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Entre picanhas e violões
Daniel Cariello · Brasília (DF) · 8/3/2006 15:03 · 225 votos · 1 comentários ·  
 
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Foto de divulgação: Todos os Direitos Reservados

Responda rápido: o que há de comum entre um açougue e um espaço cultural? Pensou? Para a maioria das pessoas não há qualquer relação. Mas não é o que pensa Luiz Amorim, proprietário do Açougue Cultural T-Bone. Para ele, as duas coisas podem caminhar juntas.

Muito antes de distribuir cultura o açougue tinha outro nome, Triângulo e Damasco, e apenas vendia carne. E Luiz Amorim era mais um empregado ali dentro. Depois de fatiar muito filé mignon e moer toneladas de patinho, conseguiu juntar um pé-de-meia e comprou a loja, em 1994. A primeira providência foi trocar o nome: T-Bone foi o escolhido.

Três anos depois, em 1997, foi realizada a primeira Noite Cultural, reunindo escritores, artistas plásticos e já um bom público. Apesar do estranhamento inicial de se ter um ambiente de cultura dentro de um açougue, a noite foi um sucesso. E outras vieram.

E o evento cresceu. E cresceu tanto que agora toda a quadra comercial fica fechada quando há uma Noite Cultural. A 17ª edição levou Tom Zé ao pequeno palco montado do lado de fora da loja e reuniu um público recorde de 10 mil pessoas.

A existência dessas noites já seria suficiente para colocar Luiz e seus irmãos Cláudio e Robson Amorim no rol dos grandes incentivadores da arte e da cultura locais. Mas ainda há muito mais por detrás daqueles balcões.

Há a Biblioteca Comunitária T-Bone, que surgiu de forma despretensiosa quando Luiz montou uma estante com alguns poucos livros. Com a doação dos moradores e incentivadores, o espaço foi ficando pequeno, e já conta hoje com mais de 18 mil exemplares de gêneros variados. Está aberta a qualquer pessoa interessada, de segunda a sexta, das 8 às 17h, e aos sábados, das 8 às 13h. Mas os livros não ficam restritos ao espaço do açougue. A T-Bone estabeleceu uma parceria com a Administração Regional do Varjão e já doou mais de seis mil para essa comunidade.

E ainda há outras realizações, como o Encontro com Escritores, que ocorre bimestralmente e já contou com a participação de pelo menos duas dezenas de nomes, como Affonso Romano de Sant'Anna, Menezes y Morais, Cassiano Nunes e Bernardo Bernardes. E os projetos Sede de Cultura, para inclusão social, e Ponto de Cultura, que pretende realizar tardes culturais para crianças.

Os incansáveis irmãos Amorim ainda abrem espaço para a venda de discos de artistas locais. Nas prateleiras é possível encontrar CDs do Quarteto de Brasília, Jairo Mozart, Oliveira das Panelas, Dinaldo Domingues, Manasses, entre outros. Se vende bem? "Vende. O público gosta e compra", afirma Luiz. "É uma parceria boa para o açougue e para o artista."

Esse incansável empenho pela cultura rendeu muita publicidade para a T-Bone. A loja já apareceu em todos os jornais locais e destaque em matérias e entrevistas na televisão, como no DF-TV, no Jornal Nacional e até no Programa do Jô.

Tantas coisas aconteceram nestes anos que Luiz Amorim já está preparando um livro contando as melhores histórias das Noites Culturais. Uma que certamente estará presente ocorreu logo na primeira edição do evento.

Uma cliente do açougue, desquitada, estava se arrumando para sair. O filho, desconfiado, perguntou onde ela estava indo. "Ao açougue", respondeu. É claro que ele não entendeu, e quis saber se a mãe estava namorando o açougueiro. A coitada até tentou explicar que era um evento cultural. Mas o menino não acreditou, claro.

É bem possível que hoje ele também seja um dos freqüentadores.

Link: www.t-bone.com.br

tags: Brasília DF cultura-e-sociedade centro-cultural biblioteca mpb


 
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Só agora estou lendo e rindo-me com a história da desquitada.
muito bom.
Por falar, não na desquitada, mas no evento,
setembro tá chegando, já sabe a programação?
abçs!

Humberto Firmo · Brasília (DF) · 23/8/2007 08:23 
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