Solto entrevista: João Marcelino

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Solto · Natal, RN
21/6/2009 · 2 · 0
 

POR ITAÉRCIO PORPINO

O Solto na Cidade entrevista o diretor, figurinista e cenógrafo potiguar João Marcelino, convidado pelo sexto ano para dirigir o espetáculo Chuva de Bala no País de Mossoro, um dos destaques da programação do Mossoró Cidade Junina.

Trabalhar em cima de um mesmo tema e enredo é um desafio muito grande?
Penso em Sherazade! Preciso continuar contando histórias para continuar vivo. Seja qual for a história. Não escrevê-las me impulsiona a contá-las. Há um interesse enorme de estudiosos sobre o tema do cangaço de todo o país e eles vêm a Mossoró para a afirmação do mito e eu, através do teatro, reflito e perpetuo a maior epopeia sertaneja do país.


Como é possível inovar num formato como esse?
Estou mais velho. Esse será o 35° espetáculo por mim dirigido dentre 81 espetáculos de que participei. Faço com o Chuva de Bala, esse ano, meio século de vida e trinta anos de ofício. O espetáculo ganhou relevo épico e procuro encenar com simplicidade sem abrir mão das novas linguagens e dos novos artistas.

Quais os seus projetos e planos pessoais?
Cinco textos estão em pauta. Dois deles de Calderón de La Barca e outro de Shakespeare, que pretendo montar com atores e com jovens das periferias. Há ainda uma publicação: um livro dedicado à cenografia e figurino com aquarelas, diários e fotografias de todos os espetáculos que dirigi e em que atuei. Trabalho também num roteiro para cinema, baseado no diário do Cel. Antonio Gurgel, preso pelo bando de Lampião em 1927.

Está envolvido em alguma produção nacional?
Estudo para dirigir um espetáculo do Grupo Imbuaça, de Aracajú. Mas estou mais atento a possibilidade de viajar com o meu espetáculo pelo país. Não faço isso desde O Príncipe do Barro Branco. Sinto falta da estrada.

Falta algo para você se sentir realizado como artista? O eixo Rio-São Paulo o seduz?
“Ando devagar porque já tive pressa...†Mas há muito por ser feito. Tenho muitos projetos, histórias por contar e há muitos amigos com os quais desejo um dia trabalhar. Sempre trabalhei, porque sempre precisei comprar os “tomatesâ€. Não sou amigo do Rei! Trabalho no Rio de Janeiro com a Cia. Armazém de Teatro, em Sergipe, Paraná, Mossoró, Portugal... Onde fui convidado realizei belos projetos. Até com Paulo Autran, em A Tempestade de William Shakespeare, trabalhei, mas Natal será sempre o meu porto seguro. A possibilidade de estar em vários lugares e pertencer a todos eles me encanta. O centro do mundo para mim é Natal!

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