Camelódromo da Praça XV - improviso, comunicação e auto-organização

A PEDRA
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Julia Aguiar · Porto Alegre, RS
1/4/2008 · 148 · 0
 

A estatística oficial mostra que a economia informal ocupa hoje aproximadamente um quarto dos trabalhadores urbanos do país e que, desse total, aproximadamente uma quinta parte se dedica ao comércio de rua, ou ambulante, em suas diferentes modalidades. A presença do comércio de rua especialmente nas áreas centrais das grandes cidades brasileiras é natural. Não apenas hoje mas, ao que parece, desde sempre. De fato, historicamente, a reunião e a movimentação de mercadores nas áreas centrais vem sendo elemento chave na construção daquilo que pode ser denominado como o imaginário de rua das nossas grandes metrópoles. Os vendedores ambulantes, sugere o Arquiteto Jorge Dios (2007), estudioso do assunto, seriam imprescindíveis na valorização simbólica da cidade bem como em toda a representação urbana. Diz ele:

sabemos que as representações, juntamente com a economia, o planejamento e a arquitetura, também constroem a cidade e os ambulantes, através da experiência coletiva, seriam marcas de leitura do patrimônio cultural.

O trabalho elaborado no que segue se posiciona nesse contexto e descreve uma situação, pode-se dizer, emblemática nesse campo de estudo, uma situação onde valores simplesmente funcionais e valores de representação se fundem numa situação urbana inusitada; o Camelódromo da Praça XV localizado na área central de Porto Alegre.
(O TRABALHO NA INTEGRA, ENCONTRA-SE A DISPOSIÇÃO NO BANCO DE CULTURA).

O Camelódromo da Praça XV é o corpo, a materialização, de uma coletividade. Ocupando o espaço público, a rua, em uma condição urbana radicalmente visível e exposta, tanto à intempérie, quanto ao movimento de pessoas - e a tudo mais que isso venha a ter de positivo ou negativo - o Camelódromo executa, diariamente, seus movimentos, sem cerimônia, em meio aos edifícios históricos do centro da cidade. É difícil atribuir individualidade a uma banca isoladamente, já que em muitos casos, a banca foi construída por um, o dono é outro, a mercadoria é de mais um e ainda, ocasionalmente, ela se emenda a uma banca vizinha, e por aí vai. E cada banca, com seus camelôs-atores, faz parte dessa rede, que se articula num processo de comunicação extremamente rápido e eficiente. Alguns chamam esse processo de fofoca, outros de conversa fiada. O fato é que a fala e o gesto entre camelôs, entre camelô e passante, entre camelô e cliente, é o que viabiliza a unidade dessas pessoas a ponto de, em momentos críticos, serem capazes de enfrentar a autoridade oficial e acreditarem em si próprios e na sua capacidade de luta; com o objetivo único, comum e maior de permanecer na rua.

Descrever o Camelódromo da Praça XV é a questão que motiva a realização deste trabalho; seus elementos constituintes e, naturalmente, os agentes produtores, as pessoas responsáveis pela produção dessa grande instalação, com seu modo de arranjo. Como se apresenta, como se comunica, como se levanta a cada dia, toma corpo, e como se desconstitui em inúmeras partes para novamente, no dia seguinte, renascer. A escolha pelo audiovisual, além da escrita, como meio de registro do lugar, se fundamenta no método de análise subjacente à nossa aproximação ao Camelódromo; o método Polifônico; que nos levou a registrar os movimentos da estrutura física do lugar, as imagens e vozes dos trabalhadores e os demais componentes estruturais que se manifestam simultaneamente na polifonia urbana, assim conceituada por Massimo Canevacci (2004). São múltiplas vozes, vindas não apenas da palavra falada, mas também de outras mídias; visuais, tácteis, olfativas e outras tantas.

