Rennó entrevista Romulo Fróes, canta-autor.

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Carlos Gomes · Recife, PE
9/10/2008 · 83 · 1
 

“homens nobres, homens sambas, homens cadência” – Alberto Infante, Diário Austral.

“tenho medo de termos como: Música Oficial” – Barbara Woolfer, Revista de Cinema.

“sambas plásticos... ” – Oscar & Pablo, Caderno Cultural.

“Villa-Lobos salvou o Brasil da mediocridade, aqui na França ele é respeitado, mas só aqui...” – Albert Chevalier, Le monde Decadence.

“Cartola saudaria com flores e melodias as canções destes meninos” – Clarice Flor, Suplemento Palavra.

“são uma gente moderna e descolada de Sampa... adoro eles” – Anônimo, Fã Clube.

“essa nova onda de samba me dá medo... e como esse cara canta triste!” – Poeta Anônimo, Clube de Literatura dos Corações Solitários do Sargento Carrero.



Depois de um longo mês sem entrevistas - estive compondo canções francesas -, posto agora a entrevista que fiz com Romulo Fróes, que tem dois discos lançados...


Júlio Rennó: No seu primeiro disco lançado (Calado), você explorou o universo do samba. O samba pode ser considerado algo amplo e infinito? Ou o samba poder ser visto apenas como uma prisão?

Romulo Fróes: O samba é a música oficial brasileira, qualquer artista que queira dialogar com nossa tradição, necessariamente tem que passar por ele. Quanto aos limites desse diálogo depende de cada artista. Para mim o terreno do samba é, e será sempre, extremamente fértil.

Rennó: Há incidência em suas composições de outras áreas artísticas? Já teve vontade de fazer uma música sobre um filme ou uma instalação?

Fróes: Você deve estar me perguntando isso porque talvez saiba de meu trabalho formal fora da música. Sou assistente do artista plástico Nuno Ramos, que além de chefe é meu parceiro nas composições, além do Clima, meu outro parceiro, também artista plástico.

É claro que outras áreas da cultura me influenciam, mais no sentido da formação de um diálogo com a canção do que propriamente na citação literal de outras obras artísticas. Acho complicado fazer uma canção citando uma obra do Goeldi, Beys, Pollock, Antonioni, Goddard ou Fellini pra citar só alguns de meus artistas preferidos.

Tudo o que sei a respeito de arte não precisa ser dito numa canção, mas tudo o que sei está nas canções que faço. Por exemplo, acho que tenho um comportamento em relação à música que vem muito mais da minha relação com as artes plásticas do que minha experiência com outros músicos.

No meu novo disco, que vai se chamar No Chão Sem o Chão, tento reverter um pouco isso, a banda (Fábio Sá - baixo. Curumin - bateria e Guilherme Held - guitarra) está muito mais presente do que nos meus outros trabalhos, tendo mesmo participado diretamente nas composições, algo novo pra mim, já que antes a banda se encarregava apenas de emoldurar as canções que eu já trazia prontas.

Rennó: Como nasceram as suas primeiras músicas? Como morreram as suas primeiras canções?

Fróes: As primeiras nasceram assim que eu aprendia a tocar violão e a conseguir montar novos acordes, a cada acorde novo uma nova canção. As que morreram, morreram da mesma forma que continuam morrendo, o tempo passa e se elas não encontram seu lugar vão sendo esquecidas.

Rennó: A música é uma arte que causa medo?

Fróes: Medo, angústia, alegria, tristeza, paixão... Na arte é onde os sentimentos encontram sua melhor maneira de existirem.

Rennó: "Villa-Lobos subia o morro para ver Cartola cantar". A música erudita continua subindo este morro? Existe, realmente, uma música eruditabrasileira? Há erudição no samba?

Fróes: Não conheço música erudita, brasileira ou não, mas quando se fala em “erudição no samba”, talvez estejamos tentando o comparar à música erudita, aumentando seu valor, se considerarmos esta uma música maior, assim como costumeiramente acontece com o jazz.

No Brasil, definitivamente, isso não acontece. A canção popular é nossa realeza, é onde nossa identidade se constrói, não é preciso a benção de ninguém para se realizar, ao contrário, outras formas de expressão artística é que buscam na canção popular brasileira inspiração para seus trabalhos, como o cinema, as artes plásticas, ou a literatura. Villa Lobos subiu o morro, ele quis uma audiência com o Rei.


Um refrão de canção inglesa, um título de samba e uma nova voz feminina por Romulo Fróes.

God Save the Queen, do Sex Pistols

Luz Negra, do gênio Nelson Cavaquinho

uma nova voz, das maiores dos últimos tempos, Mariana Aydar

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Carlos Gomes
 

escrita originalmente no blog: www.outroscriticos.blogspot.com

Carlos Gomes · Recife, PE 6/10/2008 11:59
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