Rima em Comunidade

De trás pra frente: Cristiano, Wman e Ligado (foto Marcos Campos)
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Pedro Rocha · Fortaleza, CE
8/7/2006 · 124 · 0
 

Comunidade das Quadras, rua da Alegria, sede da Central Única de Favelas (Cufa) e do Movimento Cultura de Rua. Um duplex que abriga no segundo andar além de dois computadores que servem para os projetos da Cufa, um estúdio, meio apertado em um cômodo. Ali, Cristiano da Silva (29), Dj Doido do grupo de rap Comunidade da Rima produz as bases que Preto Zezé (30), Ligado (29) e Wman (31) vão rimar em cima. Ali também, eu sento com o CDR, na ausência de Zezé em Brasília, para uma conversa sobre Hip Hop, rap, identidade cultural, criminalidade...

As palavras são articuladas, a fala é precisa, o pensamento crítico e a experiência de 10 anos de grupo servem de base para essa conversa em que a pergunta é só o ponta-pé inicial para um encadear da história e da reflexão de um grupo que já foi bater em Estocolmo, na Suécia. Recebeu o Prêmio Hutúz de Destaque Norte/Nordeste, no maior festival de Hip Hop do Brasil. Mas finca alicerce em Fortaleza, ali mesmo nas Quadras, onde tem projeto de um casa que abrigue Grafite, Rap, Break e até um Centro Afro para que as mulheres cuidem de sua beleza.

Estão rumando para o segundo cd, que em uma ouvida rápida das bases produzidas por Dj Doido, ainda sem as letras, vem com uma qualidade impressionante, misturando desde Manassés (grande violonista cearense) , até Cordel do Fogo Encantando. O primeiro lançado em 2004 está na ponta da língua da galera e mostra que a distribuição alternativa no boca a boca, com a pirataria, ou seja lá de que outra forma, tem sua própria lógica de desenvolvimento.

Como é que foi a formação do grupo?

Ligado: Eu já tocava com o [Preto] Zezé , já fazia um certo tempo. A gente tocava no Contrabando da Lei, isso meados de 90, ai a gente já participava das atividades do Hip Hop, aí depois formamos o Ataque Frontal, sempre eu e Zezé em parceria com alguns outros cara.Depois dessas experiências a gente decidiu montar o Comunidade da Rima, foi a época em que o Wman tava saindo do grupo que ele fazia parte que era o Realidade em Cadeia. A gente uniu e ficamos nós três, ai na seqüência do trabalho chegou o Cristiano, que começou a trabalhar com nós desde as rodas de break da [praça] José de Alencar.

Wman: Tudo isso que o Ligado falou foi mais ou menos na década de 90, 96, 97, a gente fazia parte de outras organizações do Hip Hop no início de 90. Eu comecei no Hip Hop em 88, mais ou menos isso, eu já fazia umas festas com os bboys [dançarinos de break]. A grande verdade em Fortaleza é que o Hip Hop começou com a grande onda da dança do break. O break veio primeiro de uma forma mais pesada, mais que o rap e até mesmo o grafite. Naquela época, 87, 85, quando se falava de Hip Hop, primeiro se pensava no break. Antes disso, quando a gente trabalhava em grupos diferentes, a gente se dava muito bem a nível musical tanto que a gente fazia participação, um cantava no grupo do outro. Quando tinha show algum evento e tal, eu cantava musica do Ligado, do Zezé, eles cantavam música da gente.

