Mama África: Minha mãe sem AIDS

Rodrigo Nogueira
Fabiana, Cabenda, Rui e Ana: Jovens na luta contra a AIDS
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Rodrigo Nogueira · Rio de Janeiro, RJ
18/3/2007 · 84 · 1
 

“Nós temos que assumir a nossa responsabilidade e fazer o nosso papel na luta contra AIDS na África, mesmo que um oceano nos separe”.Foi com esse sentimento que o estudante de fisioterapia Cabenda Ricardo, de Angola, junto com mais 12 estudantes de diferentes paises africanos criaram no Rio de Janeiro, Brasil, o grupo Mãe África Ação Social.

Atualmente são 10 mil estudantes africanos no Brasil,a maioria vem de paises de língua portuguesa como Angola e Cabo Verde à procura de oportunidades de trabalho e estudo. Cabenda Ricardo foi uma dessas pessoas que cruzou o Atlântico como refugiado para escapar da guerra civil em Angola e há nove anos vive no Brasil.Em 2004 fundou o grupo Mãe África que atua na prevenção de DST e AIDS para mobilizar os estudantes africanos a entrarem na luta contra a AIDS.

“O nosso trabalho aborda desde a questão do preconceito contra o portador do HIV até como se proteger sexualmente. O que nós queremos é que essas pessoas, quando voltarem para os seus paises, estejam capacitadas para retransmitir o que aprenderam aqui”, diz Cabenda.

Alguns desses voluntários já estão retornando para casa, como é o caso de Rui Delgado, de Cabo Verde, que se formou em direito pela universidade Santa Úrsula.

“Estou muito ansioso para voltar ao meu País e poder dividir a experiência que eu tive aqui. Depois de seis anos no Brasil é hora de voltar e dar a minha contribuição, seja como advogado ou trabalhando na prevenção da Sida”.

Antes de fundarem o grupo, nenhum deles tinha experiência no combate e prevenção a AIDS, todos vieram para estudar no Brasil. Mas a necessidade de um conhecimento mais profundo sobre o tema fez com que procurassem o apoio técnico e capacitação na ONG Cedaps (Centro de Promoção de Saúde), que incentiva ações de novos grupos desde 1993 quando foi fundada.

Para a coordenadora técnica do Cedaps, a assistente social Ana Paula Batista, que trabalha com o grupo desde a sua criação, o trabalho realizado pelo Mãe África Ação Social começa a colher os frutos de suas ações.

“A parceria entre o Cedaps e os estudantes já começa a despertar a atenção de algumas ONGs e órgãos públicos que perceberam a importância desse tipo de ação no combate à AIDS nas comunidades africana”.

Recentemente, foram convidados para participar da comissão organizadora do seminário anual de prevenção de DST e AIDS do município do Rio de Janeiro, além de conseguir uma verba de cinco mil reais através da ONG Fase para se formalizarem como ONG.
“Nossas ações ainda não têm repercussão na grande mídia, mas aos poucos vamos atingindo os nossos objetivos que é informar e capacitar não apenas os estudantes africanos, mas também refugiados e qualquer pessoas que se interessar na luta contra a SIDA”, diz Cabenda.

É através dessas pequenas ações que eles começam a ganhar projeção internacional. Ana Paula foi convidada pela Fundação Eduardo dos Santos (Fesa) de Angola, para falar em Luanda da experiência brasileira na prevenção e assistência a pessoas com HIV e contou das ações realizadas pelo Mãe Africa.

“O que eu reparei é que em Angola, assim como muito paises da África, se importa muita mão de obra para a área de saúde. O trabalho de Cabenda teria dificuldade de encontrar apoio por que falta estímulo para a população criar esse tipo de movimento”, lamenta Ana Paula.

Desafios

Um dos grandes desafios que eles perceberam ao longo das ações foi a dificuldade de abordar o tema por causa do preconceito contra a pessoa com HIV.

“Em Angola, por exemplo, as pessoas ainda têm muito discriminação contra os portadores de HIV e aqui no Brasil algumas têm receio de falar sobre o assunto com medo de serem mal vistas pela comunidade ou até mesmo perderem seus empregos”, diz Cabenda

Hoje, a equipe é formada por 12 estudantes de diferentes áreas como assistência social, sociologia, fisioterapia e odontologia. Uma das brasileiras do grupo, a estudante de jornalismo Fabiana de Oliveira, fala da importância do grupo na sua vida.

“Tenho muita honra em fazer parte desse trabalho. Nós aprendemos muito com essa troca de experiências e trabalhando por algo maior que é a luta contra a AIDS”.

Em abril deste ano será realizado o segundo fórum chamado Encontro dos Filhos da África, Mama África – minha mãe sem AIDS, onde acontecerão palestras e a capacitação de novos voluntários no combate e prevenção da SIDA.

“É muito bonito ver que, não apenas os cidadãos de Angola, Cabo Verde, Senegal, Gana, Guiné-Bissau estão preocupados com o problema da AIDS no continente africano, mas perceber que vários brasileiros estão aderindo à nossa causa.”

Para o ano de 2007, Cabenda têm vários planos para o grupo e um sonho: visitar a sua família em Angola depois de nove anos sem vê-los.

Com o grupo, ele pretende ampliar o trabalho de prevenção através de palestras em escolas e para conseguir realizar o sonho de visitar a sua família, Cabenda pode ser convidado pela ONG Fesa para falar em Luanda da sua experiência no Brasil.

Perguntado sobre qual era a sensação de poder voltar para Angola depois de tanto anos sem ver a sua família, Cabenda ficou sério por alguns segundos, possivelmente pensando nas dificuldades e desafios que ele teve que enfrentar, para logo em seguida sorrir e dizer de forma simples e direta: “Muita felicidade e a certeza de que estamos fazendo a nossa parte para construir uma África melhor”.

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Paula Martini
 

Bonita iniciativa. Parabéns pela sensibilidade de retratá-la, Rodrigo.

Paula Martini · Rio de Janeiro, RJ 13/5/2009 16:24
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