Guias culturais periféricos

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Pattoli · São Paulo, SP
22/9/2008 · 129 · 1
 

Que a cidade de São Paulo é repleta de opções culturais todos já sabem. É só pegar os roteiros de cultura encartados nos principais jornais e revistas e optar entre as centenas de opções de shows, exposições, teatros, baladas, entre outros passeios. Porém, um olhar mais atento perceberá que a imensa maioria dessas dicas estão concentradas no centro expandido da capital. Fica a dúvida: será que fora de bairros como Jardins, Perdizes, Vila Mariana, Consolação não acontece nada em termos culturais e gastronômicos? É óbvio que não, os bairros mais afastados do centro também possuem vida cultural ativa. O que acontece, é que o público-alvo da grande mídia não está na periferia, por isso, o foco editorial dos guias está centrado para o, adivinhem, o centro. Somente o que já foi assimilado pela classe-média está nesses guias. Com essa situação, surge uma dúvida: como as pessoas que moram nesses bairros ficam sabendo dessas atividades? Normalmente, através do famoso boca-a-boca.

Com o intuito de organizar uma agenda do que está acontecendo nessas regiões fora da cobertura “oficialâ€, o jornalista Gilberto Dimenstein, em parceria com a UNIESP (União das Instituições Educacionais do Estado de São Paulo) criou o Catraca Livre. Além de apresentar possibilidades de diversão e aprendizado gratuitos ou a preços populares, o projeto pretende ir além da simples agenda. O site também serve como um repositório textos e dicas de leituras para que o leitor amplie o seu conhecimento e possa ter mais referências ao visitar uma exposição, assistir a um filme ou a um show musical.

“Queremos fazer da cidade uma escola a céu aberto, na qual um museu ou um teatro se transformam em salas de aulas encantadas. Catraca Livre significa que o prazer da convivência é o prazer do aprendizadoâ€, explica a Equipe do Catraca Livre em entrevista ao Overmundo.

O site, lançado no dia 24 de junho deste ano, é dividido em 11 áreas. No canal ‘interessante por quê?’ são colocados os destaques da programação cultural da cidade e há um espaço para os professores fazerem comentários sobre as dicas. “Há alguns dias, nós falamos sobre um show do Arnaldo Antunes, que aconteceria no Shopping Metrô Tatuapé, mas no pacote, incluímos informações a respeito da poesia concreta, que é um dos campos de atuação do artistaâ€, conta a Equipe. A ‘rádio catraca’ é um podcast com notícias da nova cena cultural. A edição que está no ar tem o sambista T. Kaçula – uma das novas revelações do samba paulistano – contando onde é possível cair no samba de graça em São Paulo. No ‘programe-se’, como o próprio nome diz, ficam as atividades futuras – cursos, peças de teatro, shows, palestra etc. ‘Para ir de metrô’ são atividades que os leitores podem fazer utilizando o transporte público. Nesse aspecto, o Guia do Jornal da Tarde foi pioneiro ao criar uma seção similar. Uma das áreas mais interessantes do site é o ‘2 em 1’. Nela são apresentados dois programas diferentes num mesmo passeio. Por exemplo, no Espaço Caixa Cultural, o visitante pode ver uma mostra de artes plásticas sobre Jorge Amado e outra que traça um painel sobre a gravura brasileira a partir da coleção de Mônica e George Kornis. Os leitores que tenham vontade de contar em detalhes os seus passeios podem mandar relatos para a seção ‘repórter catraca’.
O ‘centro ilustrado’ é um mapa da região central em que é possível fazer um passeio virtual e ver fotos dos principais pontos de interesse. Roteiros, museus e prédios importantes da cidade estão detalhados nos ‘clássicos de SP’. Em ‘Fim de semana’ e ‘para as crianças’, como os próprios nomes dizem, são focados nessas duas atividades. A única área que ainda não está ativa é a de ‘blogs’.

“O projeto começou a ser pensado no primeiro semestre deste ano, por volta do mês de abril. A idéia era, realmente, de fazer um produto que contemplasse num só espaço a programação cultural e gratuita que acontece na cidade de São Paulo. Mas não apenas mostrar a questão cultural – o Catraca Livre tem um viés educacionalâ€, conta a Equipe do Catraca Livre.

O próximo passo é criar uma versão off-line do site, um jornal mural que será afixado em Centros Culturais, Sescs, Telecentros, Universidade e no bairro de Heliópolis. “Queremos fazer da cidade uma escola a céu aberto, na qual um museu ou um teatro se transformam em salas de aulas encantadas. Catraca Livre significa que o prazer da convivência é o prazer do aprendizadoâ€, finaliza a Equipe.

Periferia
Outro projeto que também aborda a programação cultural que está fora da grande mídia é a Agenda da Periferia. Elaborado pela Ação Educativa há pouco mais de um ano, a publicação está na sua décima sexta edição.

“Buscamos com esse guia cultural, jogar um pouco mais de luz sobre a produção cultural feita nas margens da metrópole paulistana. A publicação tem uma tiragem de 10 mil exemplares e é distribuída em mais de 70 pontos, quase todos na periferia. Uma iniciativa de afirmação. Não é “resgate†nem “resistênciaâ€, como certos setores da esquerda gostam de ver. Nem “inclusãoâ€, ou “protagonismoâ€, como classificam, na maioria das vezes, as organizações do chamado "terceiro setor" (fundações, institutos, empresas) e a "grande" imprensa. O objetivo é produzir um sentido político de mobilização com perspectivas de emancipação, baseado em valores de cidadania: ou seja, de garantia de direitosâ€, afirma Eleilson Leite, da Coordenação Editorial do guia.

De periodicidade mensal, a agenda é divida em sete seções. Em hip hop, samba, literatura, cinema e vídeo, especial e outras cenas são colocadas atividades realizadas em bairros periféricos da cidade. A única seção que se diferencia desse modelo é a Periferia no Centro, onde estão atividades populares na periferia que estão sendo apresentadas em bairros centrais. É uma forma de mostrar que a periferia também vai para o centro.

“Esses dois guias são de fundamental importância para as comunidades que não estão cobertas pela grande imprensa. Pois, é uma forma da população menos rica se enxergar como parte ativa da vida cultural da cidadeâ€, explica Fernanda Miura, pedagoga que atua com projetos sociais.

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Eloy Santos
 

Espero que ações como essas que você descreveu se multipliquem pelas capitais e cidades do país. Parabéns pela iniciativa de trazer a público, nacionalmente, essas realidades cvulturais de São Paulo.

Eloy Santos · Rio de Janeiro, RJ 22/9/2008 14:04
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