A discussão sobre a legalização da maconha volta ao palco das principais polêmicas nos últimos meses após um Deputado da Califórnia, Tom Ammiano, apresentar um projeto de lei que ajudaria o seu Estado a superar a crise, baseando-se nos impostos sobre a comercialização do produto. No Brasil o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso se juntou a César Gaviria, da Colômbia, liderando uma discussão sobre a descriminalização da erva – sobre o argumento de enfraquecer o poder paralelo diminuído assim a violência.
Os primeiros registros apontam o uso da Cannabis (como é cientificamente conhecida a ‘maconha’) desde 2723 a.C na China, como uso farmacêutico. Em nosso país documentos provam a existência da erva desde o final do século XVIII (época das capitanias hereditárias). Por volta dos anos 30 a proibição se espalhou por diversos países, sob suspeitos argumentos, e, em 1960 a ONU recomendou a proibição a todos os países do mundo.
A substância presente na maconha chama-se delta-9-tetrahidrocanabinol, conhecida como THC, substância essa já produzida por nosso cérebro. O que acontece é que o consumo da erva ‘superativa’ o THC do cérebro que é responsável pelo sono e pela alimentação, dentre quase todos os processos do corpo. A maconha até agora é única solução eficaz conhecida na medicina para a dor crônica além, claro, de diversos outros usos como tratamento de esclerose múltipla, distúrbios alimentares, alivio de dor em pacientes com câncer e/ou AIDS, cólicas, pressão alta, insônia, glaucoma, epilepsia, problemas intestinais e – esse todos conhecem – estresse.
Dentre tantos benefícios você pergunta o porquê da proibição. Para obter os tais benefícios é imprescindível o fumo da substância(por via oral o efeito é mais fraco e demorado), sendo assim cancerígeno e – prestem bastante atenção agora – viciante. A dependência do uso da droga pode chegar e de maneira forte, compulsivo; mesmo sendo menos viciante do que a nicotina, por exemplo.
O poder do tráfico organizado em muitas cidades brasileiras é superior ao da própria policia, daí os inúmeros conflitos que nunca foram capazes de deter os bandidos. Com a descriminalização do uso da maconha esse ‘poder paralelo’ seria absolutamente enfraquecido perante a procura da erva ser cada vez maior no país. Muitos se perguntam se a legalização poderia ser parcial, apenas para a medicina, mas isso não seria eficaz, pois inibiria as campanhas contra o uso desordenado da Cannabis. Sobre isso o ex-presidente disse:
“Se você fizesse a descriminalização da maconha, do uso, isoladamente também não vai servir. É preciso que haja, ao mesmo tempo, todo um conjunto de políticas de prevenção, de mostrar que é preciso diminuir o uso, uma ação preventiva. Ou vem simultaneamente uma ação preventiva ou simplesmente a descriminalização vai aumentar o uso, e ele é danoso. Nós não estamos dizendo que ele não é danoso, não. Faz dano“.
A legalização deverá vir acompanhada de restrições a locais para consumo, sendo bem mais severa que o cigarro, e para o trânsito – claro! E conscientização que uso deverá ser para fortalecer os endocanabinóides (aliando assim as dores e trazendo os já citados benefícios) e não fazer o uso do THC simplesmente para ‘ficar muito louco, aêêê!’. Ah! Sobre matar neurônios consumindo a maconha, as pesquisas mais recentes comprovam que só se o uso for muito grande em um pequeno espaço de tempo. Tal como os efeitos colaterais de super-dosagens de remédios que estamos acostumados a tomar.
Os passos tomados para legalização estão cada vez mais largos e rápidos, sendo a medida já adotada em diversos países com eficácia. A discussão deve crescer, a marginalização da imagem dos usuários diminuir, e, quem sabe, tais medidas serem adotadas no nosso país de maneira competente e responsável.
(Consultas: Tecnocientista.info, G1.com.br, Wikipédia, boasaúde.uol.com.br - neurocientista e farmacologista Daniele Piomelli.)
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