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“A ORDINÁRIA DE DEUS”

Marcelo Uchoa
ilustração - sem título
1
Marcelo Uchoa · Aracaju, SE
25/10/2006 · 66 · 2
 

Esteve recentemente em temporada no Auditório Lourival Batista, em Aracaju, às quintas e sextas-feiras, sempre às 19 horas, o espetáculo teatral “A Ordinária de Deus”, uma surpreendente e agradável opção cultural para os fins de tarde em Aracaju.

O texto de José Luiz Nicácio é um monólogo, que naturalmente exige muito do ator, a direção foi de Isaac Enéas Galvão, e o talento, do eclético ator sergipano, Luiz Carlos Reis.

Uma viúva solitária, temente a Deus, fecha um pacto com o mesmo para, somente quando estiver sozinha, maldizer a ‘nora’, namorada do filho. Ela sempre agiu assim e sempre conseguiu seu objetivo: supervisionar as namoradas do filho, infernizando-as, até espantá-las. Entretanto, e ai está a grande sacada do texto, ela se vê agora diante de uma adversária linha dura, ‘ordinária’, como ela mesma diz, que devolve na mesma moeda tudo o que lhe é ofertado. Rica, fina, elegante, decidida. Todas as virtudes que a senhora julga possuir, ela sabe que a outra já as tem. É como se as duas fossem a mesma pessoa, só que em tempos diferentes, colocadas frente a frente; ela com sessenta anos, diante dela mesma, com vinte, provocando no público a dúvida sobre quem é mais “Ordinária”, se a nora ou a sogra, se a experiência ou a jovialidade.

Subtende-se, com o transcorrer da trama, tratar-se de uma casa muito grande, com vários compartimentos, possuindo, inclusive, uma biblioteca onde o jovem filho costuma recolher-se. Sendo a senhora viúva, herdou fortuna e usufrui de vida tranqüila, regada com o que há de melhor.

O cenário, realista, apresentava dois ambientes: uma sala com duas cadeiras e mesa de centro sobre a qual se encontra a bandeja com o bule de chá e as xícaras, constantemente utilizadas pela senhora, além de um porta retrato com foto do filho. É nesta sala que acontecem os diálogos entre a nora e a sogra (revezamento entre as personagens por parte do ator). O outro ambiente é um santuário; um altar com santo e velas sempre acesas. É aqui, sozinha, rasgando a foto da outra, que a senhora, realmente, destila seu rancor pela nora. Cenário de concepção simples permitiu que fosse montado rapidamente em qualquer lugar.

O figurino e a maquiagem do ator ficam a cargo do competente Hélio Santos, profundo conhecedor de estilos e épocas. A concepção do espetáculo e a sonoplastia são do jovem André Luiz, que também opera a luz e o som.

A “Ordinária” de Deus é o terceiro monólogo protagonizado pelo ator Luiz Carlos Reis em Aracaju, sendo o segundo seguido em que o ator interpreta uma mulher. O outro foi a peça Os Olhos Verdes da Neurose onde uma mulher conversa com médicos imaginários. Entretanto, não se pode dizer que o ator se repita. Em absolutamente nada a megera sogra de Ordinária de Deus nos lembra a esquizofrênica mulher de Os Olhos Verdes Da Neurose. O ator apresenta total controle sobre a personagem. O que se vê é um belíssimo trabalho de interpretação.

Para todos aqueles que gostam de teatro com qualidade e admiram a boa arte da dramaturgia sergipana, a “Ordinária “de Deus foi, sem soma de dúvidas, uma agradável opção para os fins de tarde em Aracaju.



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Marcelo Uchoa
 

Ah!!!! Uma dica: tem espetáculo novo do ator em cartaz quem quiser mais informação tem o toque ai:http://www.overmundo.com.br/agenda/o-longo-caminho-que-vai-de-zero-a-ene

Marcelo Uchoa · Aracaju, SE 22/10/2006 18:26
3 pessoas acharam útil · sua opinião: subir
apple
 

Ciúmes do filho, parece... Acho "burrice" porque cada pessoa tem o seu lugar ... a mãe, a namorada!

Como que fica? Parece que tem uma ligação do ciúme com o egoísmo, né? Isso "puxa" uma "viseira", uma falta de sensibilidade para com as necessidades alheias.

O mundo está cheio desse tipo de coisa, não?

apple · Juiz de Fora, MG 24/10/2006 23:47
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