A reportagem cinematográfica também resultante deste trabalho, batizada como Anos de Pedra (uma realização da Cooperativa Catarse - Coletivo de Comunicação, procura registrar essa percepção, de um lugar colorido, com tradição, muito humano e intenso, e que se comunica permanentemente através dessa pluralidade de linguagens. Assim, ao observarmos o Camelódromo da Praça XV desse modo, através do, assim denominado, método Polifônico, buscamos identificar essa variedade de aspectos que, em conjunto, constituem os diferentes textos originados por aquele lugar. Os procedimentos técnicos utilizados vieram então, por necessidade, a incluir uma diversidade de modos de registro; observações anotadas em diário de campo, entrevistas, gravações audiovisuais e ainda, em paralelo, as diferentes tarefas relacionadas à produção da reportagem cinematográfica Anos de Pedra.

Com o andamento do trabalho e as sucessivas visitas, observações, conversas e gravações, a organização do lugar se evidenciou cada vez mais rica. Uma questão inicial prática, que parecia ser resolvida simplesmente com descrições objetivas de rotinas (montagem e desmontagem de bancas), começa então a se mostrar, a cada passo, mais e mais complexa. E assim, mais que um relato objetivo, o trabalho se transforma no registro das relações estabelecidas entre a pesquisadora e o universo da Praça XV; a passagem de uma pessoa estranha pelo lugar.

O trabalho registra também uma mudança no modo de perceber o fenômeno Camelódromo. Esse processo fica evidente ao compararmos o projeto que deu origem ao trabalho, e o resultado final. O projeto tinha como base teórica as idéias de Hélio Oiticica, sobre a anti-arte ambiental, a Folkcomunicação, de Luiz Beltrão, e o espírito do Situacionismo, a deriva. Ocorre que muito embora o texto que segue faça pouca referência à linha conceitual inicialmente proposta, ele de fato permeia, a todo momento, o espírito da aproximação ao Camelódromo utilizado no trabalho que acontece então através de três diferentes perspectivas: a primeira ali buscando encontrar a obra de arte urbana, a segunda observando as formas comunicacionais desenvolvidas no lugar, e a terceira experimentando o Camelódromo utilizando-se da técnica do andar sem rumo, aliada à disposição de, como diz Canevacci, ‘tornar-se um corpo cheio de olhos’.

Nesse processo de descoberta, o Camelódromo começa a se mostrar uma totalidade coesa, seja socialmente, como uma corporação, seja fisicamente, como um sistema espacial. Daí a necessidade que tivemos em agregar uma outra teoria como base para a análise do lugar desde essa perspectiva; a, assim denominada teoria dos sistemas. Desde essa perspectiva o Camelódromo se apresenta como um organismo complexo. Um conjunto, que só se torna possível em virtude de uma unidade, não apenas estrutural - a semelhança de seus elementos materiais constituintes - mas também humana. As pessoas, ali dentro, terminam se identificando umas com as outras, a ponto de desenvolverem, no cotidiano, laços solidários, baseados num esforço conjunto, que naturalmente conduz a uma duradoura vida em coletivo, com muita solidariedade, companheirismo, vivida, em geral, com alegria e, necessariamente, com alguma malandragem. E tudo isso repercute, naturalmente, na peculiar espacialidade daquele lugar.

O Camelódromo da Praça XV é o povo; um lugar organizado e vivido pelo povo, com um código de leis próprio, um modo de falar, um jeito de ser e de se expressar, uma estética. Ele congrega comportamentos genuínos da cultura popular da cidade contemporânea. Como diz Massimo Canevacci, comportamentos ‘que a cidade inventa’. Estudar esse tipo de fenômeno social, econômico e cultural vem se tornando necessário num tempo em que somos bombardeados constantemente com notícias, informações e experiências sobre ações violentas praticadas no meio urbano. E o vilão da história, em geral, tende a ser o pobre. Canevacci sintetiza assim a questão:

Se não começarmos a entender qual a direção assumida pelos valores e modelos de comportamento que a cidade inventa, as formas ainda mais inovadoras e de vanguarda, a expansão ilimitada da cultura de massas, não se compreenderá nunca como são os pontos de referência, as distorções das partes mais marginalizadas de qualquer pais. (2004, p.41)