Cristiano: O primeiro contato foi nos campeonatos de skate que eu fazia lá no Montese. Eu me juntei com o Darjan, um cara que eu andava de skate e a gente metia nome lá no Montese, ai a gente começou a ir lá no Conjunto Ceará, ai ele me apresentou o Zezé: ‘aquele cara ali é o Zezé, que articula tudo aqui’, na época. Zezé andava com uma camisa dos Racionais antiga pra caralho. A gente queria entrar no MH2O e era muito fechado, tinha umas regras que eles tinham lá que era foda, ai eu e o Darjan sentou e eu disse. “Porra tu tem o som, tem a estrutura, eu conheço uma rapaziada, vamos fazer os campeonatos de skate”. Foi mais fácil a gente fazer o trabalho nos bairros e o MH2O vir atrás da gente. Foi uma equipe do MH2O de grafiteiro e o grupo de rap que era o Zezé que cantava um som no junto com uma galera. O Zezé viu a estrutura toda e disse “Carai de quem é isso aqui?”. Nesse tempo eu trabalhava em uma metalúrgica, ai eu comecei a fazer os obstáculo de skate, comprava os ferros, tinha a máquina de solda, tinha tudo. A gente começou a montar tudo, fazer a coisa acontecer. Ai Zezé pegou meu contato, a gente trocou umas idéias e tal. Com uns quinze dias depois o telefone toca, era o Zezé pedindo pra gente fazer uma visita no Pólo Central da Febence ali pertin da Catedral. Ai já é 98. Eu fui lá no pólo e o Zezé falou. “Ó, tem que montar um som aqui pra gente fazer um documentário com a juventude aqui da Febence que a gente vai lançar isso no show dos Racionais. Zezé já tinha saído do MH2O, com uma idéia de montar o movimento. Ele perguntou: “Dá pra tu colar nas rodas de break e tal?” Dá. No dia na hora e no local eu tava lá com o som, tudo ligado, fazendo a roda, e comecei a levar todo final de semana. “Vamos fazer lá no Jereissate”. Botava o som dentro do carro. Tinha uma kombi véia branca eu e o meu parceiro, ai a gente ia pros bairro. Ai um dia a gente foi pra um bar numa esquina, ai o Zezé olhou e perguntou pro Wman: “O que que tu acha do Cristiano ser Dj?”. O Wman: “Meu irmão, o cara já mexe com som, já tá fazendo, bota ele”. Ai eu fui e caí pra dentro.

Como é o processo de criação dentro do grupo?

Wman: Não tem um cara “ah, eu sou o letrista, eu sou o escritor”. Ligado tá com uma música, aí ele pega e canta a música pra mim. Aí a idéia que ele vem pra mim já é uma coisa, aí eu digo: “Pô Ligado, porque não faz assim. Vamos fazer assim’. Não tem essa coisa formal, é tipo uma família mesmo. Tem uma coisa que os Racionais falam: “Tá dando certo...”

Ligado: No processo de elaboração a galera tem essa preocupação com o que que vai ser transmitido, com qual produção nós vamos usar. É um conceito amplo que tem preocupação maior é como que a galera vai receber esse som, porque você analisar o rap em si mano, tem várias músicas que pelo amor de deus, não dá mais - pelo menos na proposta que a gente trampa -, não dá mais pra estar com certos caras.

Cristiano: e a dinâmica fica louca, porque o Ligado vem com uma letra falando de um assunto e a gente vai conversar, ai o Wman faz uma parada que ele tem uma levada e um timbre de voz diferente, só que quando junta os dois, ou os três pra cantar, fica uma coisa doida, que dá uma harmonia, porque você não vê a mesmice.

Como é que vocês vêem em Fortaleza a relação do rap com o crime?Em São Paulo o negócio degringolou não foi...

Cristiano: Cara, eu como vou fazer 7 anos que eu tô rodando nisso. A grande diferença é que aqui em Fortaleza a gente ainda trabalha com movimento, e a gente trabalha os quatro elementos do Hip Hop, a gente tenta levar os quatro elementos do Hip Hop. A diferença de São Paulo pra cá foi a seguinte: lá os linhas de frente não trabalham com o movimento. Descontrolou total. Então lá eles levam o grupo de rap pra fazer o show na quebrada, então vai o status muito grande, é o grupo de rap, é o cara que tá indo, não é o movimento. Aqui já é diferente, vai o movimento, tem o debate, tem a palestra, tem a discussão que tem que ser aberta, a música que vai cantar, a estrutura que vai ser montada, então a gente tem um respeito muito grande com isso, pra que o cara que esteja vendo isso tenha também o respeito e queira sair do mundo que está vivendo.

