O segundo programa da Mostra Foco conflagrou um estilo de fazer cinema voltado principalmente para as diversas formas e roupagens que o amor pode ter. São filmes intimistas, que colocam a figura do diretor e autor na frente das câmeras para inserir uma faceta mais forte no que tange a perspectiva própria sobre essa temática. A voz se faz ouvida quando o interlocutor coloca sua figura a tapa e de maneira exponencial se denota enquanto personagem das visões particulares sobre o mundo. Passando do amor em tempos de inicio de relacionamento, para amizades a distancia, montando a busca da beleza pelo sentimento, e culminando na fluidez do tempo na relação personagem escritor, esse tema é abrangente de interpolações na forma como se faz cinema.
As intimidades se fazem conscientes quando o cinema é realizado em atmosferas amorosas. É o caso do curta de André Novais “Pouco mais de um Mêsâ€. Os aspectos de uma simplicidade para tratar do amor, e na tangente da naturalização da história, em se firmar nas bases da localização onde está inserido. A força nasce de um contexto único, onde a vontade de se fazer filmes é mais importante do que qualquer nÃvel monetário e essencialmente na mineiridade belorizontina dá a base primordial para a universalidade dos elementos aqui tratados.
Passando por uma produção que age na tangente de “Pouco Mais de um Mêsâ€, “Meu amigo Mineiro†configura uma forma narrativa própria do encontro entre Gabriel Martins, da Filmes de Plástico, com Victor Furtado, da Alumbramento, formando uma experiência audiovisual de uma vontade da intimidade. O amor se apresenta entre a vontade do encontro, e na ausência do outro. É nesse movimento que Gabriel vivencia uma cidade, pela camaradagem de seu amigo, em compartilhar em carta a forma como Fortaleza pode ser vista, de maneira mais intima que só alguém que estabelece um vÃnculo com esse espaço urbano poderia apresentar.
“Frinéia†se torna uma aresta em particular nesse vasto sentimento, ao se influir de uma estilização própria e enveredar pela busca pelo amor pleno e belo, em relações tortuosas inseridas numa dinâmica quadricular. Proeminentemente bressoniano, o curta carioca se enraÃza na fundamentação do belo e na fomentação de uma capacidade humana de manutenção com ele, no seu tratamento amoroso. Em seu aspecto bressoniano, figura uma vontade artÃstica de que a mensagem seja passada, em detrimento de um destaque próprio. A ideia é o primordial elemento do filme, e não há conflagração para outro senão a própria ideia.
Num aspecto externo de tratamento, o amor nasce de uma relação tortuosa e torturante, infernizada pela ação da fluidez do tempo, em “Alguém no Futuroâ€, de Salomão Santana. A fotografia e o tratamento do tempo enquanto memória e existência que se torna plena somente pela possibilidade fotográfica. O dilema inserido na narrativa insere uma faceta onde o escritor é objeto de sua escrita, ao se aproximar de seu objeto e se tornar objeto dele. Aqui, escritor molda sua vontade e tem o movimento contrário por parte de seu interpelador.
A Série dois da Mostra Foco então marca diferentes estilos, que se encontram nas conexões de suas formas de tratar os aparatos cinematográficos. Aqui, se encaixa e se valoriza as intuições particulares, suas visões e a personificação da autoria como algo inerente aos diferentes formatos de produção. É o amor ao cinema, a paixão pelo fazer cinematográfico que aqui pautam as maneiras de tratar esse sentimento em diferentes relações, mas sempre se voltando para a janela mágica, ou, como diria André Novais, a novÃssima “Câmera Escuraâ€.
Tiradentes, 24 de janeiro de 2013
Júlio Cruz
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