Academia Internacional de Cinema, Curso de Graduação em Cinema e VÃdeo na Faculdade de Arte do Paraná (FAP), Prêmio Estadual de Cinema e VÃdeo do Paraná, além de pós-graduações na PUC e Tuiuti. Estas são algumas das picadas abertas no Paraná recentemente, que estão aumentando os caminhos para viabilização do audiovisual paranaense. Foi no ano passado que primeira vez se viu ações mais consistentes por parte do poder público estadual. Até pouco tempo atrás, o que alimentava a produção eram basicamente as leis municipais de incentivo a cultura, além de algumas ações pontuais sem continuidade. Isso está mudando e, embora, ainda seja necessário um tempo para a estruturação dessas novidades, os produtores do Paraná já estão satisfeitos com o retorno que vêm recebendo.
Fernando Severo é um dos mais atuantes e premiados cineastas paranaenses, foi professor da Academia e também um dos ganhadores do primeiro edital do prêmio promovido pelo governo. "É um conjunto de boas ações que trazem gente muito competente para dar aula. Até o Coppola deu uma aula no curso da Tuiuti. Está se formando uma massa crÃtica", diz, lembrando que só da Academia saÃram mais de 200 curtas, muitos premiados.
Severo sabe bem do que está falando, do alto de seus 25 anos no setor. Ele sempre percebeu a boa repercussão do que era produzido aqui, independente de patrocÃnios. "Foi muito tempo sem nada. Está muito provado, pela quantidade de filmes e prêmios ganhos em festivais nacionais e internacionais que o nosso cinema está maduro para fazer um longa. Tanto artisticamente quanto comercialmente. Este apoio vem em boa hora", diz ele que está trabalhando junto com o diretor Marcos Jorge em Corpos Celestes, o primeiro longa-metragem paranaense. Além do mais, argumenta, o audiovisual é uma das atividades de maior expansão, cujas possibilidades estão sendo ampliadas pelas inovações tecnológicas, e "seria um absurdo o Paraná ficar na retaguarda".
Silvana Corona, diretora de curtas-metragens ainda pouco conhecida, mas já com prêmios no currÃculo, vê chances de crescimento no mercado de homevideo, como forma de abrir espaço para os produtores independentes. "As bilheterias estão caindo porque a população mundial está envelhecendo e vendo mais filme em casa. É questão de ter visão de mercado para perceber o leque que se abre", pontua ela que nasceu em Pato Branco, interior do Estado, e foi estudar cinema no interior de São Paulo. Voltou para Curitiba em 1992 e começou a se enturmar com os produtores. Foi também o ano em que ficou entre os cinco melhores no Festival Internacional do Minuto, com Certa Manhã, mini-documentário, sobre moradores de rua de Curitiba. "Me surpreendi com a qualidade de trabalhos que eu desconhecia. Irmãos Schulmann, Severo, Beto Carminati, Marcos Jorge. Foram dados passos importantes", diz.
Em relação a público ela nem pestaneja em dizer que existe e é carinhoso. "Os lançamentos sempre estão cheios, tem que fazer sessão extra. Tenho certeza de que tem público nas pequenas cidades, também. Em Pato Branco, as filas dobravam quarteirão", defende ela, que está produzindo Abacate, "curta sobre um homem sozinho dentro de casa". Silvana acha que o que está acontecendo era inevitável. "As várias ações vão se completando. Antigamente, quando informava a profissão numa ficha de crediário, riam. Mas, para nós é uma mudança recente".
O jornalista e estudante de pós-graduação em Cinema Fábio Pinheiro também reconhece os avanços, mas dá uma freada. "O interesse é inquestionável, haja vista o número de cursos livres que proliferam. O problema continua sendo o do cinema brasileiro: distribuição. Estão formando mais pessoas qualificadas, o que é louvável, só que falta ação nesse terceiro ponto. Temos uma grande produção que não chega a grande mÃdia e fica restrita em termos de público. Televisão é concessão pública, mas é impossÃvel furar o cerco", desabafa, mas emenda. "Mesmo assim, agora é hora de elogiar as iniciativas".
Paulo Munhoz, que ganhou apoio do BNDES e está terminando o longa de animação Brichos, lembra que o Paraná sempre teve tradição em produzir sem apoio. "Posto isso, digo que este prêmio é até tÃmido, perto de outros estados, mas é um começo. E permite também a produção de telefilmes. Isso é legal porque a tevê é a grande janela", diz citando ainda o espaço no Canal Paraná - a Educativa estadual - para documentários, através de parceria com o MinC, no projeto DOC TV.
"Estamos começando a ter um espectro de possibilidades, com oferta de profissionalização. Minha geração teve que ser autodidata. Tivemos alguma coisa graças a gente como Valêncio Xavier e seus cursos no MIS e Cinemateca", lembra ele que é formado em Engenharia com mestrado na área de cinema.
Beto Carminati, que atua na área desde o final dos anos 70 e no momento está trabalhando em várias produções ao mesmo tempo é um esperançoso por natureza, diz, completando que "toda iniciativa traz chance de aprender. Tem o movimento de cada um que não depende de contexto histórico, nem polÃtico, mas pode ser beneficiado por eles". Ele faz questão de trazer à baila questões polÃticas. "Existe toda uma mÃtica em torno do suposto amor de (N.R. Jaime Lerner, arquiteto e ex-governador do Paraná, por 8 anos) Lerner pela cultura, mas ele não fez nada pelo cinema. Agora, já passamos o medo de que o segundo edital do prêmio estadual falhasse, pois ele veio. Está sendo algo mais regular e vem junto com a criação de um curso. Não é a perfeição, ainda, mas é uma atitude de governo, não só discurso", finaliza.
Ainda que já tenha passado um certo tempo da publicação dessa matéria, e que o atual universo de centros de formação seja um tanto diferente, ainda vivemos um momento fascinante no cinema paranaense. E aguardamos os longas Corpos Celestes e Mistéryos.
Rafael Urban · Curitiba, PR 11/4/2007 11:42Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
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