Chegou, chegou, chegou a Banda...

Marcos Paulo
A Banda dando início ao seu percurso: dificil encontrar alguém na multidão
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Marcos Paulo · Rio de Janeiro, RJ
2/3/2007 · 129 · 1
 

Quando se fala em carnaval, em Porto Velho, é quase impossível não lembrar dela, que arrasta multidões todos os anos: a Banda do Vai Quem Quer. A maioria espera ansioso para desfilar na Avenida Carlos Gomes, vestido ou não de mulher. Aliás, peculiaridade aceita até por ‘machões’ que, nesta época, se soltam e têm a cor rosa como preferência. Uma graça.

Mas a história da banda teve início há trinta anos. Como não existia nenhuma manifestação pública para comemorar o carnaval à tarde, um grupo de dez pessoas, aproximadamente, decidiu mudar aquela realidade. Inspirado na banda de Ipanema, do Rio, no meio de uma guerra de maisena, entre um gole e outro, o fabuloso Pedro Emil Gorayeb Filho, o Emilzinho, sugeriu o nome Vai Quem Quer, explica Manoel Mendonça, o Manelão, que, além de ser um dos idealizadores, é o responsável pela organização e tradição da Banda. Até hoje, muita gente quis e ainda quer entrar na folia.

No primeiro ano da Banda, em 80, foram confeccionadas 350 camisetas. O lucro era destinado apenas ao pagamento dos músicos. Acompanhando a Banda, mais de 2.000 mil pessoas. Manelão diz que “é o único lugar onde o pobre tem o seu lugar garantidoâ€. Pobre, rico, criança e adulto...nela só vai quem quiser. Sempre foi assim.

Naquela época, para se ter uma idéia, apenas uma bandinha da Polícia Militar animava os foliões, que, ainda tímidos, ficavam admirados em cada esquina por onde a banda passava. E quando ela passava, aí, caro leitor, difícil era não cair na folia e cantar as marchinhas. Também, com um hino desses: “Chegou a banda, a banda, a banda...A Banda do Vai Quem Quer...Nós não temos preconceito, na brincadeira entra quem quiser...Já tentei brincar organizado, isso nunca deu pé...Hoje eu estou realizado na Banda do Vai Quem Querâ€. E o hino é apenas um aperitivo para as outras canções que compõem o repertório da folia momesca.

Atualmente, calcula-se que mais de 100 mil foliões percorrem o trajeto da Banda animados por um trio elétrico, num percurso que dura mais de cinco horas. É, ainda, considerada o segundo maior bloco de rua do país, perdendo apenas para o Galo da Madrugada, do Recife. A maioria, como disse, principalmente os homens, gosta de participar vestido a caráter: trajes totalmente femininos. Até são constituídos blocos que se destacam, como é o caso do ‘Bloco das Cachorras’ e das ‘Piranhas’ também, entre tantos outros. Travesti, por exemplo, é visto como rainha pelos foliões mais exaltados e são beijados sem a menor vergonha. É gente de todo tipo ao som da banda Carijó, a responsável pelas marchinhas e uma das mais tradicionais da capital. A cada música, uma vibração diferente. É como se, embalados pela energia carnavalesca, fosse o último ano de folia. Porém, o carnaval ainda está iniciando, como diz a canção: "Vou iniciar meu carnaval no sábado, na Banda do Vai Quem Quer...Vou brincar descontraído, eu vou...De metade de mulher".

Como nem tudo são só serpentinas, infelizmente, no ano passado, a Banda sofreu um grande impacto negativo depois que um trio elétrico não pertencente à organização do evento tombou em plena avenida, matando duas pessoas e deixando vários feridos. Até foi destaque nacional. Nem por isso, a Banda perdeu o seu brilho. Segundo Manelão, o incidente serviu para melhorar ainda mais a segurança da folia. Neste ano, apenas o trio elétrico da Banda desfilou na avenida. Nem vendedores ambulantes, nem carros de som tiveram espaço durante o trajeto. Em 2007, a Banda do Vai Quem Quer comemorou seu 27º aniversário.

***

O texto que você acabou de ler faz parte de uma série sugerida e organizada pela comunidade do Overmundo. A proposta é construir um panorama do Carnaval do Brasil, sob a ótica de colaboradores espalhados por todo o país. Para ler mais relatos sobre o assunto busque pela tag carnaval-2007, no sistema de busca do Overmundo.

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Thais Guimarães
 

Bom, por tratar-se de um assunto carnavalesco o próprio tema já agrada por toda alegria que se vê nesta época.
Agora conhecer o carnaval que acontece em uma região distante como Porto Velho chega a ser ainda mais interessante por toda particularidade que foi mostrada no texto. Mostra como um pequeno grupo de pessoas, como era no início, pode levar uma multidão à avenida. Embora tenha acontecido um incidente de percurso, literalmente, o carnaval têm sido um sucesso, nos levando até a cogitar a possibilidade de conhecer tal evento.

Thais Guimarães · Ribeirão Preto, SP 13/4/2007 20:38
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...nós não temos preconceito, na brincadeira entra quem quiser... zoom
...nós não temos preconceito, na brincadeira entra quem quiser...
...vou brincar descontraído, de metade de mulher... zoom
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A primeira camiseta da banda, em 1980
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Manelão: o responsável pela Banda do Vai Quem Quer

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