A POPularização da palavra POP

1
Charles Cadé · Fortaleza, CE
4/5/2007 · 19 · 0
 

Houve um tempo que a palavra pop só designava o que não tinha consistência. Tudo que era consumido em larga escala e era muito palatável recebia o selo de “produto pop”. Ou seja, nada muito abonador. Por isso, um artista ser considerado pop era o atestado que sua obra não tinha valor artístico.

Com o tempo, artistas conceituados começaram a flertar mais descaradamente com a “cultura das massas”, aglutinando a suas obras elementos pop. Das artes plásticas (Andy Wahol) à música (Beatles) a mistura cada vez mais era presente. Os puristas ainda questionavam se isso seria arte ou apenas entretenimento. Todavia, a semente da dúvida já estava plantada: é ou não é?

Atualmente, até obras mais rebuscadas são consideradas pop. Já se fala hoje em pop culture (e muitas vezes sem traço de ironia na expressão). Dessa forma, se joga no mesmo balaio de Britney Spears a Radiohead.

Sem mencionar na elevação de certas mídias como TV e quadrinhos ao patamar de produtos de qualidade. O seriado “Os Simpsons”, por exemplo, antes seria tratado apenas como um lixo televisivo. Hoje, já é considerado um clássico.

Na literatura, um dos pólos menos afeitos a transformações como essas, também se pode notar a mudança. Antes, escritores como Nick Hornby não teriam fama alguma. Hoje, não apenas são best sellers como recebem boas resenhas.

O outrora gênero musical destinado apenas ao mundo jovem, o rock atualmente é encarado com seriedade. Para o cineasta Win Wenders “Só o rock’n'roll consegue ser tão direto quanto o cinema como forma de expressão. Vejo alguns de meus contemporâneos que trabalham neste campo, como Bono e Nick Cave, como verdadeiros poetas. A única existência contemporânea de poesia que consigo enxergar está no rock’n'roll.”

Por que isso está acontecendo? O escritor inglês Hanif Kureishi deu um depoimento que talvez lance luz sobre a resposta: “Quando eu cresci em um subúrbio da Inglaterra nos anos 60, o pop era muito libertador para meus colegas de geração. Era uma forma pela qual pessoas comuns, sem educação, podiam ser criativas, viver vidas que não as que esperavam de nós, como caixas de banco. Eu e meus amigos então nos vestíamos de forma escandalosa, tomávamos drogas, tínhamos grande liberdade sexual, trocávamos discos.”

Para o jornalista Álvaro Pereira Júnior, “O pop, filho caçula da indústria cultural, tem como objetivo último levar prazer ao público. É sob esse prisma que ele é julgado. Fez sucesso, beleza. Não fez, um abraço, melhor sorte da próxima vez.”

De certa forma, o ranço elitista vai arrefecendo. Entretanto, é bom ir devagar com o andor. Há artistas banais e outros que são banalizados (pelo sucesso). Por isso, não é muito prudente denominar da mesma forma artistas tão díspares quanto R.E.M. e Backstreet Boys.

compartilhe

comentrios feed

+ comentar

Para comentar é preciso estar logado no site. Faa primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.

filtro por estado

busca por tag

revista overmundo

Voc conhece a Revista Overmundo? Baixe j no seu iPad ou em formato PDF -- grtis!

+conhea agora

overmixter

feed

No Overmixter voc encontra samples, vocais e remixes em licenas livres. Confira os mais votados, ou envie seu prprio remix!

+conhea o overmixter

 

Creative Commons

alguns direitos reservados