Aleatoriedade da demanda – as bases de satisfação e utilidade provenientes do consumo de música apresentam um caráter intrinsecamente subjetivo, e dão à demanda de produtos musicais um grau de aleatoriedade e um risco econômico significativamente superiores que a dos produtos tradicionais.
Simetrias de desconhecimento – por um lado, o produtor fonográfico, a princípio, não tem como saber se um disco será ou não bem recebido pelos consumidores; por outro lado, os consumidores só conhecerão os atributos do disco depois que este foi adquirido e utilizado.
Relações culturais e sociais do produto musical – o gosto do consumidor e seu padrão de compra estão fortemente relacionados à estética da moda e às tendências populares; fenômenos como comportamentos de massa têm fortes implicações na demanda da música gravada e na organização da indústria.
Estrutura de custos – a produção desse tipo de bem de consumo representa altos custos fixos e baixos custos variáveis; os custos ligados à gravação de um disco são altos e representam fundos perdidos, já que são investimentos irrecuperáveis; enquanto que o custo para a fabricação adicional de um CD (custo variável) é extremamente baixo, cerca de R$ 1,00. A irreversibilidade do investimento aumenta os riscos associados à atividade e agrava ainda mais o problema da incerteza nessa indústria.
Ciclo de vida dos produtos – o ciclo de vida dos produtos musicais populares são normalmente curtos; o mercado fonográfico pode ser entendido como a superposição de uma ampla gama de ciclos de produtos; alguns deles conquistam segmentos importantes de mercado e geram ganhos significativos, marcando uma nova linha de inovação ou paradigma musical.
Um bem de luxo – a música gravada é considerada um bem de custo elevado ou de luxo, dada a alta elasticidade da demanda que apresenta; isto significa que uma queda no nível de renda dos consumidores tem um impacto negativo proporcional sobre as vendas, e vice-versa.
Tamanho do mercado - quanto menor o mercado consumidor, mais restrita é a oferta de produtos musicais diversificados; ou seja, a diversidade criativa fica restrita aos limites impostos pelo tamanho do mercado; sem um mercado consumidor que garanta viabilidade econômica não há remuneração dos agentes nem retorno financeiro do projeto musical.
FONTE: A Indústria do Disco – economia das pequenas e médias gravadoras da indústria fonográfica da cidade de Buenos Aires (César Palmeiro, Observatório de Estudos Culturais).
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