Duas coisas me fizeram pensar muito nos museus brasileiros ultimamente. A primeira foi o artigo de Luisa Duarte (Por um equilÃbrio de forças) publicado no Globo, lúcido e certeiro como apontou Raul Mourão, que chegou em boa hora para ativar várias discussões sobre as relações sobre, arte, instituições, cultura, branding e mercado.
O segundo foram as recentes mudanças no Facebook que está movendo seu foco de crescimento para engajamento e como isso exigirá uma evolução de como os museus se envlverão com as pessoas nas mÃdias sociais.
Obrigado a nada
É bacana pensar em se ter no Brasil uma elite que adquira obras para suas coleções, mas que também colabore para a existência dos museus e seus acervos, além de um governo que incentive essas ações. O desejo é legÃtimo mas carece de refinamento. No fundo herdamos a crença que os ricos tem mais é que bancar a conta dos museus. O que não é verdade. Ninguém tem obrigação de nada. As pessoas precisam ser envolvidas e os museus é que precisam encontrar instrumentos de relacionamento com as pessoas. Entre as principais instituições museológicas do mundo existe a noção clara de que é preciso sair do posto de catedrais e entrar na pista para negócio, adotando novos modelos de gestão.
Veja essa interessante experiência do Yerba Buena, de São Francisco.
Branding e cultura
Arte é o que os artistas fazem. Cultura é cultivo. Se por um lado a sociedade brasileira não deu muita bola aos museus até agora, por outro os museus não tem feito muito esforço para nos fazer entender sua importância. Qual a relevância dessas instituições? Eles precisam existir? Assumir que essa importância é óbvia, e pronto, não vai resolver o problema. Cada instituição tem que ir à luta, se entender como marca, repensar o seu trabalho (e papel no mundo) e adotar uma nova postura de relacionamento com a sociedade. É o que fez o MoMa com a sua exemplar ação de relacionamento "Eu fui ao MoMa e...".
Visite a página da ação de relacionamento do MoMa.
No Rio os museus conseguem errar no relacionamento com todos. A classe C entende que o ambiente - elitista por um lado e cheio de coisa esquisita - não é para ela. As elites por suas vez podem ir nos museus mais irrelevantes de Varsóvia em suas viagens, mas desconhecem o MAM. As coleções querem ficar no Brasil mas não encontram interlocutores. Segundo Luisa "a maior coleção de arte construtiva do Brasil, de Adolpho Leirner, foi oferecida mais de uma vez para instituições brasileiras. Nenhuma delas se interessou ou encontrou condições para viabilizar a compra".
Dinheiro há
Talvez a melhor contribuição da ArtRio tenha sido o sepultamento do papo miséria. Como dizia o personagem das crônicas de Nelson Rodrigues que, sem um tostão, vai para BrasÃlia e se dá bem: "dinheiro há, dinheiro há". Mas essa circulação vai permanecer nas coleções particulares enquanto a postura das instituições museológicas não mudar.
Acorda pra vida
Se os museus achavam que o botão de "curtir" era a meta, melhor rever os conceitos. Como o Facebook está voltando sua atenção para o engajamento, organizações e marcas com alto nÃvel de criatividade serão organicamente recompensados e compartilhado por usuários. Uma das maiores mudanças que o Facebook está lançando é Timeline, cujo objetivo é compartilhar informações importantes e ajudar as pessoas a descobrir coisas novas. Agora quem não rebolar e colocar energia criativa para a criação de conteúdo atraente some de vista.
Minha esperança é que isso ajude aos museus a entenderem que, tanto para o mundo online ou offline, a regra é a mesma. Relacionamento e conteúdo relevante é o que faz o mundo girar. Alexandre Accioly e Luiz Calainho sabem disso e aplicaram na feira ArtRio.
Temos o maior problema em relacionar branding e cultura. Acreditamos que cultura é "sacra" e branding uma coisa do mundo corporativo. Pois bem, está na hora de rever esses conceitos.
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