Rodrigo Dupeyrat de Santana, 21 anos, é um tÃpico jovem carioca. Gosta de cinema, sair com os amigos, assistir televisão e de mexer na internet. Mas tem uma caracterÃstica que o torna quase único: ao contrário dos seus colegas de colégio, cursos ou faculdade, ele não é flamenguista, tricolor ou vascaÃno. Escolheu o América como seu clube do coração.
Desde que, por influência do seu pai, optou pelo clube tijucano, sempre encontrou dificuldades para acompanhar o América. O Rubro não jogava, os jornais não davam notÃcias. Seus amigos de classe, ao saberem da preferência futebolÃstica do garoto, riam ou, ingênuos, pensavam que ele torcia para a ¨Seleção das Américas¨.
O primeiro jogo foi Édson Passos. Pela seletiva do Carioca de 2000, o América bateu o Olaria por 2 a 0 e fez Rodrigo acreditar que o Diabo era o clube vencedor que o seu pai sempre dizia; e não aquele time inexpressivo que os seus amigos de colégio cismavam em tripudiar. Mas na estréia no Maracanã, a derrota de 5 a 0 para o Flamengo prenunciava anos difÃceis para o garoto.
Foi a partir do ano 2000 que ele começou a acompanhar os campeonatos mais assiduamente. Mas a rotina, claro, não era nem um pouco fácil. Os jogos, salvo os contra os ¨quatro grandes¨, não tinham transmissão de tv. Tampouco os gols passavam à noite no Fantástico. A cobertura da grande mÃdia era Ãnfima. Sua única fonte de notÃcias eram amigos do seu pai, que o ligavam para passar novas informações de dentro do clube.
Depois, com a popularização cada vez maior da Internet, foi criado o ¨Sanguenet¨, fórum de discussões onde alguns torcedores se reuniam para debater o presente do América e procurar notÃcias.
Mas, nesse sentido, nada foi melhor do que a explosão do site de relacionamentos Orkut, a partir de 2004. Alguém pensa que os americanos mais fanáticos têm conta no site para postar novas fotos e escrever depoimentos? O principal objetivo é o de fazer parte da comunidade ¨América Football Club¨ para ler as novidades, que muitas das vezes são trazidas por próprios membros da diretoria.
O único momento que Rodrigo presenciou com o seu time em evidência foi durante o carioca de 2006. A semana da final da Taça Guanabara com o Botafogo foi mágica: notÃcias diárias em todos os veÃculos, mal conseguia dormir com a espera pelo jogo. No domingo, à s 13 hs já se encontrava no Maraca cantando e balançando bandeiras. Mas a derrota por 3 a 1, em um jogo cercado por polêmicas, foi um duro golpe.
E o rebaixamento para a Série B do Estadual, dois anos mais tarde, parecia decretar um ostracismo sem volta. O clube tinha muitas dÃvidas, uma torcida desacreditada, e só voltaria a jogar no segundo semestre de 2009.
Mas a chegada de um velho conhecido dos torcedores, o ex-jogador Romário, encheu novamente os americanos de esperança. O Baixinho foi para Campos Salles ser manager do clube para ajudar no processo de reestruturação da instituição, buscando o retorno do América à Primeira Divisão do Carioca já no ano que vem. Os rubros agora torcem para que o ex-craque da camisa 11 seja tão bom nos bastidores como era dentro das quatro linhas.
Rodrigo e seu pai já sonham com uma vitória na final do campeonato de 2010 em cima do Botafogo. Aquela decisão de 2006 ainda está entalada, e o grito de campeão, preso na garganta.
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