Este trabalho nasce de um reconhecimento e admiração, pelas pessoas que diariamente trazem à existência e dão vida à situações urbanas como a do Camelódromo. Nasce também, de uma curiosidade, misturada com fascinação, pelas formas e cores inventadas por aquele grupo de pessoas que se instala dia após dia naquele espaço da cidade denominado Praça XV. Partindo do trabalho de um grupo de pesquisa sediado na UFRGS, Universidade Federal do Rio Grande do Sul - o GEEA, Grupo de Estudos da Espacialidade Contemporânea, sob a coordenação do Prof. Douglas Aguiar - nosso ponto de partida é um olhar arquitetônico sobre o objeto Camelódromo. Assim sendo, arquitetonicamente falando, o lugar, apesar de sua carga histórica, é uma manifestação típica da cidade contemporânea; arquitetura do improviso, que se aproveita de espaços, brechas, falhas e interstícios no tecido urbano para se incrustar, uma arquitetura do movimento, efêmera, que se constrói e deconstrói em curtos intervalos de tempo, nesse caso, em ciclos diários.

As observações, realizadas ao longo de dois meses - agosto e setembro de 2007 - foram fundamentais ao conhecimento e à apreensão de diversos aspectos da rotina do Camelódromo; aspectos esses que não poderiam ser explicados apenas através de uma análise espacial. As sucessivas visitas foram também importantes ao criar uma familiaridade entre a pesquisadora e os camelôs, ao reconhecê-los no contexto do Camelódromo, conhecer a localização de cada um e as micro-comunidades que se formam entre camelôs localizados em um mesmo entorno imediato. Destaca-se aí naturalmente o papel da comunicação, acontecendo em múltiplas escalas; entre indivíduos, nas micro-comunidades e na escala global do Camelódromo. Observando a relação entre os camelôs, as conversas, a convivência diária, as amizades, percebe-se a importância do processo comunicacional na constituição da estrutura espacial e material do Camelódromo. Não se trata, nesse caso, da comunicação fria, característica da contemporaneidade digital, mas da comunicação quente, pessoa a pessoa; a fala, o gesto, os sentidos mais básicos. São esses elementos os que mantêm a coesão da estrutura.

Concomitantemente à realização da pesquisa de campo, tivemos acesso à dissertação de mestrado da antropóloga Prof. Dra. Rosana Pinheiro Machado (2004). Essa pesquisa foi fundamental ao apontar caminhos para a elucidação de inúmeros aspectos então obscuros na pesquisa. E foi uma expressão da fala, própria dos camelôs, o que passou a nortear dali para frente a realização do trabalho, a busca por entrevistados e, conseqüentemente, muito do conteúdo coletado para elaboração deste trabalho escrito. Anos de Pedra, essa é a expressão que dá significado aos muitos anos passados trabalhando no asfalto, na ‘pedra’, enfrentando frio, calor, chuva, problemas de saúde, fiscalização, e todas as incertezas que envolvem a rotina do vendedor ambulante na busca do seu sustento. São anos marcados na pele; anos de luta na rua.

Na busca de um olhar polifônico sobre o Camelódromo da Praça XV, foi realizado um conjunto de entrevistas; as, assim denominadas entrevistas em profundidade semi-estruturadas. Na linha sugerida por Jorge Duarte (2006, p.62-63), a entrevista individual em profundidade é uma ‘técnica qualitativa que explora um assunto a partir da busca de informações, percepções e experiências de informantes para analisá-las e apresentá-las de forma estruturada’. Esse tipo de metodologia permite identificar diferentes maneiras de perceber e descrever os fenômenos. Assim, é através da experiência subjetiva de uma fonte que a entrevista fornecerá informações sobre uma realidade qualquer a ser apreendida e, num passo seguinte, descrita.

A técnica de entrevista utilizada foi a, assim denominada, semi-aberta, que se vale de um roteiro de temas e questões que norteiam a conversa com cada pessoa entrevistada. Foram abordados diferentes assuntos com as diferentes pessoas, sendo as ênfases adequadas às características do informante, isto é, sua função no Camelódromo (dono de banca, auxiliar, carregador, cavaleiro, sindicalista) e seu tempo de pedra. Além dos registros com os camelôs, foram realizadas entrevistas com representantes da autoridade oficial, isto é, os funcionários da SMIC, Secretaria Municipal da Produção, Indústria e Comércio.