Ligado: Hoje a gente vai cantar nas periferias que os caras do crime que fazem a parada deles, os caras é o maior respeito. Não intervém nada. Vê a idéias.

Wman: A única relação do rap hoje com o crime aqui é essa relação, é a de resgate dos caras em si, porque se você vê o cara que tá lá no crime, ele quer auto-estima e status, e ele consegue isso arranhando um disco, fazendo umas rimas que a própria galera dele curte.

Qual o resultado que você vê no pessoal que ouve? Vocês têm exemplos?

Cristiano. Aqui nas quadras tem muito e tem muitos que devido à dicção, à letra, o jeito de falar, de cantar, a gíria que a gente tem aqui, tá tudo dentro da música. O público alvo da gente é aqui no Ceará, muita gente entende o que tá sendo falado. O grande problema hoje do rap de fora, de São Paulo pra cá, é que tem muita gente que não sabe interpretar certo tipo de palavra, não sabe interpretar a letra, não sabe entender o que o cara tá falando. Eu já cheguei em comunidade e tem cara escutando O homem na estrada [música dos Racionais Mc´s], que a gente considera um hino praticamente do rap, e o homi tá fumando um baseado, vai botar um revólver na cintura e vai pra rua roubar escutando O homem na estrada que diz “que recomeça sua vida, sua finalidade que foi perdida e subtraída, quer mostrar a si mesmo que realmente mudou, se recuperou e quer viver em paz”. E o cara escuta isso e não entendi isso, interpreta de uma maneira como se aquilo ali fosse viagem.

Wman: Como é isso? O rap tem hoje o poder de mudança? Tem. Mas há um tempo atrás ele tinha mais. Hoje em dia o poder de mudança do Hip Hop com o povo eu acredito que não deve ser só na música, a grande qualidade é que os caras do rap tem que tá lá dentro.Os caras que escutam a musica do Comunidade da Rima respeitam a gente. A gente serve de espelho pra eles, porque a gente tá lá dentro com ele. Só a música não vai ter a mesma força, ela tem uma força determinadora. A gente vê muitas pessoas que tão mais na moral, porque já andou muito com o Wman ou do lado ligado, Cristiano, Zezé, ou com outros irmãos que faz Hip Hop da mesma forma. Tá me entendendo?

Ligado: A gente tem experiências que maluco começa a chorar no meio do show e a gente não entende nada. Questão da identidade com o barato, porque pra gente a questão do rap vai além só da base e da música.

