Diálogos de fácil entendimento, piadas rápidas e rasteiras e altas cenas de sensualidade (em especial homens sem camisa) sempre foram caracterÃstica de tramas assinadas por Carlos Lombardi no horário das 19h. Quatro por quatro, Uga uga e Kubanacan são alguns dos exemplos de novelas que vivem "ao sabor da piada" na grade da TV Globo. Entretanto, Pé na jaca, sua atual novela das sete traz um diferencial: um destaque para carga dramática, com direito a temas sobrenaturais e até a insinuação à pedofilia.
A expressão "pé na jaca" parece perfeita para as novelas de Lombardi. Por isto, o folhetim de mesmo nome do dito popular prometia trazer mais explicitamente ainda as caracterÃsticas que consagraram o autor paulista na escrita de comédias globais. Só que, numa aventura de alto risco, o novelista resolveu meter o pé em outra área que não a linguagem de histórias em quadrinhos.
O carregar das tintas recaiu justamente sobre Marcos Pasquim, ator designado por Carlos Lombardi para fazer o "mocinho" de suas tramas nesta década de 2000 (na década anterior, o protagonista era Humberto Martins, e nos distantes anos 80, o papel cabia a Mário Gomes). Além de fazer o "super-herói" de sempre, com suas manobras arriscadas, seu carisma e sua caracterÃstica de ter todas as mulheres aos seus pés e todos os maridos nos seus encalços, Pasquim tem em seu Lance (ou Tico, outro "codinome" para Antônio Carlos Lancelotti) muitas situações que não despertam riso.
Além de problemas com o alcoolismo (perfeitamente abordada tanto em texto quanto em atuação), Lance foi acusado de estuprar uma menor de idade - surpreendente questão abordada num horário em que não há tantos adultos em frente à TV (mas era inocente) - e, alguns capÃtulos atrás, passou a conviver com outra situação delicada: a paranormalidade.
O personagem descobriu o poder de transmitir para si a dor de uma pessoa - o que, inclusive, fez com que quase morresse, ao curar o pai de um enfarte. A transformação fez com que Lance deixasse de lado as cenas de perseguição pelas ruas da cidade de Deus me Livre para freqüentar durante vários capÃtulos um quarto de hospital.
Após mais de duas décadas fazendo o público enfiar o "pé na jaca" nas suas histórias rocambolescas, Carlos Lombardi agora faz os espectadores caminharem também pela trilha do drama. Espera-se que, com sua experiência em folhetins, Lombardi saiba por onde sua escrita está pisando.
Fala VinÃcius! Muito bom encontrar textos seus por aqui.
Confesso que, depois de ler, fiquei até com vontade de conferir a novela. E se eu não a vejo não é por nenhuma birra infantil contra folhetins não: no horário da novela que tenho meus encontros mais 'intensos' com a ponte Rio-Niterói hehehehe
Fica para uma próxima.
abs!
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