São quase trinta anos provocando, experimentando e inovando. A Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz vem desde 1978 movimentando o teatro gaúcho com diversos projetos, que envolvem oficinas, seminários e debates em geral. Além de apresentações, é claro.
Todas essas atividades são marcadas pelo engajamento e pela função do teatro na sociedade. Pra isso, extrapolou o espaço da sala de espetáculo e foi pra rua, levar a arte onde o povo está, “exigindo” interação. Pois como o site do grupo diz, o objetivo é ver “o teatro como um modo de vida e veículo de idéias: um teatro que não comenta a vida, mas participa dela”. Em 1984 foi inaugurada a Terreira da Tribo, um centro de experimentação e pesquisa cênica, em que a organização é baseada no trabalho coletivo, tanto na produção das atividades teatrais como na manutenção do espaço.
Esse espírito coletivo é levado nas apresentações realizadas em praças, bairros e vilas populares, além de oficinas de Formação de Atores, de Teatro de Rua e de Teatro Livre, sempre oferecidas de forma gratuita. É através do estímulo à participação das pessoas que eles se firmaram e conquistaram respeito pelo seu trabalho original e desafiador. E 2006 marcou mais um desafio para o grupo: o lançamento de uma revista de teatro.
Leitura crítica dos fatos
No final de março, foi lançada a revista Cavalo Louco, publicação semestral distribuída gratuitamente pra grupos de teatro, pesquisadores e entidades educacionais e culturais de todo o Brasil. Paralelamente, a distribuição acontece também ao público durante as atividades realizadas pela Tribo. “A realização desta revista é um desejo antigo nosso, pois sempre procuramos, de todas as formas possíveis, socializar o conhecimento gerado na Terreira da Tribo, através do fazer teatral e do encontro com outros grupos e personalidades do teatro”, comenta o Pedro DCamillis, integrante do grupo.
A maior parte dos artigos da revista foi concebida como palestras e tem por objetivo gerar reflexões. Os depoimentos do Ilo Krugli e do Amir Haddad, por exemplo, foram coletados durante o Seminário Teatro de Grupo: Reinventando a Utopia, em uma conversa com estes ícones do teatro brasileiro. “A idéia é que desde o primeiro contato com a revista as pessoas possam se sentir estimuladas com uma possibilidade nova de leitura e aprofundamento de questões que geralmente ganham tratamento superficial nas publicações que tratam de cultura e arte em geral”, diz o Pedro. “Queremos que os leitores se sintam contagiados com a sede de renovação e com a beleza dos antigos, dos mais experientes.” Essa é uma iniciativa pioneira no Estado, pois não havia uma revista específica da área teatral. A maior parte das publicações está no centro do país, principalmente em São Paulo.
A força do coletivo
Preservar a importância do trabalho realizado pela Tribo sempre foi uma preocupação. Por isso, em 1994 foi fundada a Associação dos Amigos da Terreira da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz, com o objetivo de agregar pessoas, geralmente oficinandos e público, em torno da proposta política e estética do grupo, além de defender o território cultural Terreira da Tribo, localizado na época no bairro Cidade Baixa. Foram feitas várias mobilizações junto à Câmara dos Vereadores e à Prefeitura pra que o local fosse reconhecido como patrimônio da cidade, chegando ao ponto de serem recolhidas dezessete mil assinaturas, mas o esforço não surtiu efeito. No final de 1999, a Terreira teve que deixar a Cidade Baixa, indo pro bairro Navegantes, onde está até hoje.
Mais estabelecida do que nunca, a Tribo de Atuadores Oi Nóis Aqui Traveiz comprovou ao longo dos anos que a mobilização coletiva tem um imenso poder. E quando essa força é usada pra fazer e discutir teatro, o resultado pode ser sólido e motivo de orgulho. Como esses vinte e oito anos de atividades estão aí pra comprovar.
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