Também como parte da pesquisa, foi realizada uma entrevista com o antropólogo Massimo Canevacci, a qual está anexada, na íntegra, no final deste trabalho. A entrevista teve como temas centrais a metrópole contemporânea e o assim denominado, método Polifônico. A conversa com o pesquisador foi fundamental na tentativa de compreensão e visualização do fenômeno cidade contemporânea, a partir do método Polifônico, o qual se diferencia na essência do enfoque tradicional de espaço urbano, especialmente no que diz respeito à necessidade de delimitação espacial inerente a essa disciplina. Canevacci, na mão contrária, atravessa e vai além do concreto, do visível da cidade; finda com seus limites materiais e a torna um espaço virtual de contornos praticamente indefiníveis. O Camelódromo se encaixa nessa lógica, nessa prática, e passa a ser percebido de modo ampliado com relação a nossa percepção anterior mais localizada do fenômeno. Sem embargo, o olhar espacial-local segue igualmente como foco do trabalho, especialmente no que se refere a temas tratados diretamente com os camelôs e com representantes da autoridade oficial.

Todas as entrevistas com os camelôs foram registradas em vídeo constituindo uma peça audiovisual com caráter documental; a reportagem cinematográfica mencionada acima. Outras entrevistas, com órgãos oficiais e pesquisadores, foram feitas com gravador de áudio. Houve também registro, em diário de campo, de conversas informais com camelôs, nas quais estes tratam igualmente dos temas sobre os quais esse trabalho versa.

As gravações audiovisuais foram iniciadas no ano passado, em setembro de 2006, como parte do projeto Arquiteturas Off-Road, vinculado ao grupo de pesquisa acima mencionado. O objetivo inicial do documentário foi registrar a assim denominada arquitetura do movimento produzida pelos camelôs da Praça XV. No entanto, ao longo do tempo e das visitas, os processos e os modos de comunicação passaram a ter um peso maior como tema a ser abordado nas entrevistas, ultrapassando ocasionalmente a importância inicialmente conferida ao Camelódromo como artefato espacial. Contudo, apesar do tema comunicação ter sido abordado pelos camelôs em diversas entrevistas, foi através de observações que os momentos de maior riqueza foram revelados, especialmente no que se refere ao conhecimento das relações e do papel da fala e do gesto na organização do espaço e no convívio dos camelôs.
Registramos inicialmente a ação, o movimento do Camelódromo no verão e seguimos observando e registrando ao longo da mudança das estações, até a chegada do inverno, gravando em situações extremas de temperatura, umidade, sensação térmica, etc. A edição e a montagem do filme foram iniciadas enquanto ainda fazíamos gravações. Durante essa etapa diversas dúvidas surgiram com relação à informações vindas dos camelôs. Nesse processo, ficou evidente a importância de que fosse aprovado por eles todo o conteúdo do vídeo; uma vez que era da situação social, econômica, cultural e política, de cada um deles, e do grupo, que o documentário estaria tratando. Assim, tendo um primeiro corte de 30 minutos concluído, duas cópias do trabalho foram entregues a eles. As cópias circularam pela mão dos participantes e de outros camelôs que vieram a participar no decorrer das gravações.

Uma das cópias foi entregue à Patrícia, descendente de uma família tradicional de camelôs e ela também hoje uma camelô, que veio a gerenciar a circulação do vídeo entre os colegas. Patrícia participou das primeiras entrevistas feitas para o documentário em outubro de 2006 e tornou-se uma pessoa fundamental em nosso percurso dentro e através desse universo que é o Camelódromo. Diversas referências são feitas a ela, durante este trabalho escrito, como nossa camelô-guia.

Quando entregamos as primeiras cópias aos camelôs, o trabalho já havia sido batizado como Anos de Pedra. Muito perspicaz, Patrícia imediatamente percebeu a falta justamente daquilo que o título representava, ou seja, camelôs com muita experiência, com muitos anos de estrada. Até então boa parte das entrevistas havia se concentrado em pessoas jovens e com funções de apoio no Camelódromo. Assim, foi Patrícia quem acabou nos conduzindo até aqueles com anos de pedra; os camelôs antigos, que levam a história e a luta marcadas no corpo e na memória. Este trabalho, portanto, acontece também através do olhar de uma camelô, que já faz parte de uma segunda geração de camelôs do Centro de Porto Alegre. Seu pai, Seu João, iniciou uma história como vendedor ambulante, e os três filhos seguiram seus passos. Patrícia, com 28 anos, tem dois filhos e esses, nos finais de semana, seguindo a tradição familiar, já vêm com a mãe para o Camelódromo; anunciar, vender, barganhar, aprender a vida e a lida do camelô.

