Fica Comigo é uma tentativa de Eric Khoo de fazer uma narrativa não linear entremeando paixões, isolamento, conexões e muita comida alternando ficção e realidade, mas o resultado é um filme desigual que desperdiça seu maior trunfo.
Um homem cujo único prazer é a comida encontra um objeto de desejo e uma fonte de esperança, duas adolescentes que descobrem os prazeres e as dores do amor, e um senhor cuja única habilidade é cozinhar são os personagens fictÃcios que dividem a tela com Theresa Chan, a cega-surda e musa inspiradora do filme.
Apesar de extremamente interessantes, as histórias apresentadas têm pouco peso, suas execuções são desiguais e a única conexão que nos é permitido fazer é baseada em clichês dignos de novelas. O ponto forte do filme, a história de Chan, acaba sendo enfraquecido por ser sempre interrompido por histórias mal trabalhadas, cujo único apelo reside em curiosidade mórbida ou a admiração das belas garotas apaixonadas.
E a trilha sonora, para piorar, é de péssimo gosto, e usa constantemente melodias ultrapassadas e melosas, que criam até um certo embaraço.
Já Chan é de fato uma figura sensacional. E ela abre inúmeras possibilidades narrativas sobre a natureza do isolamento, o auto-sacrifÃcio e a melancolia que irritantemente são ignoradas. O mérito do filme nessa questão está na quase total ausência de diálogos, seria um filme mudo não fosse pelo barulho ambiente e pelas exclamações em momentos de grande emoção. A personagem que mais fala é exatamente Chan, pois, ironicamente é a que tem mais a dizer.
Me entristece que o filme poderia ter sido muito mais do que é. Vale como registro de Chan.
Gostaria de ter escrito um texto sobre isolamento e angústia, em uma seção lotada da cinemateca mas o filme não me inspirou tanto. Continuei tão retraÃdo quanto antes, e não encontrei forças para entrevistar uma chinesa com forte sotaque que comprou ingressos logo depois de mim, e seria um ótimo adendo a este relato.
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