É de família

Celeste e Alcy Galvão, progenitores de tanta história
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Raíssa Galvão · , MG
10/1/2013 · 12 · 0
 

Família é um sentimento estranho. Uma sensação de reencontro e de espelhamento natural. Cada tio, prima, avó, madrinha, cada um com seu jeitinho forma parte do seu quebra-cabeças. Depois de alguns dias, uma ceia natalina, sol, verão, muita cerveja, risada, batida de melancia e vodka, a impressão que fica é a de que se pegar alguns porcentos dali, outros daqui, um tiquinho de acolá, juntar tudo em um liquidificador a mistura final sou eu.

O tempo com a família é quase que um divã, onde me pego refletindo sobre minha personalidade, atitudes e trejeitos. Não tem jeito, é um pouquinho de cada e que, juntos, formam uma grande festa. E sim, festa, porque por aqui tudo é festa. Nem as reclamações de ficar na cozinha da tia Cris, as rabugices da tia Cecy, aquela outra que está ficando cada vez mais ranzinza, nada é problema se tudo isso vira deboche na voz Tilapa, que faz piada até com os sogros (sim, ele tem 1 mulher, 2 sogros e duas sogras, todos juntos na mesma festa).

Se for parar pra pensar em DNA, acho que deve ser isso aí mesmo, um recorte de gerações e personalidades que em cada um aflora de um jeito. Sinto-me cada vez mais realizada passando esse tempo aqui. Não só de me ver em cada um deles mas de ver como encarei o “mundo lá fora”, como aprendi e apliquei cada situação que vivi em casa no dia-a-dia da realidade cotidiana.

Não sei se por todo canto é assim, se em cada “intimidade familiar” as histórias são as mesmas, mas tenho a impressão que por aqui tudo é menos normal (pra não dizer mais louco). Me peguei pensando esses dias num comentário de um recém aderido da árvore geneológica: “Será que são só vocês que têm essas histórias ou as outras famílias é que não contam?”. Uma pergunta extremamente válida, já que em cada rodinha de buteco eu sou sempre a que mais conta os “causos”, tenho exemplo ou uma história mais engraçada pra cada outra história ouvida.

Desde a tataravó que foi uma das primeiras pianistas do Brasil a fazer piano em cinema mudo pra poder levantar dinheiro pra bancar o marido que ficou louco depois do vício em morfina adquirido na guerra, à tia-avó que na hora de fazer o pai-nosso natalino esqueceu parte da reza milenar. Passando ainda pela escola do bisavô que fez uma marcha em plena ditadura contrapondo ao governo vigente, ao pai que morou 3 meses em uma ilha deserta, à mãe que tinha o sonho de ir trabalhar na África e foi parar no sertão mineiro, à avó que colocou 2 OBs porque esqueceu que já tinha colocado um. Sem falar nas tradicionais “reginadas”, aquela tia que cria neologismos a toda hora, porque se aquele canto ao lado da estrada é pra encostar, ele devia chamar encostamento e não acostamento, não é mesmo?!

E meus óculos, onde estão Varrisa*? Uai vó, um está na sua cabeça e o outro na cara.


* Varissa: mistura dos nomes de mãe e filha: Raíssa e Valéria

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