Resgate das origens acreanas

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Rosiane Farias · , AC
6/3/2006 · 65 · 1
 

A banda Los Porongas, o artista plástico Gesileu Salvatore e a Associação Vertente foram os ganhadores do Prêmio Chico Mendes de Florestania (2005). Os dois primeiros foram indicados por iniciativa de origem estadual e urbana, e o terceiro por iniciativa estadual e florestal. A entrega dos prêmios aconteceu no último dia 22, no Palácio Rio Branco.

A banda Los Porongas é composta por Diogo Soares (vocal), João Eduardo (guitarra), Jorge Anzol (bateria) e Márcio Magrão (contrabaixo). Formada em maio de 2003, o próprio nome da banda faz alusão a um instrumento conhecido pelos seringueiros, a poronga.

Além de incentivar a valorização da produção musical autoral, o grupo desenvolve um resgate cultural das origens do povo acreano, a partir do ponto de vista de quem vive em uma cidade fincada no meio da floresta. Tudo isso, com a linguagem universal do rock. Eles possibilitam que mais jovens e adultos conheçam a imagem, os ideais e boa parte do legado de Chico Mendes, divulgando também sua imagem nos shows. Vale lembrar que este ano foi lançado através do selo fonográfico Catraia Records, o CD Enquanto uns Dormem onde pode ser encontrada uma das músicas mais conhecidas da banda, intitulada Zumbi e Chico, conhecida também como Lhé.

Os meninos do Los Porongas se destacam por inserir a música independente, no cenário nacional. Participaram de vários programas transmitidos para todo Brasil, sempre valorizando a cultura cabocla, indígena, ribeirinha, seringueira, nordestina, ?paulista?, sírio-libanesa, européia e acreana. Promoveram festivais com bandas e de outros Estados. O mais recente foi o Festival Varadouro, que reuniu aproximadamente 1 mil 300 pessoas no espaço Mamão Café, em novembro deste ano, em um único dia.

O Acre é um dos fundadores da Associação Brasileira de Festivais Independentes, por conta de sua participação nas discussões musicais em todo país.

O escultor da floresta

Gesileu Salvatore, o Escultor da Floresta, divide a premiação com a banda Los Porongas. Ambos trabalham artisticamente, na intenção de difundir a cultura da florestania no Estado do Acre.

Nascido no Seringal Tupá, em Xapuri, Gesileu, busca aliar homem e natureza em seus trabalhos. Em suas oficinas, ministradas em todo o estado, o artista cria formas imaginadas a partir dos galhos, cipós, troncos e outros elementos, transmitindo aos alunos o cuidado que deve existir com o meio ambiente. Sempre usa a floresta de maneira sustentável e responsável.

Faz exposições desde 1988, e seus trabalhos já passaram por São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Distrito Federal e Madre de Dios no Peru. Sempre alertando para a preservação da Floresta Amazônica. Trabalha com material ecologicamente correto, em contraponto à depredação da floresta.

Em 2005, foi realizado um vídeo sobre a obra e o cotidiano do artista, enfocando a prática de coleta dos materiais da floresta e dos rios, trabalhos no ateliê e montagem de exposições. Produzido e dirigido pelo artista plástico Danilo de S'Acre, o material foi exibido no museu do folclore do Rio de Janeiro em ocasião da exposição de Gesileu, intitulada Sem Limites, e do lançamento de um catálogo com fotos e sua história, na Sala do Artista Popular, numa parceria com o Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular.

Iniciativa estadual e florestal

A Associação Vertente foi premiada por promover ações junto à população de Rio Branco, que propõe inserção das pessoas na discussão ambiental, com objetivo fundado nos princípios de Educação Ambiental, através da sensibilização e integração, garantindo espaço para que o sentimento de cidadão da floresta possa ser despertado na busca da identidade acreana.

A Organização Não Governamental aposta na discussão de que Chico vive e revive através da conscientização e da responsabilidade de defender este bioma florestal. Suas atividades expressam o compromisso de atuação, envolvimento e cumplicidade da comunidade nos projetos propostos.

Um de seus projetos é a Oficina Som da Floresta, destinada à faixa etária de 5 a 14 anos, onde se trabalha com percussão, através de instrumentos construídos com ouriço de castanha, sementes, bambus e outros materiais, todos construídos pelas crianças. Os produtos já foram comercializados para São Paulo.

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Guilherme Carvalho
 

Muito bacana a matéria, pode me passar teu email?

Guilherme Carvalho · Recife, PE 28/5/2006 21:10
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