Na sala estão: o DJ Luciano, integrante dos grupos Vibração Positiva e Aliados M.A.(Mangabeira Atitude), Rosana Silva, esposa do DJ Luciano e editora do site hip hop sim sinhô!, Clariana Sandy, Integrante do Fórum Permanente Hip Hop JP, Alê da Guerra Santa, na ocasião o mais antigo intergrante do movimento hip hop da cidade e Marcos Paulo, MAPA , rapper, integrante do grupo Código Vermelho. O tom é de reunião polÃtica, "precisamos nos organizar, batalhar por melhores condições pra gente, pra podermos ministrar oficinas", declara Clariana. O Luciano que é um militante... péra, militante ? "Sim, hoje eu me considero um militante do movimento hip hop em João Pessoa. Eu trabalho para que o movimento cresça, para que a gente tenha melhores condições de trabalho, mais espaços para tocar, pra promover o hip hop, pra formar as próximas gerações. Eu pego meu equipamento e vou lá ensinar pra eles, não fico esperando atitude do governo ou qualquer outra iniciativa de quem quer que seja", exalta o DJ. "O problema é que a gente não tem muita ferramenta, é uma grande batalha. Esse site aà a gente banca. Eu que desenvolvo, fiz um curso de html básico e estou estudando para evoluir e desenvolver um site melhor com mais tecnologia, design melhor. Mas é o que temos e estamos batalhando com o que temos", afirma Rosana. "Acho que um dos grandes problemas aqui em relação a espaço nos meios culturais é que a gente rala muito mais para conseguir alguns espaços e outra parcela dos artistas está sempre aà sendo beneficiada pelas leis de incentivo cultural. Por aqui, agora que o Ministério da Cultura está subsidiando um ponto de cultura nas ONGs Sociedade Cultural Posse Nova República e Projeto RC Cultura de Rua, onde serão ministrados oficinas de break, discotecagem, graffiti, informática, eletrônica, capoeira e fabricação de instrumentos", protesta MAPA.
Jet Set
O tom é diferente de anos atrás, quando, nos anos 80, grupos de dança se reuniam em frente a antiga loja Jet Set, que os contratava para atrair clientes. "Naquela época ninguém falava em hip hop, o break era uma moda. Foi lá que conheci Walmir e Dinarte", lembra Alê. Walmir Vaz, 39, é o ex-Mago Watt e atual Vant, nome trazido da lÃngua portuguesa original que denomina a proa do barco, nome artÃstico assumido por ele. Criador do grupo de dança Electro ainda na década de 80. " TÃnhamos um grupo e o ponto de encontro era o Clube Internacional em Cruz das Armas", hoje um dos poucos lugares onde rolam bailes funk na cidade. Dinarte se tornou depois o MC Dinarte, que, em dupla com o MC Paulinho, era integrante do grupo Funk Peso Brasil, responsável pelo primeiro vinil do estilo no estado. "Depois dessa fase, já na década de 90 eu me juntei ao Fábio e ao Alex para criar a Tribo Éthnos, um projeto maior que unia outras vertentes da arte, elementos mais diversos como elementos tribais, música erudita, música eletrônica, world music, era um projeto cultural muito avançado pra João Pessoa", afirma. "A Tribo e o Jampa Rap, que era um grupo que eu tinha com eu irmão, posso dizer que foram os primeiros grupos de rap de João Pessoa", lembra Alê.
Funk Peso Brasil
Autor do hit "O melô do SETUSA", um funkão no estilo desses funks cariocas, com uma batida que na época era conhecida como miami bass, tocou muito na rádio mas provocou um racha. O Funk Peso tocava nos bailes funk e junto com essa vertente começaram a pipocar as guangues de bairro nos famosos bailes do Astréa, Internacional e Centro Comunitário de Mangabeira. Walmir e Alê tinham idéia de um outro projeto que caminhava para o rap. O aspecto comercial do funk acabou afastando Dinarte dos outros companheiros, que seguiu com o Funk Peso e gravou mais dois vinis e hoje trabalha criando trilhas e jingles para publicidade. Dinarte ainda chegou a participar do primeiro CD da Tribo Éthnos fazendo scratches e recentemente produziu o primeiro CD solo de Alê da Guerra Santa, que espera um selo para lançá-lo.
