„If you hold a stone, hold it in your hand
If you feel the weight, you’ll never be late
To understand“ Caetano Veloso
Do topo deste momento em que já se tornara – e isso desde antes do fatÃdico show Prenda Minha - „esporte popular“ criticar veemente Caetano Veloso – como alguém já o dissera – ouso erguer minha voz neste texto não para condenar ou julgar as atitudes de Caetano na atualidade, mas sim para lembrar da genialidade deste compositor baiano e o quanto ele alavancara e ao mesmo tempo atravancara o desenvolvimento da Música Popular Brasileira.
Juntamente com Gilberto Gil, Os Mutantes, Gal Costa, Nara Leão e o ainda estudioso Tom Zé Caetano lançara um movimento que marcou e influenciou a MPB até o inÃcio deste século. Para ser exato; até o advento dos Tribalistas. A Tropicália é pra mim o Modernismo de 1922 devidamente revisado e ampliado consequentemente aplicado à Música Popular Brasileira.
Eu considero - e sei que poderei fazer inúmeras inimizades com tais palavras – uma temeridade absurda o que já ouvi de supostos crÃticos e defensores „amantes“ da melhor música que o Brasil tem para oferecer (sic). Por isso tirei o meu chapéu, que nunca trago comigo e que só tiro raramente para alguém; para Adriana Calcanhotto. Enquanto muitos esbravejavam irracionais, movidos por um estúpido orgulho ferido, ela foi sensata e convidara a todos nós a participar de um banquete. E quão me deliciei ao morder a lÃngua! Essa é a música brasileira que tanto amo!. Aberta ao novo sempre! Atemporal. E exatamente por isso com uma grande capacidade de se renovar, se reinventar calando os caretas que clamam sempre por ordem, „respeitem a tradição!“ e só amam – ao contrário d´Eles de Caetano - no passado.
Eu sempre me pergunto, que gente é essa? E sinceramente não consigo imaginar uma resposta! Aqui cabe uma breve ressalva: Eu sei, aprendi a reconhecer isso, que eu „também sei ser careta, de perto ninguém é normal!“
Talvez isso se deva ao fato de eu ser positivo demais. Eu insisto em crer no que há de bom no ser humano. Saber, por exemplo, que existem pessoas capazes de despediçar seu valioso tempo neste plano de existência para escrever e coletar imagens bonitinhas e frases feitas melosas para criar mensagens do tipo corrente do bem em apresentações de PowerPoint e ainda ter a coragem de sair destribuindo todo esse lixo eletrônico pelo mundo virtual afora me deprime!
Retomando o tema principal; Sei que o pessoal da Revista Bundas – de que sou orgulhoso detentor do número 1 – nunca gostou muito de Caetano. O que pra ele também não é nehuma novidade! Desde o fenômeno O Pasquim aqueles que achavam inteligente sempre se posicionar à esquerda no final dos anos 60 e durante os anos 70 – perÃodo do trágico auge da truculenta ditadura militar no Brasil – já atacavam Caetano Veloso irritados com o seu „É proibido proibir“ em que ele teve ao se apresentar num Festival da antiga Record - pré-evangélica - coragem de dizer o que muitos engoliam na época a seco; eles implicaram com o seu „Divino Maravilhoso“ e com o mantra Odara que, como se pode ouvir no link ,até já chegou ao século XXI.
Caetano Veloso nos presenteara em seu livro „Verdade Tropical“ com uma rara mudança de perspectiva. Podemos assim acompanhar o surgimento do Tropicalismo bem de perto, as excitações, as frustrações, as promessas de felicidade do movimento, que terminou prematuramente com a prisão e o exÃlio em Londres. Ele nos conta também de sua infância e da bela relação com sua irmã caçula, a quem teria dado o nome do sucesso que tocava nas rádios na época que ela nascera. Quisera o destino, o acaso quiçá, que ele confiasse exatamente a ela mais tarde a sua primeira canção; „É de Manhã“. Maravilhosamente apresentada por VinÃcius de Moraes no show en La Fusa.
Na minha humilde opinião é o legado de Caetano Veloso tão amplo e multifacetado quanto o de Chico Buarque. Vejo até certos pontos de interseção temáticos entre a obra de ambos como em Fado Tropical e Os Argonautas ou ainda em Paratodos e Pra Ninguém.
O Caetano de que mais gosto entre os tantos que existem, é o da nossa Terra e o das inúmeras luas, que ora ao Tempo, o dos Livros transcendentes e tateáveis, que Zera a Reza da mesma forma como segue a Vaca Profana e com sua estúpida retórica(sic) denuncia anunciando os Pobres Poderes . Que dá som ao Pulsar de Augusto de Campos e ao Circuladô de Fulô de Haroldo de Campos. E por fim, além de tudo isso, o parceiro de José Miguel Wisnik e de Gregório de Matos.
Este é também Caetano Veloso, quem se esquece ou ignora isso erra por ser omisso ou como ele mesmo costuma dizer; „ou não...“
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