Eu posso, eu colaboro, eu faço melhorar

As crianças em frente a sede da ONG
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Carolina Morena Vilar · João Pessoa, PB
3/11/2006 · 213 · 0
 

Imagine um grupo de assistência social a meninos de rua que atua com o fornecimento de alimentação, roupas e realizações de pequenas atividades com o objetivo de melhorar, de alguma forma, o dia-a-dia de crianças carentes. Um grupo voluntário, sem sede nem recursos financeiros, mas com o principal combustível dessa idéia: saber que tem poder para fazer brotar o mínimo de esperança em um ser que mesmo tão novo já desacredita na sua própria existência e principalmente na possibilidade de um futuro diferente, por estar inserido numa rotina de vida onde fome e miséria fazem parte da rotina diária. O ano era 1985 e a vontade de fazer desse projeto de assistência algo concreto e realmente eficiente era forte e necessário não só para as crianças em questão, mas também para esse grupo, até então pequeno, alimentar uma idéia e uma paixão: o serviço social.

Quando se quer mesmo se consegue, e foi assim que se deu inicio à idéia de ter um abrigo e solidificar as ações, trabalhando na raiz do problema e mudando sua metodologia de trabalho. E como conseguir isso? Foi buscando respostas e correndo atrás do que era sonho, que a Casa Pequeno Davi, hoje uma ONG que atende a mais de 400 crianças carentes, nasceu realmente. Com atividades educacionais e culturais, está situada em uma comunidade carente daqui de João Pessoa, o Baixo Roger.

O Baixo Roger é um bairro problemático: visto por ser onde se localiza um dos presídios e também o maior depósito de lixo da cidade (desativado em 2003), o índice de famílias carentes e que sobreviviam com o que catavam do lixão era grande. A coisa mais comum era ver crianças recolhendo restos de comida e fora da escola, vítimas do trabalho infantil imposto pelos seus próprios pais como único meio de sustentação familiar. Algo realmente absurdo e perigoso, mas que começa a mudar com ações da Casa Pequeno Davi.

Que ações são essas?

A Casa diferencia-se principalmente pelo sucesso do seu trabalho: funciona como ONG responsável pela recuperação de crianças suscetíveis a uma vida marginal, dando incentivo direto a famílias carentes com ações culturais e apoio escolar. Com escolinhas de música, serigrafia, futebol, programas de inclusão digital, pintura, artesanato e um competente setor de serviço psicosocial, a criança (de 7 a 17 anos), quando chega a Casa, é encaminhada e encaixada em alguma das atividades oferecidas se acordo com seu interesse. A partir daí um contato pessoal com ela é iniciado: acompanhamento escolar (a ONG tem convênio direto com as escolas públicas do bairro) e familiar (reuniões mensais com os pais), tirando-a das ruas e oferecendo-lhes novas perspectivas.
Como a procura das famílias pelo serviço é grande, foi necessário que se buscasse uma forma de organizar e selecionar as crianças para a participação no projeto para que houvesse sempre a qualidade do atendimento. Assim, no inicio do ano, abrem-se inscrições para todo o bairro e é feito um processo de seleção com aquelas realmente mais necessitadas. A direção, sabendo de possíveis limitações por conta de espaço físico, preenche as 400 vagas e começa sua programação anual, ou seja, há a preocupação de ser um trabalho direcionado, efetivo, concentrado e sério, e é essa organização e competência que a faz destacar-se das outras ONGs.

Mas para que todo o programa pensado funcione, é preciso também algo que para muitos é o principal problema: apoio financeiro. Com 21 anos de existência e experiência, a Pequeno Davi já encontra hoje meios que supram essa necessidade, com doações dos simpatizantes do seu trabalho e, principalmente, a inclusão em alguns programas de financiamento social, conseguido através da elaboração de projetos enviados à instituições como UNICEF, CORDAID, UNDIME, UNCME e RESAB, por exemplo.

Fui conversar com Joelma, uma das responsáveis por esse projeto, e pude perceber ainda mais a paixão, a luta e a crença em uma sociedade melhor, a começar pelo seu bairro. Perguntei e ela me falou que todo esse trabalho voluntário é importante, mas o essencial é que haja uma forte pressão das ONGs frente ao governo em prol dos seus objetivos. Organizar-se de forma a apoiar e cobrar políticas públicas para cultura e educação, por exemplo, afinal são eles que têm realmente poder e meios para solucionar as deficiências do seu povo. Não é raro ver a acomodação de certos governantes frente ao sucesso do trabalho social voluntário, e isso é uma grande preocupação, mas a direção da Casa Pequeno Davi tenta tomar todo o cuidado e agir junto ao estado para que situações como essas não ocorram. “O nosso papel não é só suprir uma necessidade da comunidade com nossas atividades, mas também chamar um pouco a responsabilidade do estado e município. Temos essa preocupação de não estar substituindo, tentando muitas vezes trabalhar em pareceria: o governo lança um programa e tem na Casa o espaço para execução ou orientação de como deve ser feitoâ€. Assim a idéia funciona.

Acho que temos que aplaudir qualquer iniciativa do tipo, e quando ela dá certo aplaudirmos ainda mais e apoiarmos, porque manter-se com um trabalho que realmente dá resultado por 21 anos não é brincadeira. É realmente impagável assistir a crianças numa apresentação de dança num bairro distante ou em algum festival de arte da Pequeno Davi e pensar que se não fosse aquilo elas estariam sem estímulo algum, sem auto-estima. Cultura e educação dignificam e estimulam a própria comunidade a dar continuidade ao projeto, já que muitos dos voluntários e professores foram educados e assistidos pela própria quando crianças. É também um trabalho que retorna. Saber que se é importante, independentemente da classe social, e que acreditar impulsiona o realizar. Pode soar clichê, mas acredite, isso faz toda a diferença.

Para saber mais sobre a Peqeuno Davi visite o site e blog deles.

Para entrar em contato: Fone/Fax (83) 3241-5263 ou casa@pequenodavi.org.br

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Família assistida pela casa Pequeno Davi, no Baixo Roger zoom
Família assistida pela casa Pequeno Davi, no Baixo Roger
Resultado da oficina de break: apresentação para a comunidade zoom
Resultado da oficina de break: apresentação para a comunidade
Escolinha de futebol, onde pais e filhos participam zoom
Escolinha de futebol, onde pais e filhos participam
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Oficina de grafitagem
Visita do programa Saúde na Familia (do governo estado) à Casa zoom
Visita do programa Saúde na Familia (do governo estado) à Casa

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