Marechal Deodoro, Patrimônio Histórico Nacional

Grilos da Garça em Marechal. Foto: Marcelo Albuquerque
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Marcelo Cabral · Maceió, AL
25/8/2006 · 113 · 1
 

No dia 17 de agosto de 2006, uma quinta-feira de sol e chuva, a cidade da Marechal Deodoro, primeira capital de Alagoas e berço do proclamador da república, foi tombada pelo Patrimônio Histórico Nacional. O ministro da cultura Gilberto Gil esteve presente na solenidade para assinar o documento e participar das festividades.

No palco montado às margens da Lagoa Manguaba, o ministro falou com os deodorenses, e, ao lado do artesão luthier e músico Nelson da Rabeca, afirmou que estava ali “corrigindo um erro”, em relação ao atraso no reconhecimento da cidade. Gil tocou algumas notas na rabeca presenteada por Seu Nelson e arriscou um repente de improviso.

Na ocasião falou sobre o programa de mestres dos saberes populares, do Ministério da Cultura, que é o reconhecimento institucional dos mestres, e afirmou que “Nelson da Rabeca é um mestre dos saberes e fazeres populares, e se é reconhecido assim pelo povo, que seja também institucionalmente via órgão estadual de cultura”.

Nelson é um senhor humilde, um ex-cortador de cana que aprendeu sozinho a fazer seu instrumento musical. Na estrada que dá acesso à cidade de Marechal Deodoro, tem uma estátua do Seu Nelson, como todos o chamam, sentado ali tocando sua rabeca, com aquele sorriso encantado que só quem já viveu muito uma vida simples sabe sorrir.

Já não era sem tempo para Marechal Deodoro, com suas igrejas caindo aos pedaços, que resistiu a invasões holandesas (e portuguesas?), mas quase não resistiu à burocracia do Governo Federal. Que bom que ainda é tempo pro Seu Nelson, nada como a homenagem em vida, e viva o patrimônio imaterial do Brasil!

Depois de oficializado o tombamento, o ministro foi conhecer a casa/museu onde nasceu Marechal Deodoro da Fonseca, e seguiu para a coletiva de imprensa no Museu de Arte Sacra, onde foi recebido pelo Coretfal - Associação de Coralistas do Centro Federal de Educação Tecnológica de Alagoas. Esse pessoal fez uma apresentação realmente bonita, aquelas vozes ecoando no pátio daquele convento barroco foi uma coisa linda de se ver e ouvir.

Na coletiva, Gilberto Gil disse que “comunidades de municípios como Marechal Deodoro, com características históricas e culturais similares, devem mobilizar politicamente sua população para que pressione o governo através de abaixo-assinados ou outros instrumentos, visando o reconhecimento das suas cidades. Não esperar somente o garimpo do Estado, que deve sim, atender às demandas dessas comunidades”.

O presidente do Iphan, Instituto Nacional do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, Luiz Fernando de Almeida, também estava presente e afirmou que os primeiros recursos emergenciais serão destinados a reconstrução do teto da Igreja Santa Maria Madalena, depois disso serão criadas as equipes de restauração dos altares e interiores.

A festa do povo e a música das crianças

Logo pela manhã, Marechal Deodoro colocou as bandas filarmônicas de suas tradicionais escolas de música nas ruas de casario secular, cada qual com suas cores e seus meninos tocadores, marchando ladeira abaixo rumo à Lagoa Manguaba. Durante a tarde inteira, as bandas de fanfarra das escolas do município se apresentaram pelas ruas da cidade.

Além dos mini-músicos locais, vários Pontos de Cultura do estado apresentaram os produtos dos trabalhos desenvolvidos, como os Grilos da Garça (foto), pequenos da Casa da Arte em Garça Torta, e a banda percussiva dos Guerreiros da Vila, jovens catadores e filhos de catadores de materiais recicláveis da Vila Emater. Do sul do estado veio o grupo Caçuazinho, versão mirim do Grupo Caçuá, município de Piaçabuçu, que canta as coisas das beiras do Rio São Francisco.

E foi assim, um sem fim de crianças fazendo música, no dia em que Marechal Deodoro, 370 anos depois, foi reconhecida como Patrimônio Histórico do Brasil.

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GSousa Jr
 

Alguns meses depois da visita do Ministro da Cultura, Gilberto Gil, visitar Marechal Deodoro, o que temos no inicio de 2008 é uma manchete policial denunciando abusos com a família de Nelson da Rabeca.

Será que jamais iremos progredir?

GSousa Jr · Maceió, AL 7/2/2008 09:43
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