Cristiano: Tem tanto exemplo doido. Teve um último agora que foi o seguinte. Eu tava aqui no estúdio e o meu telefone toca e um dos alunos ligou pra mim chorando. Eu fiz um curso agora com 120 alunos de liberdade assistida, dando discotecagem, teve break e grafite. Aí a mensagem que o Zezé deixou na entidade que chamou a gente era a seguinte: “É difícil resgatar o cara que tá nesse mundão doido, porque a gente fala 300 palavras que te incentivam contra sistema, conta mercado, contra capitalismo, contra tudo. Quando o cara chega em casa, ele vê a televisão, o carro importado, um cara com nike.. É um bormbardeio muito grande na cabeça dele. Aí a gente sabe que o cara não lê, que o cara não tem cultura de entender de interpretar... Ai o cara ligou pra mim chorando: “Porra Dj, tá foda, tem uma confusão dentro de mim agora. Tem certas coisas que eu falo e os malucos ficam me tirando de tempo, ficam dizendo que eu sou o sabidão, que eu sei demais das coisas, que eu vi você falando, que eu vi o Davi falando, vi o Deo falando. Eu assimilei. Aí eu tô na esquina, eu sei que não posso tar de bobera, porque os homi vêm e me levam. Eu sei que hoje não posso tar de bobeira sem meus documentos. Coisa que tu falou que a gente não sabe nem nosso RG de có e fica dando uma de malandrão demais, ai quando tu falou isso eu pensei, porque nem meu RG eu saiba, nem o nome completo da minha mãe eu sabia. Hoje eu sei o nome da minha mãe, sei falar nome do meu pai. Se um policial me perguntar eu tenho aquela tranqüilidade que você disse que o malandro tem que ter na hora da abordagem, de responder tudo no nível que o policial tá perguntando. Quando eu vou trocar essa idéia na esquina com os maluco, os maluco fica dizendo que eu sou sabidão demais, só que os maluco não sabe que eu sou o malandro agora, que o vacilão é eles. Aquele negócio que tu falou de se valorizar, tomar um banho, cortar o cabelo, de andar bem arrumado, de paquerar, de se sentir bem, aquilo ali eu assimilei e hoje eu tô me gostando”. Hoje o maluco trabalha com a gente, se sente bem, tá se valorizando. Aí a gente começa a ver o que eu consegui fazer de aproveitamento do curso. Ele não aprende a ser dj, a fazer produção musical, mas ele assimilou a idéias da autovalorização, de se gostar. Esse foi o grande superávit. Não foi um Dj formado, não foi um produtor musical, e sim a autovalorização.

O rap é poesia direcionada? Vocês falam pro branco que tem dinheiro? Eu queria saber se na hora da letra vocês pensam nisso?

Ligado: Cara, tem uns trechos das músicas que falam assim: “playboy na quebra é só lombra e pedágio pra galera”. E outro que diz assim “os boy quer ser os favela e os favela quer ser boy”. Tá ligado? Porque eu quando faço um som não é limitado, quanto mais proporção ele tomar ele vai ser útil, não só pro grupo, como pras próprias pessoas que estão ouvindo. Eu tenho amigos, caras da classe média... Porra, você olha assim pro cara, puta que pariu, às vezes colocando até o próprio discurso dos caras “Porra Ligado, eu não tenho culpa de ter nascido com dinheiro e tal”. E você pega caras da quebrada aqui brother, que tem atitudes que deus do céu, porra, você olha assim: “Pô, nojento, imagine se esse Zé Mané tivesse nascido com um qualquer no bolso”. Eu tenho muito claro na minha cabeça que as atitudes do cara é que falam.

W-man: Não se iluda. É direcionado, porque a vida da galera é direcionado pra isso. É pra essa rapaziada? É. As letras de rap não foram feitas só pra ganhar ibope, é porque é a real mesmo.

Cristiano: O desespero que tem hoje na favela, certamente eles tiveram que levantar o muro e botar a cerca, mas esse ódio que gerou dentro da favela, eles ajudaram a crescer esse ódio. O discurso hoje que a gente fala pra caralho é que isso tem que ser dividido, ou vocês dividem ou a raiva do povo vai ficar pior. Quando o Ligado fala assim: “playboy aqui é só pedágio pra galera”, é porque tem uns boys aqui que sai de lá porque é monótono, não tem nada pra fazer e vem pra cá. Aí a galerinha vê e quando é pedágio o cara tem que pagar. Às vezes o cara nem pede: “aí maluco vou botar ai uma cerva pra você”. O cara é tão malandro que fala “vou botar um”. Às vezes o cara diz: “Ó maluco você quer conhecer outra realidade?”. Tem uns e outros daqui de dentro que vão com os caras. Vai lá, vê qual que é. Ai chega lá, “massa...” e fica encabulado, “mas eu sou mais lá, não tô me sentindo bem aqui não”. Ai chega aqui, a tiazinha fala com o boy, todo mundo fala com o boy.

