No projeto dedicado à figura de Ícaro, a fragilidade humana é o grande instrumento de Daniele Finzi Pasca. O clown protagoniza um espetáculo mágico, repleto de recursos expressivos e poesia, cujos temas principais são a luta contra o destino, além da resistência à dor e à doença. O monólogo, escrito, dirigido e interpretado por Daniele Finzi Pasca, fundador do Teatro Sunil, chega a São Paulo como parte do programa Cena Estrangeira, realizado pela Secretaria de Estado da Cultura e produzido pela APAA – Associação Paulista dos Amigos da Arte.
Escrita no breve período de prisão em que o autor passou na Suíça, por não servir ao exército, a peça testemunha a luta contra o poder, a doença, o cheiro da morte. A história retrata um paciente recém-chegado em um hospital psiquiátrico, que conhece seu companheiro de quarto. Juntos, para vencer a insônia e a solidão, partem em uma viagem imaginária, se revoltando contra o destino que lhes prende entre os lençóis da cama do hospital. Assim, a força das palavras torna-se protagonista e o palhaço é o artesão de pequenos milagres, de fugas excepcionais.
“Imaginei o espetáculo para um só espectador... para um herói desconhecido”, brinca Daniele que, durante a peça, escolhe uma pessoa do público para ser seu companheiro de “quarto”. “Em Ícaro, queria falar de esperança, mas trazendo à vida os anti-heróis, que é como a maioria das pessoas se enxerga. A este personagem cabe traçar a história de todos aqueles que, de certa forma, vivem a derrota, uma derrota que no jogo burlesco se anima de cores e epopéias”, reflete o autor sobre a essência do espetáculo.
Apresentado há quinze anos, mais de 700 vezes, em países de todo o mundo e interpretado em seis idiomas diferentes, Ícaro chega ao palco do teatro Sérgio Cardoso em português. Elementos lúdicos como mímica, improviso são pilares da interpretação do clown nato Finzi Pasca. Tais qualidades são a base do Teatro Sunil, que deu origem a uma técnica teatral intitulada de Teatro della Carezza (Teatro do Carinho).
Teatro Sunil – Fundado em 1983, em Lugano (Suíça) por Daniele Finzi Pasca, o Sunil produziu mais de 30 espetáculos diferentes de teatro e dança e trabalhou com cerca de 200 artistas de diversos países. O grupo formou um núcleo sólido composto por Daniele Finzi Pasca, Maria Bonzanigo, Marco Finzi Pasca, Hugo Gargiulo, Dolores Heredia e Antonio Vergamini, todos atores, diretores e dramaturgos. A companhia já se apresentou em 25 países com suas próprias peças e co-produziu outros espetáculos de diversas nacionalidades. Finzi Pasca dirigiu criações para companhias como Cirque Eloize (Nomade - At night, the sky is endless e Rain - Comme une pluie dans tes yeux) e para o Cirque de Soleil (Corteo), além d a cerimônia de encerramento dos Jogos Olímpicos de Turim 2006. No Brasil, o Teatro Sunil apresentou Icaro (1992 e 2004), Viaggio al confine, 1337 e Percossi Obbligati.
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