A internet morreu

Pol Úbeda Hervàs
Inviseble Man
1
Carlos Emerson Jr · Nova Friburgo, RJ
28/3/2014 · 1 · 0
 

Você acorda, ou melhor, perde a hora de sair da cama porque o alarme online do tablet não tocou. Procura o velho relógio de pulso e leva um susto: quase onze da manhã. Corre para o banho e lembra que a mensagem que estava esperando não chegara. Volta e descobre que não tem internet. No smartphone também não. Liga a TV e descobre que a pane é mundial, a rede desapareceu sem nenhuma explicação. De repente você pensa se o melhor a fazer não é voltar para a cama...

O filósofo americano Dan Dennet profetiza: “a Internet cairá e quando isso aconteça viveremos ondas de pânico mundial. Nossa única possibilidade é sobreviver às primeiras 48 horas. Para isso temos de construir —se me permitem a analogia— um bote salva-vidas”. Credo, isso pior do que um apocalipse zumbi!

Tem mais! “Algumas tecnologias nos tornaram dependentes e a Internet é o máximo exemplo disso: tudo depende da rede. O que aconteceria se ela caísse? Nos Estados Unidos tudo desabaria em questão de horas. Imagine: acordar e a tevê não funciona. Obviamente não tem sinal no celular. Você não tem coragem de pegar o carro porque não sabe se essa vai ser sua última reserva de gasolina e os únicos que se prepararam para isso são todos esses malucos que constroem bunkers e armazenam armas. Certeza de que queremos que eles sejam nossa última esperança?”.

Bom, pelo menos esse tipo de gente ainda é irrelevante aqui no Brasil, mas o professor Dennet continua: “o que digo não tem nada de apocalíptico, pode falar com qualquer especialista e lhe dirá o mesmo que eu, que é questão de tempo a rede cair. O único que digo é que deveríamos preparar-nos: antes costumava haver clubes sociais, congregações, igrejas, etc. Todo isso desapareceu ou vai desaparecer. Se tivéssemos outra rede humana pronta... Se você soubesse que pode confiar em alguém, em teu vizinho, em teu grupo de amigos, porque previram a situação, não estaria mais tranquilo?”

“Da invenção da agricultura, há 10.000 anos, a cultura evoluiu de um modo puramente darwiniano mas a chegada da tecnologia acelerou esse processo até um ponto imprevisível. Quem compra música agora? E livros? O mesmo pode ser dito do cinema ou de qualquer outra disciplina artística. O papel da cultura mudou completamente, exatamente o mesmo que acontece com a religião. E a tecnologia tem um papel muito relevante em tudo isto”.

Pessoalmente, não acredito que seria uma catástrofe mundial. A falta da rede provocaria imensos transtornos mas é bom ter em mente que a apenas quinze anos ainda escrevíamos cartas, falávamos por telefones com fios, reuníamos para conversar em bares, frequentávamos bibliotecas, liamos livros, vivíamos nos cinemas e comprávamos discos para ouvir músicas.

Será mesmo que em tão pouco tempo ficamos completamente dependentes? A internet é o crack da sociedade moderna? O impacto na economia mundial seria, no mínimo, impactante! Milhares de empresas, de todos os tamanhos, do dia para a noite perderiam a razão de ser e milhões de pessoas perderiam seus empregos.

Aliás, é interessante conhecer a experiência do jornalista Paul Miller, ex-editor do site Engadget, que ficou um ano completamente afastado da internet. Dificuldades à parte, do tipo ir ao banco, escrever e postar cartas, comprar passagens de avião no balcão da empresa aérea, foi a falta de disposição de encontrar os amigos que mais o impressionou. Paul descobriu que sua vida “não era diferente sem a internet, só não era a vida real”. E nem pensa mais em se “desligar” de novo. Leia a matéria aqui.

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