Ligado: Mas sem negar. É luta de classe mesmo, mas às vezes é meio sem lógica. Tem boy que pira quando ouve e diz: “Meu irmão, vocês estão certo mesmo”.

Como é que se dá no Comunidade da Rima a mistura cultural?

Cristiano: Na realidade quando a gente começou a andar nos bairros. Quando a gente começou a fazer curso de formação política, porque até então era um bando de cara que escutava só o rap, quando a gente viu que tinha que respeitar o movimento e trabalhar com o movimento para que isso seja coletivizado para a maioria, de uma maneira, numa linguagem que a rapaziada entenda. Então quando a gente foi fazer isso pra comunidade toda, a gente viu que o Hip Hop aqui em Fortaleza, é uma pedrinha de areia no meio de uma arte de cultura que existe há muitos anos, que é uma coisa que tá sendo esquecida. Tá certo que tem o Hip Hop, mas tem os pandeirista que são os caras que fazem a embolada, os caras que tocam viola, tem o boi, tem várias culturas que não podem ser esquecidas. A gente não pode passar por cima disso. A gente podia pegar uma geração todinha e tacar rap na cabeça dele. Aconteceu isso em São Paulo e tá lá a maior putaria. A gente usa timbre, sample, usa Patativa, trabalha junto com o pessoal da cultura, pra quem a gente, através da música e do Hip Hop, resgate um pouco da cultura que uma geração todinha perdeu. Tem música nossa que tem um sample do Altemar Dutra. Ai eu fui botar lá na casa da minha mãe pra ela escutar, aí ela: “olha, Altemar Dutra”. Aí um maluco chega aqui, eu faço uma instrumental fudida, aí o maluco: “Porra, do caralho.” Isso aqui é Agnaldo Timóteo. “Agnaldo Timóteo?” Eu mostro a música, o sample, a harmônia, a melodia e o estilo do negão. Olha só [pegando a capa de um LP de 78 de Agnaldo Timóteo]: camisa volta ao mundo, boca de sino, olha o cabelo, black. Quem anda desse jeito hoje, quem tem esse cabelo aqui quer esticar a força, quem tem esse cabelo aqui não quer ser mais preto.

Qual foi o reconhecimento que você conquistaram até agora?

Cristano: Cara, teve dois reconhecimentos da gente que foi fudido. O primeiro foi ser reconhecido lá em Estocolmo, na Suécia, e receber e-mail hoje dizendo que tem gente lá pedindo a volta. Isso é bom pra gente porque a gente foi até outro país e fez a diferença. E o grande reconhecimento aqui no Brasil foi o prêmio Hutús [de Destaque Norte/Nordeste] e a experiência que gente teve quando uma pessoa chorou quando entregou o prêmio pra gente e reconheceu a dificuldade de ser aqui do Nordeste e ganhar um prêmio lá. A Elba Ramalho chorou. Ela falou: “Eu sei como é difícil entrar e ganhar um prêmio no Rio de Janeiro e erm São Paulo”. Mas tem também a gente fazer um show na Parangaba e ter duas mil pessoas cantando a música da gente. Teve um cara que chegou pro Ligado e disse: Meu irmão, eu moro lá em Cascavel ó, eu fiz trinta disco de vocês e vendeu bem rapidim”. O cara piratiou 30 discos nossos e ainda vem dizer (risos).

Wman: No bom sucesso, tem uma churrascaria do lado onde eu moro e eu vou pra lá. Ai chega uma Hilux prata e bota Sabadão pra tocar...

Cristiano: Chegar em Caucaia e estar andando lá, de repente tá lá o negócio “Aqui só sobrevivente...”. Caramba! O cara tá escutando Selva de Pedra do Comunidade da Rima. Tem umas coisas que bate e o coração acelera.

Cufa Ceará

*entrevista publicada no jornal O Povo

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