O surgimento e a maturação dessa relação foi fundamental na qualidade do material gravado. Os camelôs são uma classe extremamente exposta e vulnerável às decisões do poder público. Além disso, sofrem ataques e críticas constantes dos meios de comunicação. A presença de uma câmera naquele lugar é, na maior parte das vezes, uma ameaça. O fato de eles terem um retorno nosso e saberem o objetivo do trabalho, veio a nos dar acesso a muitas pessoas das quais, possivelmente, jamais teríamos a confiança não fosse essa construção diária de uma relação através de alguém lá de dentro.

Sem embargo, em diversas situações de conversas informais, foram feitos comentários pelos camelôs que posteriormente, nas entrevistas em vídeo, não conseguimos registrar. O motivo, certamente, é a presença da câmera, que freqüentemente inibe as ações e as reações das pessoas. E certamente, um outro motivo é a perda da naturalidade que ocorre normalmente ao relatarmos uma mesma história, uma segunda vez, para uma mesma pessoa.
Ainda no processo de produção do audiovisual, outra questão importante a ser mencionada foi a necessidade de mantermos um controle sobre a disseminação das cópias. O Camelódromo localiza-se vizinho aos assim chamados caixinhas - vendedores ambulantes ilegais de Cds e DVDs piratas, dentre outras mercadorias - e até o trabalho ficar pronto e ter a aprovação de todas as partes necessárias, foi necessário conter a reprodução, muitas vezes tentadora da novidade e, mais ainda, sendo uma novidade que fala deles próprios. Não houve, no entanto, em momento algum vazamento de cópia, ou reprodução antecipada. Porém, já no final do trabalho, com a realização da estréia do filme no próprio Camelódromo da Praça XV, duas cópias em DVD foram entregues aos camelôs e as reproduções liberadas. O filme ganhou vida autônoma, sendo apropriado e difundido pelos camelôs e caixinhas independente do grupo realizador do trabalho.

Tendo como base para a coleta e produção da informação, o método polifônico, o texto que segue, na linha do documentário audiovisual, é uma costura das falas, histórias, pontos de vista e opiniões dos camelôs, e das autoridades do mundo oficial. O capítulo 2 introduz o modo como será apreciado o espaço urbano ao longo do texto; aborda o tema da cidade contemporânea, suas características e o modo como será lida. No desenvolvimento, é introduzido o método Polifônico, na linha sugerida por Canevacci.

As relações entre a cidade e a pedra constituem o capítulo 3. Buscamos aí localizar o Camelódromo no espaço urbano da Praça XV. E a partir daí, mergulhamos progressivamente nas histórias dos camelôs descrevendo os anos passados trabalhando e usufruindo daquilo que a pedra tem a dar, chegando então, naturalmente, à relação entre o Camelódromo e a Lei.

O capítulo 4 aborda o organismo Camelódromo, seus componentes, seu modo de funcionamento. A narrativa é procedida a partir dos protagonistas da instalação; as vozes do Camelódromo, vozes que formam um corpo, um clã, uma corporação que é complementada por carregadores, cavaleiros e caixinhas. Os relatos partem dessas funções e ações para os componentes materiais da grande instalação, analisando a forma, a arquitetura móvel, as mercadorias e a rotina que, em meio à diversidade, se perpetua. A partir daí, a alimentação do organismo passa a ser o tema do trabalho; o camelô, sua técnica e a tradição da venda tornam-se o foco. Da tradição da venda para a tradição da informalidade o trabalho mostra um universo aparentemente caótico. No entanto, novamente aqui, o espaço público, a pedra, emerge com uma lei, um elemento ordenador que claramente aponta para uma territorialidade baseada na palavra e no respeito.

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