A placa que avisa a lotação máxima do ônibus neste 13 de junho à tarde também estava de folga e não apitou coisa nenhuma. Na altura da Alfonso Bovero com a Cotoxó, a moça de camiseta amarela quis entrar de qualquer jeito. “Tô aqui desde as duas e meia, os outros dois nem pararam”, protesta.
“Vai pra frente, pessoal, tá vazio lá atrás”, alguém pede. “aeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee”, um povo grita. “vazio nada!!”. Aeeeeeeeeeeeeeeeeee!!!! – comemorou-se, quando alguém ameaçou abrir o teto-móvel do ônibus para ventilar, a resmungos do motorista. O único profissional em exercício enquanto a cidade toda estava liberada do escritório pedia cuidado pra não quebrar aquele 'alçapão' do teto. Mas era tudo farra.
E que aperto. “Assim, só com uma gelada!” Empurra daqui, de lá, sempre um sufoco cada vez que mais um torcedor queria entrar no Perus. Coitado, vai perder o jogo? “Não pára não, motorista, vam´bora!”... e quando ele arrancou, de porta aberta com gente pendurada, parecia até fazer favor. Ao menos, parou.
Passando a Pompéia e entrando nas quebradas e curvas forçadas do bairro de vovôs, a festa era repetir o aeeeeeeeeeeeeeeeeeee!! para todo carro que buzinava – todos devidamente uniformizados, bandeira, etc e tal. Aperto, risada, risada, resmungo. Mais risada que resmungo. “Vamo que não quero perder o jogo”. A cobradora usava faixinha verde-amarela de tricô no cabelo, magrinha que só; não fosse o jaleco da cooperativa, ninguém diria que era cobradora oficial.
Mais de uma vez, o motorista não parou no ponto. Motoristaaaaaa!!! Olha o ponto!!!!!!
Parava metros depois e o coitado preso na lata de sardinha ainda saía com despedidas e torcidas e gritos de “sorte pra gente!!”. Todos brasileiros, todos amigos. Quando dois passageiros entraram com apito, um camarada se animou: “cadê a moça da corneta?” Do lado da cobradora, eis que a dona do instrumento de plástico com grife 25 de março abre um sorriso enorme pra logo cornetar. Fooooooooooooooooom! Mais risada. Seguiriam assim até a Lapa... Até Perus...
Se Deus quiser, chegariam à TV antes das 16h, horário de Brasília. Sabe-se lá que horas seria em Berlim.
O texto que você acabou de ler faz parte de uma série sugerida e organizada pela comunidade do Overmundo. A proposta é construir um panorama da estréia do Brasil na Copa da Alemanha, sob a ótica de colaboradores espalhados por todo o país. Para ler mais relatos sobre o assunto busque pela tag Especial_Copa, no sistema de busca do Overmundo.
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