Tribo Éthnos
"Para formar a Tribo recrutamos músicos e gravamos uma demo. Até então a Tribo era mais música. Em 1994, nós tÃnhamos uma demo gravada conseguimos aprovar um projeto para gravação do nosso primeiro CD - "Conflict das Mareés". Foi uma loucura (risos)! Um sofrimento da porra!", reclama Vant. Nós não tÃnhamos equipamentos para ensaiar, as famÃlias não entendiam e por isso não ajudavam, foi uma época difÃcil. Nos instalamos no Estúdio Pró- Sound em Campina Grande e mesmo com todas as deficiências técnicas conseguimos gravar o que seria o primeiro CD de Hip Hop da ParaÃba. Engraçado é que ele foi mais bem recebido entre os roqueiros do que entre os integrantes do hip hop mais conservadores. Era um projeto ousado, realizado com dificuldade, mas a idéia estava lá. Neste CD não conseguimos utilizar todos os elementos que querÃamos, mas boa parte das idéias iniciais está citada ali", justifica. No segundo CD, "Medroavon", nós conseguimos unir e executar melhor todas as idéias do projeto. Colocamos música erudita, cordas, usamos samples de etnias, acho que fomos mais felizes nessa empreitada. Muito embora ache que, até hoje, pagamos um preço alto demais pela ousadia do projeto. Muita gente não compreende", lamenta.
Caravana Hip Hop
2000 parece que foi um divisor de águas para a cena hip hop da ParaÃba. Nomes como Cassiano Pedra, da Associação Cultura e Posse Nova República, que está ligado ao MOHHB - Movimento Hip Hop Organizado do Brasil, Kalyne Lima, DJ Dal, Rato, Metralha, Mauro Black Side, Emerson, Cristiano, Nivaldo, o próprio DJ Luciano, consideram esse o melhor momento vivido por eles no movimento. "A Caravana Hip Hop era muito legal, levávamos os pick-ups, o som, para os bairros colocávamos nos points, ligava o som e mandava a rima e a dança. A caravana durou dois anos", lamenta. Nessa época a gente abre parêntese para uma vertente muito nordestina no rap, que o Realidade Crua fazia unindo sons regionais ao rap. Outra vertente curiosa por essas bandas é o rap gospel, comandado pelo hoje evangélico DJ Mauro Black Side, com os grupos Celebração da Palavra e Mensageiros da Paz.
MV Bill em João Pessoa
Lembra que falei do tom polÃtico? Pois é, a passagem do rapper carioca MV Bill por aqui deixou esse rastro no movimento. Organização, reinvidincação, lutar por direitos, encontrar alternativas, esse é o tom do discurso hoje, muito embora... "olha eu fiquei puto com a mÃdia daqui na pssagem do MV Bill por aqui. Os repórteres, vieram ao fórum onde ele estava presente somente pra falar com ele, ignorou totalmente o que estava sendo discutido, as nossas propostas, ignorou completamente todo mundo do movimento de João Pessoa que estava lá", lamenta Alê. Mas a verdade é que esse tom polÃtico do rastro do MV Bill por aqui tem sido mantido. "Acho que hoje ao lado do rap, graffiti e break, a organização em torno das reinvidicações sociais é o quarto elemento do hip hop no paÃs", afirma Clariana.
Atualmente o DJ Luciano e sua esposa Rosana começam a organizar eventos, promover oficinas e agilizar contatos, através do projeto HIP HOP Sim Sinhô!. O Fórum Permanente HIP HOP JP começa a questionar posicionamentos e gerar ações. Os pontos de cultura foram se instalado e começam a funcionar com oficinas e cursos. "Estamos tentando nos organizar aos poucos, comprando equipamentos, montando espaços e reunindo forças", conclui MAPA. "Quero te mostrar uma coisa que acho que é única no Brasil. Está lá na parede do Fórum Criminal de Mangabeira", bairro onde tem o maior número de grupos de rap em João Pessoa, comemora MAPA. Passamos em frente ao Fórum Criminal de Mangabeira e estava lá grafitado no muro - PAZ !
DJ Luciano e Rosana Silva
www.hiphopsimsinho.com
contato: contato@hiphopsimsinho.com
Sociedade Cultural Posse Nova República - Ponto de Cultura Núcleo I, Rua Marinalvo da Silva Rirgilo nº 1 - Comunidade Nova República - Cassiano Pedra e Liziê Mangueira - Informações: (83) 8807-2249
Projeto RC Cultura de Rua - Ponto de Cultura Núcleo II, Quadra 97, Lote 27 - Conjunto Cidade Verde, Mangabeira VIII - Leonardo e Kalyne Lima - Informações: (83) 8846-8788 ou 9101-6594
muito bom, acabei de chegar e já estou encontrando um conteudo bacana por aqui
essa ideia de rede que o overmundo promove é funamental pra entender o hiphop
se periferia é periferia em qualquer lugar
a alta tecnologia vem linkar todas essas experiencias
parabens pela iniciativa
vamo que vamo que o rap nao pode parar
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