Aff Brasil !!!

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Adriel Diniz · Porto Velho, RO
3/7/2006 · 67 · 1
 

Vão-se os lá os dias e já foram quatro anos. Confesso aqui, e que não se espalhe aos apaixonados torcedores, não me empolgo muito na torcida pela seleção canarinho. Mas, como não vivo em Marte e sim no país do futebol, não tem jeito. Acabamos todos envolvidos pela Copa do Mundo. E aff Brasil! Que sufoco. As unhas, que já não eram grandes, vão cada vez menores assistir comigo aos jogos. Sim, voltando ao texto. Antes, porém, outra confissão. Este artigo não começaria assim. Era uma história de como vi Brasil e Croácia, no primeiro jogo brasileiro na Copa, entretanto, ao perceber que a mística se repetia, decidi reescrever, antes que os franceses possam nos tirar o gostinho ou me aquiete em algum lugar.
No tal dia, o 13 do mês do junho, foi assim. Inquieto. Combinei com uns amigos que assistiria ao jogo na família de um deles. Nordestinos e zuadentos. Engraçado como sei lá o que. Saindo às pressas do jornal onde trabalho, percebi que o adiantar da hora impediria que visse os jogadores perfilados, o hino, etc.
No caminho, a televisão de uma farmácia permitiu que eu visse o apito inicial. No caminho ainda, uma parada para comprar água e pronto. Mais uma espiadinha na televisão. Cheguei com sorte antes do início do segundo tempo. Lá vi o final do jogo, sem graça achei, mas não deixei de aparar as unhas.
E lá vinha outra batalha. Desta vez os gigantes da Austrália. Tudo combinado. Iria pegar uma amiga que chegaria de viagem pouco antes do jogo e estaria sem falta na casa de um outro amigo. Tal não foi a surpresa. Duas horas antes do começo do jogo, me liga a tal amiga: "perdi o ônibus e chegarei na hora do jogo". Não saí de casa. Lá vi o início do jogo. Toca o telefone e lá vou eu à rodoviária buscá-la. Junto dos taxistas e mendigos vi o gol do Adriano, que aliviou um pouco o jogo, um tanto tenso. Depois fomos os dois àquela casa dos tais paraibanos. "Tinha mais menino que gente", como disse um dos anfitriões e por conta da baderna, não vi o gol do Fred na hora. O qual pude conferir depois que deveria ter sido do Robinho. Dois a zero e está bom.
No terceiro jogo, pensei que não mais fosse ficar feito andarilho durante a partida. Pensei. Desta vez estava tudo certo. Não chegaria ninguém, não iria trabalhar. Um primor. Menos pelo almoço. Deu a hora do jogo e não tinha comido. Nem eu, nem a turma que se juntou a mim na missão de correr pela cidade enquanto todos viam ao jogo do Brasil. Como era de se pensar, ninguém queria ficar servindo refeições enquanto Parreira testava uma nova formação, mas ágil e ofensiva no time brasileiro. Quando encontramos, enfim, o que comer, já se passavam quinze minutos do primeiro tempo. Tinha televisão e era grande. Ficamos por lá o primeiro tempo todo. A conversa depois da comida e fomos ao local combinado ver o jogo. Atrasados, perdemos mais um pedaço da partida. Mas deu para ver que a seleção jogou melhor, mais solta e que, realmente, já começara a dar sorte esse negócio de não dar certo o que era marcado.

E vieram as oitavas

Eu já tinha me convencido de que, mesmo percebendo as coincidências, veria o jogo num só lugar desta vez. Mas minha gana não deu certo de novo. Os adversários eram os ganeses. No meio de uma avenida, perdi a hora de novo, vi o começo e hino numa lanchonete que achou de existir ao lado do semáforo, quando eu mais precisei não ultrapassar o sinal vermelho. De lá, relutante, cheguei à casa de uma tia, onde vi o restante da partida. Vencemos de novo. E agora eu já decidi. Não marco mais nada e vou continuar a correr pelas ruas de Porto Velho, que aliás, estão coloridas com o verde o amarelo da nossa bandeira. Quando passo por elas, nos dias de jogo, vejo na calmaria, a agitação das bandeirolas que se balançam com o vento solidário que nos invade nos quentes dias de copa da capital de Rondônia. E que venham franceses e outros gringos, onde eu estiver farei minha fé pelos canarinhos.
Ah e os jogos ? Prefiro quando o Juninho e o Robinho jogam.

O texto que você acabou de ler faz parte de uma série sugerida e organizada pela comunidade do Overmundo. A proposta é construir um panorama da estréia do Brasil na Copa da Alemanha, sob a ótica de colaboradores espalhados por todo o país. Para ler mais relatos sobre o assunto busque pela tag Especial_Copa, no sistema de busca do Overmundo.

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Marcos Paulo
 

Engraçado. Quase todos os jogos do Brasil eu assisti contigo. E o lance do almoço, então. Mó zuera! Maneiro!
Valeu, Adrieeeel!

Marcos Paulo · Rio de Janeiro, RJ 30/6/2006 10:59
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