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Eu sou é escultor!

Claudemir Carvalho
Iemanja aos olhos de Eduardo Leitão
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Marcos Paulo · Porto Velho, RO
21/9/2006 · 94 · 0
 

Dizem que cada pessoa nasce com um dom. Independente de qual seja, mais tarde essa facilidade pode vir a despertar em qualquer momento na vida. Com Eduardo Leitão foi assim. Aos trezes anos, descobriu que poderia fazer da madeira esculturas que futuramente seriam seu sustento de vida. O escultor trabalha nesse ramo há 25 anos e começou a construir grandes esculturas num processo de reciclagem. Ou seja, a matéria-prima que seria jogada fora – deixadas na floresta - é reaproveitada por Eduardo que utiliza qualquer tipo de madeira, desde que a própria não esteja tão seca. Esculturas que compõem e caracterizam, geralmente, o cenário Amazônico e suas belezas naturais.

Em Porto Velho há dez dias, Eduardo expõe mais de 50 esculturas no Aquarius Selva Hotel, depois de percorrer boa parte do Brasil e América Latina, entre Venezuela, Bolívia e Chile. Após esse período, o escultor criado no Rio de Janeiro, mas apaixonado por Rondônia, teve uma passagem de quatro anos em Bangu. De lá, pegou rumo a São Paulo, chegando ao Mato Grosso, Campo Grande, Pará e Macapá até desembarcar em Manaus. No município de Guajará-Mirim, interior de Rondônia, permaneceu durante dois anos, onde deixou várias obras que fazem parte de suas exposições e contam histórias da sua vida.

Dentro de uma simplicidade, ele diz que antes de se tornar escultor era desenhista mecânico e chegou fazer alguns trabalhos com arquitetos. Começava aí uma nova trajetória que fazia sucesso desde o tempo do colégio. “Eu sempre tinha as mocinhas da escola ao meu redor”, diz Eduardo que fez sua primeira escultura, uma coruja, aos trezes anos para dar de presente a uma garota. Detalhe: como não tinha material de trabalho, pegou “emprestado” as ferramentas do pai. “Sempre foi assim, toda escultura que faço tem uma história pra contar”, lembra. Aos 22 anos, após servir ao quartel, começou a viver de suas exposições que ele mesmo não classifica como obras de artes. “Não sou artesão, nem artista; eu sou é escultor”, diz com um sorriso irônico.


Ao lado de Iemanjá, feita de um braço de cedro e uma de suas principais reverencias, o escultor explica que o tempo para cada peça esculpida é variável. “Tem peças que levam muito tempo”, diz e, num tom de mistério, acrescenta que os desenhos nunca se repetem. Indagado se para fazer as esculturas existe alguma inspiração, Eduardo é ríspido e esbraveja que “inspiração é ter disponível matéria-prima e começar a trabalhar, essa é minha ‘inspiração’”. E sente “como se esses desenhos já existissem em mim há muito tempo, vindos de outras vidas”.

Eduardo Leitão pretende estender seus trabalhos por mais duas semanas na capital, onde deve expor suas obras no Tribunal de Contas, órgãos públicos e hotéis. Ainda não idéia da próxima viagem, mas pretende voltar ao Sudeste em breve. As obras são revendidas e o preço varia de acordo com a peça esculpida. Claro que não deixa de ser uma obra de arte, convenhamos.

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