morro do Macaco ainda era um vulcão. Sim. Embora hoje ele esteja pra lá de dormindo, é através desses caminhos de pedra que descem o morro que entendemos como o Macaco foi para ali.
Chegando no final de Mariscal, depois da subida para o Morro do Macaco, há que se entrar numa estradinha estreita de chão batido. É ela que nos leva até o final da dita ilha, que ilha não é, mas parece ser, até praias que não recebem muitos visitantes. Por isso, é bacana fazer o passeio de carro, já que a caminhada — ainda mais se for sob sol forte — pode ser mais cansativa do que interessante. Através dessa estrada chega-se à Praia da Tainha, poucamente habitada, e pode se caminha, com cuidado, através dos costões de rocha que recobrem toda a ponta. Ainda há lugares a serem conhecidos. Descobertos, na verdade.
A praia de Mariscal tem, hoje, uma série de hotéis bacanas para se ficar, mas com um condição: se no verão, na temporada, ou no inverno, tanto faz: os preços estão lá em cima. Uma das saídas é alugar uma casa com o Alemão (há placas por toda a praia indicando o caminho para a casa do Alemão, que tem mais um monte de casas para alugar), acampar, já que ao longo da praia há áreas de camping ou somente passar o dia ali, uma vez que Mariscal pertence a Bombinhas, onde hospedagem, camping e alimentação podem ser até mais acessíveis.
Se for pra ficar ou pra passar rápido, certamente que esse passeio vale muito a pena.
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